O que começou como um insulto tornou-se, rapidamente, num movimento juvenil e num desafio para o governo de Narendra Modi. Conhecido por Cockroach [barata] Janta Party (CJP), o partido reuniu pela primeira vez centenas de manifestantes em Nova Deli no sábado, na esperança de que uma mobilização semelhante às que derrubaram governos nos países vizinhos, como o Nepal e o Sri Lanka, pudesse estar a ganhar força na Índia, noticiou uma reportagem do The Guardian.
“Os jovens daqui também já sofreram o suficiente”, afirmou Kriti, estudante universitária de 21 anos.
Grande parte da mobilização das “baratas” surgiu devido indignação causada pelo caos àquilo que muitos descrevem como a “indústria tóxica dos exames nacionais” na Índia, depois de o exame de admissão a Medicina ter sido novamente alvo de fugas de informação, levando à sua anulação e obrigando os estudantes a repetir a prova.
“As pessoas sacrificam-se por exames que acabam por ser adulterados e, no final, nem sequer há emprego para nós. É preciso reformar completamente o sistema educativo”, manifestou Ratna Singh, de 30 anos, ao jornal britânico.
Uma das principais exigências do protesto foi a demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan. Atualmente, as famílias gastam mais em explicações privadas do que o próprio orçamento de estado atribui para o ensino superior. Muitos pais contraem dívidas para garantir aos filhos vagas em cursos como Medicina e Engenharia ou empregos públicos bem remunerados.
“É muito triste ver o que aconteceu à educação neste país. Espero que este seja o início da resistência”, disse Mehima Fatima, estudante de 26 anos da Universidade de Nova Deli.
Com máscaras de barata, exemplares da Constituição indiana nas mãos e seguido por uma forte presença policial, os participantes procuraram apresentar a mobilização como um protesto pacífico contra o que consideram ser a falta de oportunidades para os jovens e a deterioração das instituições públicas.
“Transformámos a piada numa revolução. Os jovens deste país já não terão medo, vão lutar”, declarou Abhijeet Dipke, fundador do movimento, que chegou na manhã de sábado dos EUA, para liderar a manifestação. “Para o governo, podemos ser apenas insetos, mas estamos vivos e somos capazes de lutar pelos nossos direitos”.
O CJP tornou-se, para muitos jovens indianos, a expressão das suas crescentes frustrações com um sistema educativo em crise e um mercado de trabalho que tem falhado sistematicamente. Segundo um estudo mencionado pelo The Guardian, quase 40% dos licenciados indianos com menos de 25 anos estão desempregados.