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A Rússia lançou um ataque em larga escala contra a Ucrânia nas últimas 24 horas, com recurso a cerca de 700 drones, e provocando cerca de 100 feridos e pelo menos 16 mortos. Moscovo confirmou mais tarde o ataque e disse tratar-se de um acerto de contas após Kiev ter atacado o porto de Tuapse, no Mar Negro. A União Europeia já condenou o ataque e garantiu que “continuará a aumentar a pressão sobre a Rússia”.

Entre as 7h de quarta-feira e as 7h de quinta-feira (5h em Lisboa), “o inimigo lançou duas ondas de ataques combinados no território da Ucrânia, utilizando mísseis terrestres e aéreos, bem como drones de ataque”, anunciaram as Forças Armadas da Ucrânia no Telegram.

Pouco depois, na rede social X, Volodymyr Zelenksky escreveu que “houve quase 700 drones russos” a ser enviados em direção à Ucrânia. “Também houve mísseis: 19 mísseis balísticos e mais mísseis de cruzeiro A maioria dos mísseis balísticos tinha como alvo Kiev. Conseguimos abater 636 drones e alguns mísseis. Infelizmente, não todos”, acrescentou.

Segundo o Kyiv Independent este ataque fez pelo menos 16 mortos. “Entre os mortos está um rapaz de 12 anos. Neste momento, sabemos também que há cerca de 100 feridos”, detalhou também Zelensky na rede social X. E, mais tarde, foi também divulgado pelo Kyiv Independent que outra das vítimas mortais é uma adolescente de 14 anos.

Em virtude deste ataque, na sua publicação na rede social X, Zelensky mostrou-se contra o levantamento de sanções internacionais à Federação Russa. “Mais uma noite a provar que a Rússia não merece qualquer flexibilização da política global nem o levantamento das sanções”, escreveu o líder.

Para Zelensky, “não pode acontecer a normalização da Rússia no atual contexto” e “a pressão tem que surtir efeito, sendo importante cumprir todas as promessas de ajuda à Ucrânia”, uma vez que “há numerosos compromissos por parte de aliados que foram anunciados, mas ainda não foram aplicados”.

Segundo a Força Aérea ucraniana, este foi um dos mais intensos bombardeamentos desde o início da guerra, em 24 de fevereiro de 2022. “Instruí o comandante da Força Aérea a contactar os parceiros que se comprometeram a fornecer mísseis do sistema Patriot e outros”, declarou ainda Zelensky na sua publicação, insistindo que “a Rússia está a apostar na guerra e a resposta deve ser exatamente esta”.

Como consequência destes ataques, que visaram várias cidades como Kiev, Odessa e Dnipropetrovsk,  algumas, como Mykolaiv e Kherson, no sul do país, ficaram sem luz.

Rússia diz que “objetivos foram alcançados”

Poucas horas depois, Moscovo confirmou ter atacado em larga escala o país liderado por Zelensky. O Ministério da Defesa da Rússia confirmou a ação, avançou a agência de notícias russa Interfax. “Os objetivos do ataque foram alcançados, todos os alvos designados foram atingidos”, afirmou, referindo-se em especial ao setor energético. E justificou a operação como uma resposta ao ataque ucraniano contra o porto russo de Tuapse, no Mar Negro, no final de novembro de 2025.

“União Europeia continuará a aumentar a pressão sobre a Rússia”, garante Costa

A União Europeia apressou-se a reagir aos ataques russos. “Enquanto as pessoas dormiam em suas casas, as cidades de Kiev, Dnipro, Odessa e Kharkiv foram atingidas por dezenas de mísseis balísticos e centenas de drones… A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia fracassou, e, por isso, a Rússia escolhe aterrorizar deliberadamente os civis”, escreveu o presidente do Conselho Europeu na rede social X.

António Costa escreve que o país liderado por Putin “deve parar esta guerra de terror”, para que seja alcançada “uma paz abrangente, justa e duradoura para a Ucrânia, baseada nos princípios da Carta da ONU e no direito internacional”.

“Para esse fim, a UE continuará a aumentar a pressão sobre a Rússia. E manteremos o nosso apoio inabalável à Ucrânia”, garantiu Costa na sua publicação.