As autoridades têm, esta terça-feira, em curso novas diligências de investigação no caso de alegada tortura de detidos na esquadra do Rato, em Lisboa, anunciou o ministro da Administração Interna. A CNN avança que foi emitido um mandado de detenção para 15 agentes, número confirmado pela PSP, que também ordenou a detenção de um civil no mesmo dia. Até à data, as autoridades não confirmam se os mandados já foram executados.

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“Hoje estão a decorrer novas diligências e poderá haver novas detenções no final do dia de acordo com a prova que vier a ser carregada”, revelou Luís Neves, à margem das comemorações do 18.º aniversário da Unidades Especial de Polícia (UEP) da PSP, em Belas, Sintra.

Desde que prestou essas declarações em que lamentou os atos praticados por polícias “que de alguma forma poderão ter interagido com o comportamento desviante” ocorrido em 2024 e 2025 na esquadra do Rato, a PSP e o Ministério Público avançaram com um comunicado conjunto especificando a ordem de detenção de 15 agentes e um civil.

Na mesma nota, a PSP e o MP afirmaram que “se encontram em curso 14 buscas domiciliárias e 16 não domiciliárias, estas últimas em esquadras” da força de segurança em questão. As diligências, presididas por 14 magistrados do Ministério Público e com a cooperação operacional da Polícia de Segurança Pública, estão sujeitas a segredo de justiça e investigam a eventual prática de tortura grave, violação, abuso de poder e ofensas à integridade física qualificadas.

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No discurso proferido em Belas, o ministro com a tutela da PSP relembrou a importância de “ter em conta a presunção de inocência” e reiterou que “os comportamentos desviantes não são a prática habitual” na força policial. Luís Neves sublinhou, aliás, que foi a mesma entidade de segurança que denunciou o caso, estando a prestar “apoio e suporte total ao Ministério Público na investigação”.

O diretor nacional da PSP reiterou que a instituição tem “tolerância zero” perante alegações como a de tortura de detidos na esquadra do Rato, em Lisboa: “A Polícia de Segurança Pública [PSP] é uma instituição com cerca de 20 mil homens e mulheres que todos os dias dão o seu melhor para que Portugal seja um dos países mais seguros do mundo. Iremos continuar a fazer isso. Alegações de má conduta, temos tolerância zero”, afirmou Luís Carrilho, à margem das comemorações do 18.º aniversário da Unidade Especial de Polícia da PSP, em Belas, Sintra.

Ladeado pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, o diretor nacional da PSP assegurou ainda que os cidadãos “podem continuar a confiar na Polícia de Segurança Pública”.

“Gostaria que não tivesse acontecido. Aconteceu. [As alegações] têm de ser investigadas e isto faz parte da vida das instituições”, acrescentou.

Esta é a terceira operação policial desde julho de 2025 relacionada com alegações de tortura e violação por polícias de pessoas detidas na esquadra do Rato, na maioria toxicodependentes, estrangeiros e sem-abrigo.

Na primeira, foram detidos dois agentes da PSP, de 22 e 26 anos, e que vão ser julgados por crimes de tortura, violação e abuso de poder, entre outros, determinou em 27 de abril de 2026 o Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

Outros sete polícias foram detidos em março de 2026 e estão aguardar em prisão preventiva o desfecho da investigação, que poderá ou não culminar numa acusação do Ministério Público pelos mesmos crimes.

O caso deu origem a nove processos disciplinares e um processo de inquérito, este último sobre os polícias que assistiram aos vídeos das agressões partilhados num grupo de WhatsApp, adiantou, na altura, o inspetor-geral da Administração Interna, Pedro Figueiredo.