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"O que nos fizeram, faremos com eles": Lula apoia expulsão de agente dos EUA em retaliação no caso Ramagem

Este artigo tem mais de 6 meses

Polícia Federal revogou credenciais do agente norte-americano após Washington expulsar adido brasileiro ligado ao caso Ramagem, ex-chefe dos serviços secretos de Bolsonaro.

epa12904738 Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva attends a joint press conferece with Portuguese Prime Minister Luis Montenegro (not seen) after their meeting at Sao Bento Palace, Lisbon, Portugal, 21 April 2026.  EPA/MIGUEL A. LOPES
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▲"O que nos fizeram, faremos com eles", afirmou Lula da Silva

MIGUEL A. LOPES/EPA

▲"O que nos fizeram, faremos com eles", afirmou Lula da Silva

MIGUEL A. LOPES/EPA

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, apoiou a decisão de revogar as credenciais do agente de segurança dos Estados Unidos (EUA) que operava no Brasil, após Washington ter expulsado um adido brasileiro.

Num vídeo publicado nas redes sociais na quarta-feira, Lula da Silva felicitou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, pelo que descreveu como uma medida de reciprocidade diplomática.

Na segunda-feira, os EUA expulsaram o adido de segurança do Brasil, Marcelo Ivo de Carvalho, acusando-o de manipular o sistema de imigração para facilitar a detenção do ex-chefe dos serviços secretos brasileiros Alexandre Ramagem.

EUA expulsam dirigente brasileiro após detenção de ex-chefe dos serviços secretos de Bolsonaro

“Parabéns pela sua posição em relação ao delegado [norte-]americano, aplicando a reciprocidade. Ou seja, o que nos fizeram, faremos com eles, na esperança de que estejam dispostos a retomar as conversas e que as coisas voltem ao normal”, declarou Lula. As declarações foram feitas durante a assinatura de um contrato para a contratação de mil novos agentes para a PF, evento que contou com a presença de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

Marcelo Ivo de Carvalho, que funcionava como elo com as autoridades de imigração dos EUA — conhecido como ICE —, vivia em Miami, onde recebeu uma ordem para sair do país, disse na segunda-feira o Departamento de Estado dos EUA. “Nenhum estrangeiro pode manipular o nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender caças às bruxas políticas ao território dos EUA”, justificou Washington. “Foi pedido ao funcionário brasileiro em questão” que abandone os EUA, acrescentaram as autoridades, na rede social X, sem mencionar o nome de Marcelo Ivo de Carvalho.

Alexandre Ramagem foi detido pelo ICE, em 13 de abril, em Orlando, no estado da Flórida (sudeste dos Estados Unidos). Na altura a polícia brasileira descreveu a detenção como resultado de uma cooperação com as autoridades norte-americanas. Foragido da justiça brasileira, Ramagem, de 53 anos, foi condenado em setembro a 16 anos de prisão, no mesmo processo que o ex-presidente Jair Bolsonaro, pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil.

Ambos foram considerados culpados de conspirar para manter o ex-líder no poder, apesar da derrota nas eleições de 2022 frente a Lula da Silva. Segundo a polícia brasileira, Alexandre Ramagem fugiu do Brasil em setembro, através da Guiana, sem passar pelos controlos de imigração, e entrou nos EUA com um passaporte diplomático, de acordo com a imprensa brasileira.

O Brasil solicitou oficialmente a extradição de Ramagem em dezembro. Alexandre Ramagem foi solto dois dias após ter sido detido. Na altura, agradeceu ao Governo de Donald Trump pela libertação e disse estar em situação regular no país. Ramagem disse ainda que foi detido por uma questão migratória e que entrou no país de forma “perfeitamente regular”.

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