O vencedor das eleições legislativas da Hungria, Péter Magyar, reúne-se na quarta-feira em Bruxelas com a presidente da Comissão Europeia para tentar desbloquear os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência húngaro.

“Viajo para Bruxelas na quarta-feira para conversas informais com a presidente da Comissão Europeia para desbloquear os fundos europeus. Não temos tempo a perder“, escreveu Péter Magyar nas redes sociais no domingo. Fontes europeias confirmaram esta terça-feira que o encontro se vai realizar.

Em causa estão cerca de 17 mil milhões do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) húngaro, que expiram em 31 de agosto e se encontram bloqueados pela Comissão Europeia, por considerar que as políticas do Governo de Viktor Orbán, derrotado nas legislativas de abril, violavam princípios democráticos e o Estado de Direito.

Além destes fundos do PRR, a Comissão Europeia está também a bloquear outro empréstimo de 17 mil milhões de euros à Hungria, mas ao abrigo do programa SAFE, que visa incentivar os investimentos dos Estados-membros em Defesa.

Este vai ser o primeiro encontro presencial entre Ursula von der Leyen e Péter Magyar desde as eleições legislativas de 12 abril, que ditaram a derrota de Viktor Orbán, que governava o país há 16 anos.

No entanto, apenas dois dias após as legislativas, os dois políticos falaram ao telefone, tendo Von der Leyen pedido a Magyar “trabalho célere” para “restaurar o Estado de Direito” e alinhar a Hungria com os “valores europeus”.

“Há um trabalho célere que deve ser feito para restaurar, alinhar e reformar. Restaurar o Estado de Direito. Alinhar com os nossos valores europeus comuns. E reformar, para desbloquear as oportunidades oferecidas pelos investimentos europeus”, escreveu na altura Ursula von der Leyen nas redes sociais.

Por sua vez, Péter Magyar tinha dito que, na conversa ao telefone com Von der Leyen, ambos concordaram que “desbloquear os fundos europeus destinados ao povo húngaro, mas bloqueados devido à corrupção do Governo anterior, deve ser a principal prioridade”.

“O novo Governo vai tomar decisões políticas chave para desbloquear e investir estes fundos, em linha com o mandato claro que foi dado pelo povo húngaro. A Comissão vai trabalhar em estreita colaboração connosco para que consigamos cumprir os prazos muito curtos e entregar resultados”, escreveu Magyar na altura.

As legislativas na Hungria foram vencidas pelo partido conservador Tisza, liderado por Péter Magyar, que deve tomar posse como primeiro-ministro a 9 de maio, marcando o fim de mais de 16 anos de governação de Orbán.

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