Timmy, uma baleia de 12 toneladas, ficou presa há mais de um mês no Mar Báltico, ao largo de Poel in Mecklenburg-Vorpommern, na Alemanha. Há várias semanas que estão a ser feitos planos para resgatar Timmy mas, até agora, com poucos resultados. Esta terça-feira, deverá começar aquele que será o esforço final para resgatar a baleia presa, nota o Guardian.

A operação é ambiciosa e não está isenta de críticas. A ideia é que, através de uma barcaça semelhante a um aquário de metal, seja possível ajudar Timmy a deslocar-se. O animal ficaria a nadar dentro desta barcaça, explica o alemão Bild. Durante a chamada “Operação Almofada”, o animal de 30 metros deverá ser içado com almofadas de ar, para depois entrar no tal aquário de metal.

Em teoria, Timmy teria de ser auxiliado a fazer uma viagem de cerca de 400 quilómetros para o Mar do Norte, com o auxílio de rebocadores. Só depois é que poderia alcançar o Oceano Atlântico, de onde as autoridades alemãs acreditam que partiu.

Alguns críticos referem que a operação não irá surtir o efeito pretendido e que irá apenas causar mais stress e ansiedade ao animal, que alguns peritos consideram que está a morrer. Conforme disse o biólogo Fabian Ritter ao jornal Bild, o barulho da operação é uma das principais preocupações. “Será um barulho muito elevado para a baleia. As baleias e os golfinhos vivem num mundo de som, são extremamente sensíveis.” Ao jornal, explicou que seria um stress semelhante ao de ter uma lâmpada brilhante na cara de uma pessoa ao longo de três dias.

O último esforço para salvar Timmy está a ser financiado por um grupo de milionários, que inclui nomes como a empresária de cavalos Karin Walter-Mommert ou Walter Gunz, o fundador da cadeia de eletrónica MediaMarkt, descreve a Euronews. “Sem intervenção, a baleia não tem qualquer hipótese de sobreviver”, disse Walter Gunz à agência de notícias alemã. A operação que está a ser financiada por fundos privados vai contra o posicionamento das autoridades, que consideram que não há mais a fazer.

Organizações como a Greenpeace alemã consideram que a operação acarreta riscos de magoar um animal que “está doente e gravemente enfraquecido”, referiu o Daily Mail. Há ainda quem aponte a pouca experiência da equipa que está à frente do processo. Segundo a imprensa alemã, há também várias “divergências internas” entre a equipa de salvamento privada.

Burkard Baschek, o diretor do Museu Oceanográfico de Stralsund, era até há pouco tempo o conselheiro do governo alemão para a operação de resgate. Os especialistas consideraram que não havia mais solução e que Timmy deveria ser deixado em paz para morrer, escreve o Guardian. “Já não é possível uma tentativa de resgate”, disse Bascheck ao jornal Die Zeit. “Isto também já nos foi confirmado repetidamente por colegas internacionais.” O especialista disse ter sido alvo de ameaças de morte, mas manteve-se firme: a atual operação de resgate “é pura crueldade animal”.

Till Backhaus, o ministro do Ambiente da Alemanha, está a ser alvo de críticas por ter mudado de ideias em relação ao resgate da baleia. Numa fase inicial, alegou que não havia mais a fazer por Timmy. Porém, mais tarde, disse que se teria afeiçoado ao animal, dizendo até que “parece estar a preparar-se mental e emocionalmente para a partida” rumo ao oceano. Para a imprensa alemã, o político não estará interessado na ótica negativa de ter uma baleia morta à frente de todos, quando as eleições regionais estão marcadas para setembro.

Também o ministro já recebeu ameaças de morte, mas disse à imprensa alemã que não aceita “ser chantageado”.