Este sábado, o conflito entre EUA e Israel e Irão ficou marcado pelo início (e também pelo fim) das negociações para um acordo de paz, no Paquistão. As delegações dos EUA e Irão negociaram pela noite fora, durante 21 horas, mas não conseguiram chegar a consenso.
O Irão terá apresentado a sua proposta de paz e as suas linhas vermelhas, que incluíam o Estreito de Ormuz, descongelamento de ativos e indemnizações para reparações de danos de guerra. Já as exigências dos EUA não foram tornadas públicas, mas, acusou o Irão, foram “exigências excessivas e pedidos ilegais”, tendo recusado “direitos e interesses legítimos do Irão”.
Após o final das negociações a delegação dos EUA voltou logo para Washington. Mas enquanto as negociações decorriam, o Hezbollah terá continuado a atacar o exército israelita no sul do Líbano. Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o seu país “esmagou o programa nuclear e o programa de mísseis” do Irão.
Ao longo do dia a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz voltou, uma vez mais, a estar sob destaque, com o Irão a ameaçar os EUA alegando que ia atacar navios militares que passassem por este local. Pouco depois os EUA anunciaram que dois navios militares do país teriam conseguido navegar por este Estreito, informação que o Irão negou.
Pode recordar todos os acontecimentos de sábado aqui.
Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo deste sábado, dia 11 de abril:
No Irão
- O Irão ameaçou os EUA, afirmando que irá atacar navios militares que passem pelo Estreito de Ormuz. Os EUA anunciaram mais tarde que dois navios da sua marinha tinham tido sucesso a atravessar este estreito, informação desmentida pelo Irão.
- A delegação do Irão entregou ao mediador paquistanês a sua proposta e as linhas vermelhas para a resolução do conflito. Na lista estaria, segundo a televisão iraniana, o Estreito de Ormuz, indemnizações para reparações de danos pela guerra, descongelamento de ativos e um cessar fogo em toda a região.
- Apesar de as propostas americanas não terem sido divulgadas, o Irão disse que os EUA fizeram “exigências excessivas e pedidos ilegais”. E não aceitaram “os direitos e interesses legítimos do Irão”.
- Já morreram mais de 2.000 iranianos em virtude da guerra com os EUA e Israel.
Em Israel e no Líbano
- O Hezbollah disse ter disparado contra posições do exército israelita perto de Bint Jbeil, no sul do Líbano.
- Benjamin Netanyahu discursou durante a noite, e afirmou que Israel “esmagou o programa nuclear e o programa de mísseis” do Irão. O primeiro-ministro israelita disse que o Irão estava “muito próximo de conseguir ter uma arma nuclear”, e declarou que Israel recebeu no ano passado informações de que o Irão estava a preparar-se para transformar o urânio enriquecido em armamento nuclear. “A partir do momento em que recebemos a informação entrámos em ação”, disse.
- O primeiro-ministro de Israel disse também que até ao momento foram mortos oito cientistas nucleares ligados aos planos do Irão.
- O Ministério da Saúde do Líbano avançou que pelo menos 2.020 pessoas morreram desde o início de março devido aos ataques israelitas. Há também registo de 6.436 feridos.
No resto do mundo
- A China poderá estar a preparar uma entrega de sistemas de defesa anti-aérea ao Irão, segundo fontes anónimas dos EUA, nomeadamente sistemas de defesa aérea portáteis. A entrega poderá acontecer dentro de algumas semanas.
- França falou por telefone com Erdogan e também com o Presidente do Irão, Massoud Pezeshkian. “Incentivei-o a aproveitar a oportunidade apresentada pelas conversações lançadas em Islamabad para preparar o caminho para uma redução duradoura da tensão”, escreveu Macron no X.
- No Paquistão iniciaram-se as negociações trilaterais após reuniões individuais entre o Paquistão e o Irão e o Paquistão e os Estados Unidos. Decorreram três rondas de negociações, sendo que a discussão se estendeu noite fora. A última ronda negocial teve início já perto das 2h em Islamabad, mas o resultado não foi positivo. O encontro terminou sem acordo, após 21 horas de negociações, pelo que a delegação dos EUA voltou para Washington assim que possível.
- Ainda antes de se saber se ia ou não haver um acordo, Trump dizia não estar preocupado: “Independentemente de tudo, nós ganhámos”. O Presidente dos EUA disse também que estavam “a iniciar o processo de desminagem do Estreito de Ormuz”, algo que considera ser “um favor a vários países pelo mundo”, listando China, Japão, Coreia do Sul, Alemanha e França.