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Quatro imigrantes foram queimados vivos dentro do carro em Itália

Um sobrevivente ao ataque contou que as vítimas eram forçadas a trabalhar na colheita de plantações, sem qualquer remuneração. Sob ameaças de armas e facas, apenas recebiam comida e alojamento.

Agricultores trabalham num campo recém-plantado com couves numa produção agrícola na zona da Lourinhã, 28 de outubro de 2021. O aumento do preço dos combustíveis tem influenciado negativamente toda a cadeia de produção agrícola nacional. (ACOMPANHA TEXTO DA LUSA DO DIA 07 DE NOVEMBRO DE 2021). TIAGO PETINGA/LUSA
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▲A exploração dos trabalhadores agrícolas, sobretudo de imigrantes, tem sido um fenómeno frequente no sul do país

TIAGO PETINGA/LUSA

▲A exploração dos trabalhadores agrícolas, sobretudo de imigrantes, tem sido um fenómeno frequente no sul do país

TIAGO PETINGA/LUSA

Três afegãos e um paquistanês foram queimados vivos dentro de um carro, num posto de combustível na Calábria, em Itália. Na sequência do ataque, captado por uma câmara de vigilância, dois cidadãos paquistaneses foram detidos sob a suspeita de homicídio qualificado, avançou a RAI.

Roberto Occhiuto, presidente da região da Calábria, partilhou o vídeo no Instagram, referindo que “há notícias que fazem vacilar a fé na humanidade”.

Os suspeitos terão despejado líquido inflamável na parte traseira do carro, enquanto este estava estacionado. De seguida, atearam-lhe fogo e bloquearam as portas para garantir que as vítimas não conseguiam sair. Momentos antes do incêndio, a Sky TG24 relatou que os dois suspeitos terão exigido dinheiro aos imigrantes, mas que estes se recusaram a dar-lho.

Inicialmente, estavam cinco vítimas dentro do carro. No entanto, o afegão Tay Mohammad conseguiu escapar pela mala, sofrendo apenas queimaduras nos braços. Numa entrevista à RAI, o sobrevivente afirmou que os suspeitos estavam ligados a uma máfia paquistanesa. Mohammad acrescentou ainda que os homens o levaram, juntamente com as vítimas, para plantações de morangos, onde os imigrantes eram frequentemente ameaçados com armas e obrigados a trabalhar sem remuneração.

A exploração dos trabalhadores agrícolas, sobretudo de imigrantes, segundo o sindicato CGIL Pollino Sibaritide Tirreno, tem sido um fenómeno frequente. Andrea Ferrone, secretário-geral da organização sindical, explicou à Affaritaliani que há dezenas de milhares de pessoas nesta situação. “Devemos manter a atenção voltada para o caso e continuar, com as ferramentas que temos, (…) a tentar construir uma rede que liberte os trabalhadores indefesos das garras dos bandidos”, referiu.

Francesco Savino, vice-presidente da conferência episcopal italiana, comovido com a situação, apelou à ação: “Basta de silêncio sujo de conveniências. É necessária uma mobilização civil que não pode ser um mero ritual, simples passerelles ou a emoção do momento que se apaga passados alguns dias”.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, tem abordado a questão da exploração através do aumento de inspeções em quintas e pela expansão dos canais legais de imigração. Até 2028, a Itália irá emitir 500.000 novos vistos de trabalho para cidadãos fora da União Europeia, noticiou a RAI em 2025.

Texto editado por Dulce Neto

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