Elementos da PSP, GNR, guardas prisionais e Polícia Marítima realizam na quinta-feira uma concentração em frente à residência do primeiro-ministro, em Lisboa, para protestar contra os cortes no cálculo da pensão de reforma, que podem ultrapassar os 30%.

Os cortes têm gerado forte contestação por parte dos profissionais da segurança e defesa. Neste explicador falamos sobre o que motivou o novo protesto, as regras em vigor e o valor dos cortes.

O que motivou o protesto?

O decreto-lei de 2017 que regula o cálculo das pensões de reforma e invalidez para militares da GNR, Forças Armadas, Polícia Marítima e pessoal das forças de segurança e que estabelece uma convergência das pensões com o regime geral da Segurança Social.

Quais são as novas regras?

A reforma era calculada com base no último ordenado (geralmente o mais alto da carreira). Com as novas regras, o valor passa a ser uma média de todas as remunerações ao longo da vida profissional.

Qual o valor do corte?

As novas regras aplicadas ao cálculo das reformas reduzem o valor de 90% do último ordenado para um montante entre 60% a 70% da média da carreira contributiva, podendo os cortes ultrapassar os 30%, influenciados pela data de inscrição na Caixa Geral de Aposentações (CGA).

O impacto é igual para todos?

Não. Isto porque o cálculo depende de quando os militares e os polícias entraram para a CGA e existem atualmente várias fórmulas de cálculo. Até agosto de 1993 mantêm-se regras do regime antigo. Depois de agosto de 1993 passam a estar sujeitos às novas fórmulas de cálculo baseadas na carreira completa.

Existem ainda outras fórmulas: uma calculada de acordo com o Estatuto da Aposentação, relativa aos descontos desde o ingresso até 31 de dezembro de 2005, e outra de acordo com o Regime Geral da Segurança Social, relativa aos descontos posteriores a 1 de janeiro de 2006 até à passagem à reforma. Neste modelo, quanto mais tempo o militar cumprir a partir de 2006, mais é reduzida é a sua pensão.

Porque avançar com protestos passados quase 10 anos do decreto-lei?

Ao longo do tempo têm sido várias contestações dos polícias sobre as pensões de reforma. Mas, segundo os sindicatos, os protestos estão atualmente mais intensos porque a fórmula do cálculo está agora a ser aplicada.

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