Luís Montenegro, que este sábado será reeleito líder do PSD, defende que este “é o Governo mais reformista dos últimos 30 anos em Portugal”. O primeiro-ministro falava aos jornalistas minutos depois de votar na sede do partido em Espinho.
Várias vezes desafiado a dizer o que pensava sobre as declarações de Pedro Passos Coelho, Luís Montenegro foi ignorando as perguntas concretas. “O PSD está muitíssimo bem e recomenda-se”, começou por dizer.
A determinada altura, Montenegro foi confrontado com o facto de Pedro Passos Coelho não ir votar nestas eleições diretas. “Olhe, vou ter menos um voto. Mas é a vida”, atirou.
Num terceiro momento, Montenegro não deixou de enviar um recado ao antigo primeiro-ministro, remetendo-o para a categoria da espuma dos dias, “epifenómenos”. “O partido está coeso, focado e imperturbável face a ruídos menores”, cortou.
Hugo Soares desafia Passos a ir ao Congresso do PSD
Hugo Soares, secretário-geral, líder parlamentar e número dois de facto do PSD, desafiou Pedro Passos Coelho a ir ao Congresso do partido, que se realiza a 20 e 21 de junho, em Anadia.
“Eu talvez preferisse fazer no local próprio. No lugar de Pedro Passos Coelho, se fosse eu, se tivesse alguma coisa a dizer ao partido, fazia-o nesse momento”, atirou o social-democrata, no programa “Expresso da Meia-Noite”, na noite de sexta-feira.
Como explicava aqui o Observador, os homens de Montenegro não sabem o que move Passos; mas vão ganhando a crescente convicção de que o ex-presidente do PSD entrou num caminho sem retorno. Caminho que lhe custará a simpatia das bases e das elites do partido.
Até aqui, concordando-se ou não com as críticas de Pedro Passos Coelho — e há muita gente no próprio universo PSD a pensar que o Governo tem estado aquém das expectativas que criou —, os reparos incessantes do antigo primeiro-ministro podiam ser, pelo menos, relativizados pela direção do partido. Mas a partir do momento em que Passos caracteriza toda uma geração de governantes e dirigentes como gente ‘sem princípios e sem vergonha’, não há ‘paz podre’ que valha.