A polícia britânica quer julgar o alemão Christian Brueckner, de 48 anos, no Reino Unido pela suspeita de sequestro e homicídio de Madeleine McCann, em 2007, na Praia da Luz, em Portugal. A Metropolitan Police destaca que consegue reunir provas suficientes para que a Crown Prosecution Service (equivalente ao Ministério Público português) autorize a acusação, avançou o The Telegraph. Assim, um detetive responsável pela investigação da Scotland Yard está a fazer pressão para que seja pedida à justiça alemã — que libertou o suspeito no ano passado depois de ter cumprido pena de prisão por uma violação no Algarve — a extradição de Brueckner.
Christian Brückner, principal suspeito no caso Maddie McCann, já saiu da prisão alemã
Para extraditar um suspeito, há pelo menos dois fatores que devem ser considerados. Primeiramente, a polícia britânica precisa de convencer a Crown Prosecution Service de que tem condições de acusar Brueckner e só se tiver uma aprovação é que o processo formal é iniciado. Além disso, o Brexit é uma condicionante que complica a entrega do suspeito ao Reino Unido. Como o artigo 16 da Constituição alemã impede a extradição dos seus cidadãos para países não pertencentes à União Europeia, a Alemanha pode recusar o pedido da polícia.
Ainda assim, um dos oficiais superiores da Scotland Yard está a pressionar a condenação do suspeito alemão antes do 20º aniversário do desaparecimento de Maddie, no próximo ano: “Se as provas forem suficientemente fortes para extraditar o principal suspeito e julgá-lo aqui, é isso que procuramos fazer. É evidente que existem inúmeros obstáculos, mas a nossa prioridade neste momento é reunir as provas mais robustas possíveis contra o principal suspeito”, citou o The Telegraph.
Caso a Alemanha recuse a extradição, um ex-chefe de departamento da Crown Prosecution Service, Nick Vamos, explicou ao jornal que Brueckner podia na mesma ser enviado para o Reino Unido se sair da Alemanha, ou para Portugal se as autoridades portuguesas optarem por julgá-lo, acrescentando que a Metropolitan Police podia partilhar provas com o país para esse fim.
Hans Christian Wolters, que liderou a investigação alemã sobre a Maddie, já afirmou antes que Brueckner “não era apenas o principal suspeito, era o único suspeito”, como referiu a GB News. Numa declaração feita esta semana, Wolters assegurou que a investigação sobre o caso Madeleine McCann continua, mas que não pode dizer “qual será o resultado”, mencionou o Daily Mail.
Madeleine McCann desapareceu do apartamento de um aldeamento turístico algarvio na Luz, onde dormia com os irmãos gémeos, então com dois anos, a 3 de maio de 2007. Neste fim de semana, os pais da Maddie, Kate e Gerry McCann, marcaram o 19º aniversário do desaparecimento da filha, com uma declaração na página oficial da campanha Find Madeleine no Facebook.
“19 anos. A busca continua… para encontrar a nossa Madeleine, para alcançar alguma justiça, para tornar o mundo um pouco mais seguro. Continuamos muito gratos por todo o apoio que recebemos — de amigos e familiares, pessoas que conhecemos e aquelas que não conhecemos — e da polícia e das autoridades pela sua contínua determinação e esforço. Obrigada. Pela Madeleine, a quem amamos e sentimos falta todos os dias, jamais desistiremos”, escreveu a família de Maddie.
No ano passado, a Metropolitan Police enviou uma carta rogatória internacional para interrogar Christian Brückner, mas o pedido foi rejeitado. No entanto, mesmo sem o testemunho do suspeito, o The Telegraph afirmou que a polícia mantém esperança de terem provas suficientes para apresentar ao Crown Prosecution Service.
Suspeito do “caso Maddie” recusa ser ouvido por autoridades britânicas
Como refere o The Independent, Brueckner negou sempre o seu envolvimento no desaparecimento de Madeleine. Aliás, em setembro de 2025, o suspeito pediu que parassem com a “caça às bruxas” e que lhe devolvessem a vida.
Depois de cumprir uma pena de sete anos por violar uma mulher no Algarve, Brueckner foi libertado da prisão no ano passado e já esteve a viver em diferentes partes da Alemanha, explicou o The Sun. A sua localização continua a ser rastreada pela polícia através de uma pulseira eletrónica.