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O exército israelita anunciou esta segunda-feira ataques a alvos do movimento islamita Hezbollah em várias zonas do Líbano, incluindo o Vale do Bekaa (leste), enquanto os media locais deram conta de 15 mortos em ataques no sul do país.
De acordo com a agência de notícias estatal libanesa, NNA, os ataques israelitas no sul atingiram dois carros e uma mota perto da cidade de Jarmaq, especificamente em estradas que ligam a cidade a Kfar Remen e Jardali. Outras três pessoas morreram e várias ficaram feridas num ataque aéreo contra um edifício em Al-Doueir e durante a tarde quatro pessoas morreram e três ficaram feridas num ataque aéreo israelita ao cemitério de Kfar Remen, segundo a mesma fonte.
As forças israelitas, adianta, bombardearam Kfar, no distrito de Bint Yebeil, destruíram um edifício comercial na estrada Habush-Nabatiye tendo ainda realizado intensos bombardeamentos nas cidades de Frun, Hadatha, Tulén, Safad al-Batij, Al-Yamiya, Aita al-Jabal e Haris.
O porta-voz do exército israelita em árabe, Avichai Adrai, emitiu na manhã desta segunda-feira ordens de evacuação para dez cidades do sul do Líbano — Kfar Remen, Nabatiye al-Tahta, Al-Luiza, Sajd, Ain Qana, Haruf, Zibdin, Al-Doueir, Adshit al-Shaqif e Majdun — em antecipação de bombardeamentos contra alegados membros do movimento islamita Hezbollah, aliado do Irão.
“Considerando as violações do acordo de cessar-fogo por parte do grupo terrorista Hezbollah, o exército vê-se obrigado a agir com firmeza contra ele”, afirmou Adrai. “Qualquer pessoa próxima de elementos do Hezbollah, das suas instalações e equipamentos de combate está a colocar a sua vida em risco”, concluiu.
O exército reportou posteriormente uma onda de ataques aéreos contra alvos do Hezbollah em Tiro e noutras zonas do sul, em retaliação aos recentes ataques com drones realizados pela milícia xiita libanesa. As últimas hostilidades em grande escala eclodiram a 2 de março, quando o Hezbollah lançou rockets contra Israel em resposta ao assassinato do Líder Supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, na ofensiva lançada a 28 de fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos contra o país asiático.
As forças israelitas desencadearam desde então uma nova ofensiva em grande escala e uma invasão terrestre do Líbano, com quase 3.200 mortes, de acordo com as autoridades locais. As partes tinham acordado um cessar-fogo em novembro de 2024, após treze meses de combates que se seguiram aos ataques de 7 de outubro de 2023 do movimento pró-iraniano Hamas contra Israel.
Desde então, as duas partes têm continuado a trocar ataques e Israel manteve uma presença militar em vários locais, alegando estar a agir contra o Hezbollah, apesar de protestos do governo libanês contra estas ações. Também esta segunda-feira, as forças israelitas anunciaram ataques ao Vale do Bekaa (leste), uma das áreas menos afetadas desde o cessar-fogo entre Israel e a milícia xiita libanesa Hezbollah.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, respondeu a uma publicação no X da Presidência libanesa, afirmando que as “atividades” de Israel no sul do Líbano visam apenas proteger os seus cidadãos dos ataques do Hezbollah e desmantelar o reinado de terror do grupo na região.
UN Security Council Resolution 1701 stipulates that Hezbollah terrorists must not be present south of the Litani River – and it is the Lebanese government that is failing to implement this resolution.
Israel has no territorial ambitions in Lebanon. Israel has been systematically… https://t.co/jCZOJsfe9i
— Gideon Sa'ar | גדעון סער (@gidonsaar) May 25, 2026
“Este é o resultado do completo incumprimento dos compromissos do Governo libanês”, conclui a publicação de Saar. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou esta segunda-feira o aumento da intensidade da ofensiva militar no Líbano contra o grupo xiita Hezbollah, numa fase em que os Estados Unidos tentam concluir um acordo de paz entre os dois países.
“Não estamos a abrandar o ritmo. Pelo contrário, pedi aceleração”, declarou o chefe do Governo numa declaração em vídeo nas redes sociais, na qual acrescentou: “Intensificaremos os ataques, aumentaremos a sua potência e esmagaremos o Hezbollah”.
Antes, dois ministros de extrema-direita do Governo israelita defenderam a intensificação da guerra no Líbano, numa fase em que os Estados Unidos procuram finalizar um acordo de paz entre Israel e as autoridades de Beirute. Em comunicado, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, instou Benjamin Netanyahu a retomar “uma guerra em grande escala” contra o Líbano, além de cortar o fornecimento de eletricidade no país vizinho.
O ministro das Finanças, o ultrarradical nacionalista Bezalel Smotrich, outra figura de relevo da extrema-direita israelita, afirmou pelo seu lado que, por cada drone disparado pelo grupo xiita libanês Hezbollah contra Israel, “deverão cair dez edifícios em Beirute”.
Ministros radicais de Israel defendem intensificação da guerra no Libano