A proibição do grupo Palestine Action pelo governo britânico, que o tinha designado como organização terrorista, foi considerada ilegal pelo Tribunal Superior de Londres, que decidiu esta sexta-feira sobre um processo colocado pela fundadora Huda Ammori.
A juíza Victoria Sharp deixou fortes críticas ao funcionamento da Palestine Action no texto da decisão, tendo considerado que o grupo “promove a sua causa política através da criminalidade e da promoção da criminalidade”, referindo-se às medidas de “ação direta” levadas a cabo pela organização. Numa dessas ações, ativistas pró-Palestina entraram na base aérea RAF Brize Norton em junho de 2025, com o governo a avançar com a proibição em julho.
Agora, o tribunal considerou que a proibição pelo governo britânico foi “desproporcionada” e consistiu numa “interferência muito significativa” com a liberdade de expressão e liberdade de reunião. “Um número muito reduzido das atividades da Palestine Action constituiu atos de terrorismo, nos termos da definição da secção um da lei de 2000 [sobre terrorismo]”, ressalvou o tribunal, apontando que, para estes atos “a lei penal permanece disponível”.
Porém, “a natureza e a escala das atividades da Palestine Action que se enquadram na definição de terrorismo ainda não atingiram o nível, a escala e a persistência necessários para justificar a proibição”. Apesar do julgamento, a proibição da organização continua vigente, já que o governo britânico, nomeadamente a ministra da Administração Interna, Shabana Mahmood, decidiu recorrer da decisão.
Mahmood disse numa publicação na rede social X que estava “desiludida” com a conclusão da justiça e prometeu “lutar contra a decisão”. “Como ex-ministra da Justiça, tenho o mais profundo respeito pelo nosso sistema judicial. No entanto, os ministros da Administração Interna devem manter a capacidade de tomar medidas para proteger a nossa segurança nacional e garantir a segurança pública”, acrescentou.
The Court acknowledged that Palestine Action has carried out acts of terrorism. It concluded that its actions are not consistent with democratic values and the rule of law
Supporting the Palestinian cause is not the same as supporting Palestine Action.
The Government's… pic.twitter.com/LAsTR7VVDw
— Shabana Mahmood MP (@ShabanaMahmood) February 13, 2026
Mesmo com os efeitos da decisão judicial suspensos, a Polícia Metropolitana de Londres afirmou que iria parar de deter pessoas que demonstrassem apoio público ao grupo pró-Palestina, algo que tinha sido a política até agora.
Reconhecendo que estas eram “circunstâncias invulgares”, a polícia disse na rede social X que os “agentes continuarão a identificar infrações em que seja expresso apoio à Palestine Action, mas concentrar-se-ão em reunir provas dessas infrações e das pessoas envolvidas, a fim de proporcionar oportunidades para a aplicação da lei numa data posterior”.
“Esta é a abordagem mais adequada que podemos adotar, reconhecendo a decisão tomada pelo tribunal e, ao mesmo tempo, reconhecendo que o processo ainda não está totalmente concluído”, concluíram.
Our response to the High Court ruling on the proscription of Palestine Action: pic.twitter.com/lPKRLHSS9u
— Metropolitan Police (@metpoliceuk) February 13, 2026
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