A Ryanair voltou a apontar críticas ao sistema de controlo de fronteiras (Entry/Exit System, EES, na sigla original) no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, e aos tempos de espera no controlo de passaportes. A companhia aérea utilizou as redes sociais para reforçar o pedido ao Governo português para suspender a aplicação do novo sistema até depois do verão, alegando que os passageiros continuam a enfrentar filas prolongadas no principal aeroporto do país.

Numa das mais recentes publicações, a transportadora irlandesa recorreu a um meme gerado com recurso a inteligência artificial que compara a imagem de um jovem com a legenda “a chegar ao controlo de passaporte do aeroporto de Lisboa” ao lado da sua versão envelhecida com a frase “a sair do controlo de passaporte do aeroporto de Lisboa depois de esperar desnecessariamente muitas horas”.

“O Governo português deve suspender o novo Sistema Europeu de Entrada e Saída até ao final da época alta de verão. Caso contrário, os passageiros serão obrigados a enfrentar tempos de espera excessivos nos controlos fronteiriços dos aeroportos portugueses”, lê-se na legenda da publicação.

Em Lisboa, as filas no Aeroporto Humberto Delgado têm sido uma preocupação recorrente por parte do Governo de Montenegro, sobretudo em períodos de maior procura. No entanto, o Ministério da Administração Interna informou esta segunda-feira que Portugal “mantém o compromisso de assegurar” o funcionamento do EES “em conformidade com o direito da União Europeia, não estando prevista qualquer suspensão deste sistema“.

Governo recusa suspender no verão sistema de controlo europeu nos aeroportos

A companhia aérea tem defendido publicamente que Portugal deveria suspender temporariamente a aplicação do sistema, que substitui o tradicional carimbo no passaporte e passa a recolher dados biométricos. Numa outra publicação, a empresa compara o tempo médio dos seus voos (cerca de uma hora e 15 minutos) com esperas que podem ultrapassar as duas horas e meia no controlo fronteiriço em Lisboa.

As publicações nas redes sociais, que incluem também referências diretas ao Governo português e ao ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, têm sido acompanhadas por gráficos e imagens de tom satírico. Num dos casos mais recentes, a companhia aérea chegou mesmo a afirmar que “um quiz demora menos tempo do que o controlo de fronteiras em Lisboa”.

A Ryanair garante, ainda, que já contactou vários Estados-membros da União Europeia, incluindo Portugal, para pedir uma suspensão temporária do novo sistema, tal como terá acontecido noutros países, como a Grécia. A empresa acusa as autoridades de não terem assegurado meios suficientes, nomeadamente recursos humanos e equipamentos, para lidar com o aumento de passageiros.

Também a Comissão Europeia já apontou problemas no funcionamento do sistema no Aeroporto de Lisboa, referindo os tempos de espera elevados e falhas na execução dos controlos como “deficiências graves”.

Comissão Europeia deteta “deficiências graves” no Aeroporto de Lisboa. Portugal tem até ao final do mês para corrigir irregularidades

A Ryanair insiste que a situação pode agravar-se durante os meses de julho e agosto caso o novo sistema avance sem ajustamentos.

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