O ator Javier Bardem usou a conferência de imprensa no festival de cinema de Cannes, em França, para tecer críticas ao “comportamento masculino tóxico” de vários líderes globais.

O ator está em Cannes para promover El Ser Querido, do espanhol Rodrigo Sorogoyen, um drama psicológico em que dá vida a um realizador galardoado. A personagem não vê a filha, uma atriz, há 13 anos, e decide reaproximar-se ao convidá-la para trabalhar no próximo filme.

De acordo com o site Deadline, o ator foi questionado sobre o tema dos pais ausentes e as consequências que geram. Bardem declarou que uma boa parte da “masculinidade tóxica” vem da “má educação recebida ao longo de muitos anos”. “Tenho 57 anos, venho de um país muito machista chamado Espanha onde, em média, duas mulheres são assassinadas por mês pelos seus ex-maridos e ex-namorados”, afirmou.

“Estamos loucos? Estamos a matar mulheres porque há homens que acham que elas lhes pertencem?”, atirou o ator. “E esse problema também se aplica ao senhor Trump, ao senhor Putin, ao senhor Netanyahu — os homens com bolas grandes que dizem ‘o meu pénis é maior que o teu, portanto vou bombardear-te’. É uma porra de um comportamento masculino tóxico que está a criar milhares de mortos.”

“Temos de falar sobre isso”, sublinhou, referindo-se à masculinidade tóxica. “E acho que falamos mais agora porque estamos, felizmente, mais conscientes”, destacou. “Talvez há vinte anos ninguém falasse sobre o assunto — e isso é um problema.”

O ator espanhol tem tecido várias críticas a conflitos internacionais, nomeadamente à guerra em Gaza. Na conferência em Cannes, falou sobre a situação no território, dizendo que está a acontecer “um genocídio, é um facto. Pode-se lutar contra isso, pode-se tentar justificar, explicar. É um facto”, citou-o o Deadline. 

Em março, na cerimónia de entrega dos Óscares, usou um pin com as palavras “não à guerra”. Noutras entregas de prémios, como os Emmy, em 2025, usou o tradicional keffiyeh, lenço que simboliza a Palestina.

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