O Corpo de Intervenção da Unidade Especial de Polícia (UEP) da Polícia de Segurança Pública (PSP) deslocou-se para a Figueira da Foz no dia 30 de maio, onde acompanhou a Remigration Summit “para prevenção de qualquer ilícito”. O evento juntou na cidade algumas das principais figuras da extrema-direita europeia e internacional e, ao Observador, a PSP detalha que o reforço do Corpo de Intervenção da UEP encaminhou-se para a cidade, “mantendo-se de reserva”, não tendo sido ativado.

Também o efetivo do Comando Distrital de Coimbra da PSP acompanhou o evento que reuniu em Portugal pessoas como Gregory Bovino, que comandou a polícia de imigração norte-americana (ou ICE) até ao fim de janeiro; Martin Sellner, que popularizou o termo “remigração” (usado para justificar a expulsão de imigrantes), inspirou o atirador de Christchurch responsável pela morte de 51 pessoas em 2019 e reconheceu ligações a grupos neonazis na juventude; ou Dries Van Langenhove, condenado pela justiça belga por racismo e negacionismo do Holocausto.

O evento foi organizado por Afonso Gonçalves, líder do movimento político de extrema-direita Reconquista que está a ser investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Judiciária por suspeitas de crimes de ódio. Em várias ocasiões, foi detido e identificado pelas autoridades em ações junto de comunidades imigrantes em que promove mensagens de apologia ao ódio e xenófobas.

A segunda edição da Remigration Summit estava, segundo informação divulgada no site oficial, prevista para a cidade do Porto. Só poucas horas antes de o evento começar foi revelado nas redes sociais que o encontro teria lugar no hotel Salmanha Residence, na Figueira da Foz. À TVI, Afonso Gonçalves referiu que o dono do espaço recebeu várias ameaças de que lhe iriam vandalizar o espaço.

O Observador contactou o Salmanha Residence, que não quis prestar declarações. Contudo, “a PSP desconhece que tenham existido ocorrências do foro criminal ou contraordenacional”, indica fonte oficial ao Observador. No perfil do restaurante Quinta da Salmanha — que se situa no mesmo espaço do alojamento Salmanha Residence — no site de viagens TripAdvisor, as avaliações foram suspensas “devido a um evento recente que atraiu a atenção dos meios de comunicação social e provocou um aumento do envio de avaliações que não descrevem uma experiência direta”.

Apesar de ter sido um evento privado, à PSP coube “acompanhar a situação para prevenir alterações da ordem pública e o cometimento de quaisquer tipos de crime”.

No evento deste ano, não participou nenhum membro do Chega, ao contrário do que aconteceu em 2025 na cidade de Milão, em que marcou presença Pedro Pinto Faria, conselheiro nacional do partido. A ausência mereceu comentários de Afonso Gonçalves: “A organização convidou todos os partidos da Europa de matriz conservadora e aqueles que decidiram não vir — o caso mais proeminente talvez seja o Chega — terão de ser questionados naturalmente, eles e não nós, relativamente aos motivos dessa ausência”, afirmou à TVI.

A Remigration Summit foi anunciada como “o maior evento da direita internacional”, e o preço dos bilhetes variava entre 45 e 325 euros. Apesar de ter sido feita uma angariação de fundos para o evento, com a qual se pretendia atingir um valor de 15 mil euros, as doações não ultrapassaram os 3.400 euros.