O suspeito de ter atingido a tiro um homem, em maio de 2025, num bar, no Porto, e ter impedido o socorro à vítima, que morreu depois no hospital, ficou esta quinta-feira em silêncio no início do julgamento.
Na sessão desta manhã do julgamento, que decorre no Tribunal de São João Novo, o arguido optou por não falar, tendo sido a manhã dedicada à audição de um perito balístico, do inspetor da Polícia Judiciária (PJ) que liderou a investigação e de um familiar da vítima.
O arguido está acusado de um crime de homicídio simples, dois crimes de homicídio na forma tentada e de um crime de posse de arma ilegal.
Segundo a acusação, a 4 de maio de 2025, pelas 05h00, a vítima estava num bar na Rua Escura, dentro do qual se encontrava também o arguido, estando ambos acompanhados de outros familiares.
A acusação refere que, “por motivos não apurados”, a vítima e um dos acompanhantes do arguido desentenderam-se e, “no decurso desses confrontos”, o arguido “com o propósito de tirar a vida” à vítima “empunhou uma arma de fogo (…) e a uma distância de cerca de 50-75 centímetros, apontou-a à vítima, efetuando, pelo menos um disparo na direção desta atingindo-a na parte lateral esquerda do tórax”.
A vítima terá sido retirada do espaço pelos seus acompanhantes e enfiada num carro para ser transportado ao hospital, mas, “apercebendo-se disso, com o propósito de impedir” que a vítima fosse socorrida “o arguido dirigiu-se para o primeiro cruzamento (…), com o propósito de efetuar mais disparos em direção àquela viatura, de forma a garantir que a mesma ali ficasse imobilizada e se certificasse que a vítima ali perdia a vida”.
A testemunhar, o perito balístico confirmou que os invólucros e o projétil recuperados “foram todos disparados da mesma arma”, artefacto que não chegou a ser encontrado.
O inspetor da PJ relatou que na entrada do bar “eram visíveis sinais de luta” e que “as câmaras de vigilância do bar tinham sido arrancadas”, não tendo sido possível recuperar as imagens do que aconteceu dentro do espaço.
Aquela testemunha apontou ainda que no automóvel usado para socorrer a vítima, que ficou imobilizado após se despistar em consequência dos disparos contra ela, foram recuperadas duas balas.
O tribunal ouviu ainda um dos acompanhantes da vítima, seu primo, que relatou como tentou salvar o primo: “Fui buscar o carro para o tirar logo dali, queria salvá-lo”, disse, referindo que viu depois o arguido e mais dois indivíduos na esquina da qual dispararam contra a viatura.
“Eles impediram-me de levar e salvar o meu primo“, disse.
A vítima ainda foi assistida no local pelo INEM, tendo sido depois transportada para o Hospital de Santo António, onde morreu.