O prolongamento dos contratos com as centrais da Tapada do Outeiro, da Turbogás, e Castelo de Bode para funcionarem como centrais de arranque autónomo foi a primeira medida anunciada pelo Governo na sequência do apagão do passado dia 28 de abril de 2025. Mas há um plano da REN para substituir estas unidades mais antigas por uma central mais nova, escolhida através de um concurso público, revelou a ministra do Ambiente e da Energia esta quarta-feira no Parlamento.

Designadas por black start, estas centrais — uma a gás natural e a outra hidroelétrica — foram as principais responsáveis por fazer ressuscitar o sistema elétrico português, reenergizando a rede a partir de ilhas de energia criadas no ponto de injeção na rede. Apesar de algumas tentativas falhadas, o restabelecimento da energia em grande parte de Portugal continental até ao início da noite foi considerado bem sucedido. Este processo iniciou-se com a Tapada do Outeiro a norte e Castelo de Bode no centro, tendo sido reforçado pela interligação que entretanto foi reposta a partir de Espanha.

Ainda assim, o Governo decidiu reforçar o número de centrais com estas funções no sistema elétrico, que passaram de duas para quatro. O Alqueva e o Baixo Sabor tinham já sido escolhidas pela REN em concurso público para substituir a partir de 2026 as centrais da Turbogás e de Castelo de Bode, mas após o apagão foi decidido estender o contrato com estas unidades sem realizar um concurso público.

Agora a ministra admite que as centrais black start podem ser reduzidas para três — Alqueva, Baixo Sabor e uma terceira — número que, segundo Maria da Graça Carvalho, será o ideal para as unidades com esta função. Mais centrais aumentaria a complexidade da gestão da interação entre as ilhas de energia, o que poderia causar entropia e caos na recuperação da rede elétrica, argumentou.

Na mesma linha, Maria da Graça Carvalho contrariou o princípio defendido por alguns especialistas de que deveria haver centrais de arranque autónomo mais perto de Lisboa, onde estão concentrados os principais serviços críticos do país — hospitais, aeroporto, transportes públicos. Começar por energizar um polo tão grande de consumo como Lisboa pode gerar sobressaltos e dificultar ainda mais o processo. A atual distribuição geográfica de centrais com função black start é equilibrada, disse.

A ministra do Ambiente e Energia respondia a perguntas dos deputados da comissão parlamentar numa audição realizada esta quarta-feira sobre o apagão do ano passado. Maria da Graça Carvalho assinalou ainda que estes serviços são caros e alguém tem de os pagar. É preciso avaliar estes custos, que comparou a um seguro, no contexto do impacto que terão nas tarifas elétricas. O custo será mais elevado na central a gás natural da Tapada do Outeiro (Turbogás), mas está incorporado no pagamento de 24 milhões de euros anuais a esta unidade que inclui a prestação de outros serviços de sistema.

Sendo uma central térmica, esta unidade também demora mais a arrancar do que uma hidroelétrica, mas a ministra do Ambiente não esclareceu se o concurso para a terceira central irá privilegiar uma tecnologia em detrimento de outra.