A residência de Castel Gandolfo foi palco de um encontro entre executivos da Ferrari e o Papa, na manhã de terça-feira. O destaque central da reunião foi Luce, um modelo pioneiro, comunicou a empresa na sua página oficial.
Durante a visita do presidente da Ferrari, John Elkann, o Leão XIV foi informado das características do primeiro carro totalmente elétrico da marca que tem cinco lugares, para atrair mais famílias. Com um preço a rondar os 550 mil euros, as primeiras entregas do automóvel estão previstas para outubro de 2026.
Pope Leo got behind the wheel of Ferrari’s first all-electric car at his residence in Castel Gandolfo near Rome https://t.co/J58YX9xR3u pic.twitter.com/oNxV3eseDC
— Reuters (@Reuters) May 28, 2026
Sentado ao volante do carro, o Papa ouviu as indicações do piloto Raffaele De Simone sobre os comandos do modelo. “Ao interruptor vermelho chamamos-lhe ‘manettino’, porque vem da experiência da Fórmula 1, onde o piloto pode alterar as definições”, explicou De Simone.
Os “manettinos” são incluídos em muitos modelos da Ferrari
John Elkann ofereceu ao Papa um volante do automóvel, referindo que foi uma honra encontrar-se com “Sua Santidade”. “Este foi um momento de extraordinário valor humano e simbólico, que inspira todas as pessoas da nossa empresa a continuarem o seu percurso com paixão, responsabilidade e confiança no futuro. Uma ocasião que ficará para sempre nas nossas memórias”, disse em comunicado de imprensa.
Ferrari mostra interior do Luce, o seu modelo eléctrico com mais de 1000 cv
No entanto, o simbolismo do encontro não foi suficiente para travar a onda de críticas que se tem espalhado nas redes sociais. A rejeição ao Luce centra-se no que muitos consideram ser a “morte da alma” da Ferrari. Para os puristas, a transição para o motor silencioso e a configuração de cinco lugares desvirtuam o propósito histórico da marca. A maior parte do descontentamento foca-se na parceria com Jony Ive; os críticos acusam o antigo designer da Apple de ter transformado um ícone da engenharia italiana num “gadget sobre rodas”, com um design excessivamente limpo e minimalista que carece da agressividade e da paixão visceral que definem o Cavallino Rampante.
Tecnicamente, a polémica estende-se ao sistema sonoro patenteado. Em vez de imitar o motor V12, a Ferrari criou uma assinatura sonora que amplifica os componentes eletrónicos, algo que foi apelidado pejorativamente nas redes sociais como “aspirador de luxo”. Este sentimento de alienação dos clientes tradicionais reflete-se na convicção de que o Luce é um produto feito para o marketing e não para a condução, sacrificando a exclusividade mecânica em prol de uma sustentabilidade que muitos colecionadores ainda veem com ceticismo.
Esta resistência emocional teve eco imediato nos mercados financeiros. Como noticiou a BBC, as ações da Ferrari caíram mais de 8% na bolsa de Milão logo na terça-feira, e mais de 5% em Nova Iorque. Analistas sugerem que o elevado preço de venda, num mercado elétrico cada vez mais competitivo, gera ceticismo entre os investidores quanto à viabilidade comercial do projeto, colocando em causa se a exclusividade do “Cavallino Rampante” será suficiente para sustentar esta nova era da construtora de Maranello.
Texto editado por Dulce Neto