A proibição do grupo ativista Palestine Action, decretada pelo Governo britânico em 2025, foi considerada legal pelo Tribunal da Relação de Londres. A decisão foi anunciada esta segunda-feira, refere a Reuters, e é fruto de um recurso interposto pelo Ministério britânico da Administração Interna à decisão do Tribunal Superior, tomada em fevereiro, que considerava a proibição ilegal.
“É um erro fundamental ignorar o facto de que o Palestine Action promoveu abertamente a violência ilegal, equivalente ao terrorismo“, afirmou a presidente do tribunal, Sue Carr, no texto da decisão. A juíza acrescentou ainda que o grupo não atuou da mesma forma que outros movimentos sociais, como as sufragistas, e que é uma “organização clandestina que evita a deteção e a ação penal daqueles que utilizam a violência para destruir propriedade e causar ferimentos”.
O coletivo de juízes, que reverteu a decisão do Tribunal Superior, afirmou que teve de “equilibrar os direitos de liberdade de expressão e de liberdade de reunião dos indivíduos face aos direitos de terceiros e à segurança nacional das comunidades do Reino Unido”. Defendeu também que o Ministério da Administração Interna “dispunha tanto da competência institucional como da responsabilidade democrática” para ilegalizar o grupo.
O Palestine Action anunciou que irá recorrer da decisão. Huda Ammori, cofundadora do grupo, afirmou na rede social X que vai avançar para o Supremo Tribunal de Justiça, ou até ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, “se for necessário”.
“É claro que não podemos confiar num sistema jurídico que tramou completamente o caso de Filton [acusação de vandalismo às instalações de uma empresa militar israelita] e, agora, a proibição da Palestine Action. Esta luta só pode ser ganha pelo povo”, garantiu.
I will appeal to the Supreme Court and take it up to the European Court of Human Rights, if needs be.
However, we clearly can not rely on the legal system which completely stitched up the Filton case, and now the Palestine Action ban.
This fight can only be won by the people.
— Huda Ammori (@HudaAmmori) June 15, 2026
Citada pela BBC, Ammori sublinhou que o grupo não vai parar a luta para “reverter um dos ataques mais extremos à liberdade de expressão e ao direito de protesto na história britânica moderna”.
A ministra britânica da Administração Interna, Shabana Mahmood, apoia a decisão do tribunal. Numa publicação na rede social X, a governante sublinhou que o grupo “levou a cabo atos de terrorismo” e que a ilegalização passou por um “processo rigoroso, apoiado pelo Parlamento”.
“[O tribunal] concluiu que as ações [do Palestine Action] não são consistentes com os valores democráticos e o Estado de Direito. Apoiar a causa palestiniana não é o mesmo que apoiar a Palestine Action“, afirmou.
The Court acknowledged that Palestine Action has carried out acts of terrorism. It concluded that its actions are not consistent with democratic values and the rule of law
Supporting the Palestinian cause is not the same as supporting Palestine Action.
The Government's… pic.twitter.com/LAsTR7VVDw
— Shabana Mahmood MP (@ShabanaMahmood) February 13, 2026
À porta do tribunal, um grupo de pessoas reuniu-se em apoio ao grupo, tendo 58 sido detidas pela Polícia Metropolitana de Londres, segundo a BBC.
O Palestine Action foi criado em 2020 e considerado como “organização terrorista”, pelo Governo britânico, em junho de 2025, após ativistas do grupo terem invadido a base militar de Brize Norton, em Oxfordshire, no Reino Unido, e danificado duas aeronaves.
A ilegalização originou protestos por todo o país e levou à detenção de mais de 2.700 pessoas, segundo a Reuters. Quem pertencer ou apoiar o Palestine Action pode ser punido com uma pena até 14 anos de prisão.
Em fevereiro, o Tribunal Superior de Londres considerou a proibição ilegal e a designação de “terrorista” como uma violação da liberdade de expressão, o que levou o Ministério da Administração Interna a recorrer da decisão.
No âmbito de outra ação judicial, quatro ativistas do Palestine Action foram condenados a penas entre quatro e sete anos de prisão pela invasão às instalações da empresa israelita Elbit Systems, por danos com “conexão terrorista”, segundo a decisão, referida pela BBC.
O grupo Palestine Action invadiu as instalações, em Bristol, em agosto de 2024, com o objetivo de destruir o que acreditavam ser meios de combate que seriam usados pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), na Faixa de Gaza. A Elbit Systems é uma empresa que produz equipamento militar para as IDF, como drones, que terão sido usados num ataque contra um comboio de ajuda humanitária em Gaza, segundo o jornal israelita Haaretz.