Graças ao avançado Aymen Hussein, o Iraque voltou a marcar num Mundial ao fim de quatro décadas, acabando com a maior seca de golos de uma equipa na história da competição.
O jogador destacou à FIFA que está grato pelo golo, mas frisou que “marcar quando se perde não sabe da mesma maneira”. Ainda que tenha saído derrotado, já que a seleção perdeu por 4-1 frente à Noruega, o jogador deixou a sua marca. O cabeceamento de Hussein, aos 38 minutos, anulou o golo inaugural de Erling Haaland e deu aos adeptos do Iraque um momento para recordar. Este foi apenas o segundo golo de sempre do país em fases finais de um Mundial.
???????? GOAL HUSSEIN! IRAQ HAVE EQUALIZED VS NORWAY! THIS IS THEIR SECOND GOAL EVER IN WORLD CUP HISTORY! pic.twitter.com/ll33nJx1fk
— DD Geopolitics (@DD_Geopolitics) June 16, 2026
Segundo o treinador Graham Arnold, Hussein é um atleta difícil de controlar na grande área. “Estou muito feliz e orgulhoso dele”, referiu, citado pela BBC. Apesar de todo o louvor que Aymen recebeu, a sua vida poderia ter tomado um rumo completamente diferente.
Em 2008, quando tinha apenas 12 anos, o seu pai, um soldado do Exército iraquiano, foi assassinado pela al-Qaeda enquanto comprava materiais para construir a sua casa. Poucos anos depois, o seu irmão mais velho foi raptado e continua desaparecido. Hussein chegou a ponderar abandonar o futebol para sustentar a família, mas a mãe recusou e incentivou-o a perseguir o seu sonho.
A carreira de Aymen Hussein começou a ganhar asas em 2012, quando assinou pelo Dohuk por valores modestos — admitindo que estava “pronto para jogar de graça” só para poder partilhar o balneário com jogadores ilustres, de acordo com a Al Jazeera. Mais tarde, o seu sucesso nos principais clubes de Bagdade e no Qatar transformou-o, recentemente, no futebolista mais caro da história do Iraque, com um contrato avaliado em 1 milhão de dólares no Al-Karma.
Apesar de ter acumulado feitos heróicos, como os golos decisivos que apuraram o Iraque para os Jogos Olímpicos do Rio 2016 e de Paris 2024, ou o estatuto de melhor marcador na conquista da Taça do Golfo em 2023, o avançado confessa que carrega a memória da família para todo o lado. “Sempre desejei que o meu pai e o meu irmão estivessem vivos para ver o que conquistei e para partilharem comigo estes momentos de felicidade”, disse o jogador.
Já no Mundial, Aymen Hussein foi retido e interrogado durante cerca de sete horas pelas autoridades de imigração no Aeroporto O’Hare, em Chicago — até o seu telemóvel foi inspecionado, como relatou o The Guardian. Embora o avançado de 30 anos tenha recebido, mais tarde, autorização de entrada, o mesmo não aconteceu com o fotógrafo oficial da seleção, Talal Salah. O profissional foi interrogado durante mais de dez horas e não pôde entrar no país.
O Iraque prepara-se agora para jogar contra a França, no dia 22 de junho. Hussein prevê que seja um jogo difícil: “Mas continuamos com o objetivo de terminar nos três primeiros lugares. Jogos como este só nos tornam mais fortes”, explicou, estando apenas a um golo de ser o maior marcador de sempre do seu país em Mundiais.