A portuguesa SIBS, dona do Multibanco e MBWay, conseguiu em parceria com outras quatro entidades (privadas) europeias concluir a fase de “prova de conceito” da interoperabilidade nos pagamentos entre as soluções que existem em 13 países, para já, e que cobrem 72% dos cidadãos europeus. O objetivo é destronar as hegemónicas Visa e Mastercard, “numa fase em que a Europa é desafiada a reforçar a sua autonomia”, referiu uma responsável da SIBS. Por outro lado, o anúncio quer antecipar-se ao provável lançamento do “euro digital” por parte do BCE, que será uma solução pública para uma necessidade que o setor privado garante conseguir suprir.
O anúncio da “prova de conceito”, a demonstração de que tecnicamente é possível unir os esquemas de pagamentos de várias soluções europeias, foi feito nesta quinta-feira em Lisboa, numa apresentação a jornalistas em que participou Teresa Mesquita, responsável da SIBS que considerou que este “é um momento muito entusiasmante” porque se dá o primeiro passo para que os utilizadores do MBWay, por exemplo, possam usar o seu smartphone para, através de um QR Code (para já), fazer transferências entre pessoas e pagamentos em lojas.
As transferências entre pessoas, entre os utilizadores dos 13 países em que operam as cinco soluções envolvidas, vão estar disponíveis até ao final deste ano de 2026. Depois, até ao final de 2027, estarão disponíveis os pagamentos em comerciantes através dos terminais de pagamentos (PoS) comuns. Mas a sessão pública desta quinta-feira serviu para “demonstrar a interoperabilidade real entre o MBWay e as principais soluções de pagamento de Itália (Bancomat) e do centro da Europa: França, Alemanha e Bélgica (EPI/Wero)”.
Esta conquista representa um avanço concreto na cooperação ao abrigo do Memorando de Entendimento (MoU) assinado em janeiro de 2026 entre a Bancomat [Itália], a Bizum [Espanha], a EPI [European Payment Initiative, que une 16 bancos do centro da Europa], a SIBS e a Vipps MobilePay [países nórdicos], que visa acelerar a implementação de soluções de pagamento pan-europeias soberanas e interoperáveis”.
“Este avanço irá permitir que os utilizadores realizem pagamentos transfronteiriços em lojas físicas via QR Code utilizando as suas apps nacionais”, rematou a SIBS.
Representantes do BancoMat (Itália), SIBS (Portugal) e Wero (Países da Europa central) fizeram transações em tempo real para mostrar a tecnologia.
Este anúncio vem na sequência da assinatura de um acordo assinado a 2 de fevereiro de 2026, em que a Bancomat (Itália), a Bizum (Espanha), a SIBS/ MB WAY (Portugal), a Vipps MobilePay (Países Nórdicos) e a European Payments Initiative (EPI) assinaram um Memorando de Entendimento (MoU), marcando um passo importante no sentido da criação de soluções de pagamento pan-europeias soberanas e interoperáveis.
Esse MoU teve como objetivo “acelerar a implementação de pagamentos transfronteiriços sem descontinuidades em toda a Europa até 2027, reforçando a soberania de pagamentos da Europa numa altura em que a região ainda depende fortemente de operadores de pagamentos não europeus”, diz a SIBS.
A iniciativa liga soluções de pagamento móvel locais já bem-sucedidas através de um hub central de interoperabilidade, permitindo-lhes trabalhar em conjunto sem substituir as marcas nacionais. Em conjunto, as soluções participantes já servem aproximadamente 130 milhões de utilizadores em 13 países europeus, representando cerca de 72% da população da UE e da Noruega, conferindo à iniciativa uma escala imediata para consumidores e comerciantes”, afirma a SIBS em comunicado.
Questionados pelo Observador na apresentação pública, os representantes das várias empresas assumiram que o objetivo é destronar a Visa e a Mastercard mas recusaram que este anúncio seja uma forma de pressionar o BCE a desistir dos planos de lançar a solução pública do “euro digital”. Os responsáveis indicaram que o “setor privado mostra que é capaz de criar soluções inovadoras e de forma rápida”, numa fase em que se antecipa que o “euro digital” só seja lançado, no mínimo, em 2029.
“A solução que apresentamos pode ser complementar com a solução pública”, caso ela venha realmente a ser lançada, referem os responsáveis da SIBS, BancoMat e EPI, que lideraram a apresentação pública deste avanço tecnológico.