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A partir de agora, a margem de erro é praticamente nula e todos os pontos contam. Turquia e Paraguai entraram no Campeonato do Mundo com o pé esquerdo, começando o grupo D na mó de baixo depois das derrotas frente a Austrália (0-2) e EUA (4-1), respetivamente. Desta forma, o novo duelo entre uma formação europeia e uma sul-americana tinha o condão de ser parcialmente decisivo, já que estrelas crescentes e guaranies queriam somar os primeiros pontos e manter-se na luta pelo apuramento para os 16 avos de final. Com um plantel repleto de grandes individualidades, a Turquia tinha o favoritismo do seu lado, mas a pressão pela vitória podia jogar contra a equipa treinada por Vincenzo Montella. Por outro lado, o Paraguai estava determinado em repetir a receita dos australianos, que se fecharam na defesa e aproveitaram as oportunidades que surgiram para serem felizes.

Kebab sem recheio leva pontapé de um canguru que não precisa de almofadas e lençóis para estragar a festa (a crónica do Austrália-Turquia)

“Críticas? Sinto-me turco. Na verdade, sinto-me mais turco do que muitas das pessoas que alimentam esse caos. Esta equipa conquistou excelentes resultados. Sentimos que merecemos mais respeito. Não há necessidade de estragar tudo simplesmente porque perdemos uma partida. Paraguai? Eles têm jogadores que são muito bons a marcar golos e que têm muita personalidade. Os seus avançados são excelentes. Temos um grande respeito por eles. Temos vindo a fazer algumas alterações e podemos continuar a fazê-las. Pode haver algumas alterações e essas serão feitas a nível tático, com base na estratégia para este jogo. O Paraguai é forte fisicamente. As suas emoções e personalidade destacam-se. Cada jogo é diferente. Temos, sem dúvida, de nos concentrar no adversário. Mas quero concentrar-me na minha própria equipa”, explicou Montella.

“Critiquem-me. Podem atacar-me, mas não a eles. Protejam-nos. Sabem porquê? Porque quando o Mundial acabar, eu já não estarei aqui, mas eles vão ficar. Eles vão continuar a representar o país. Por favor, ataquem-me. Ataquem-me. Vou manter a cabeça erguida e aguentar todos os vossos ataques. Mas só vos peço que defendam os jogadores, pois são o bem mais valioso que a seleção tem. Encerrei a etapa EUA no sábado e vocês estão a levar-me de volta a essa fase. Temos uma final contra a Turquia. Eles estão aqui, a representar sete milhões de pessoas. Por isso, gostaria de vos ver a defender esta camisola. Amanhã [sábado] é uma questão de orgulho. Confio plenamente nos jogadores que tenho, nas capacidades de que disponho e não tenho dúvidas de que vamos fazer um bom jogo. Espero que consigamos o resultado que todos estamos à espera”, revelou Gustavo Alfaro numa conferência de imprensa bastante quentinha.

A Turquia entrou em campo já com Kenan Yildiz, que recuperou totalmente dos problemas físicos e saltou para o lugar que foi de Baris Yilmaz na primeira jornada. Na defesa, Vincenzo Montella optou por colocar Mert Muldur no lado direito, em detrimento de Zeki Çelik, ao passo que Yunus Akgün entrou para o lado direito do ataque, com Arda Güler a passar para o meio e Orkun Kökçü a sair para o banco. Já o Paraguai apresentou duas novidades no seu onze, com Matías Galarza a entrar para o meio-campo, por troca com Damián Bobadilla, ao passo que Isidro Pitta, que passou pelo Alvarenga da distrital de Aveiro, juntou-se a Julio Enciso no ataque, de onde saiu Tonny Sanabria.

Como o pior ainda estava por vir, os guaranies entraram no jogo com tudo e chegaram ao golo logo a abrir, naquele que é o tento mais rápido deste Mundial (64 segundos): o Paraguai pressionou a saída turca, ganhou a bola, Andrés Cubas tocou para Enciso, este deixou para Matías Galarza que, à entrada da área, desferiu um remate de primeira, rasteiro, para o fundo da baliza de Ugurcan Çakir. Como seria de esperar, o golo precoce acabou por traduzir-se num domínio sem consequências da Turquia, que voltou a apresentar dificuldades em galgar blocos baixos e compactos, dado que o Paraguai baixou as linhas e entregou a bola ao adversário. A primeira resposta turca saiu de um livre de Hakan Çalhanoglu, que levantou para a área, onde Müldür ganhou nas alturas e cabeceou à barra, com a bola ainda a desviar no poste (35′). No contra-ataque, Juan José Cáceres entrou na área e atirou cruzado para defesa de Çakir (37′). Antes do intervalo, Miguel Almirón foi expulso ao abrigo da nova “lei Prestianni”, por ter colocado a mão à frente da boca enquanto falava para Müldür (45+3′).

Para a segunda parte, Yilmaz entrou para a frente de ataque, com Bobadilla a reforçar o meio-campo sul-americano. Logo a abrir, Merih Demiral tentou de longe, mas Orlando Gill defendeu (47′). O central voltou a desferir um remate de longe na ocasião seguinte, com Gill a defender a dois tempos (59′). Já com Deniz Gül e Can Uzun em campo, Julio Enciso apareceu com espaço no ataque e desferiu um remate de pé esquerdo que saiu para fora (60′). Na resposta, Yildiz cruzou para Gül, que cabeceou fraco em zona frontal para as mãos de Gill (62′). A última pausa para hidratação seguiu-se à entrada de Gustavo Velázquez e antecedeu a de Eren Elmali, e pouco mudou no jogo, já que Orlando Gill continuou a evidenciar-se para segurar o triunfo paraguaio. Já com Alexandro Maidana em campo, Uzun recebeu de Yildiz, mas o guarda-redes voltou a defender (82′).

Kökçü foi a última aposta de Montella e, numa jogada pela direita, o antigo médio do Benfica descobriu Yildiz solto na meia-direita, o extremo cruzou atrasado para o remate de Uzun, para mais uma defesa de Gill (89′). Na recarga, Gül atirou ao lado com a baliza aberta, mas em posição irregular. Alfaro esgotou as substituições com José María Canale e Gabriel Álvalos e, em nova bola bombeada para a área por Güler, Demiral ganhou a Gustavo Gómez, mas cabeceou ao lado (90+7′). Resta aos turcos cumprirem calendário na última jornada.

A estrela

  • Matías Galarza viveu uma noite de sonho em Santa Clara. A cumprir o seu primeiro jogo em Campeonatos do Mundo, o médio de 24 anos do Atlanta United só precisou de 64 segundos para deixar a sua marca e garantir o triunfo do Paraguai com um grande remate de fora da área, que chegou aos 115 km/h de velocidade. Para lá do golo, Galarza foi um importante elemento no meio-campo, estacando os ataques turcos ao fechar no lado esquerdo, junto do lateral.

O joker

  • Começa a tornar-se um hábito neste Mundial, mas eis mais uma exibição irrepreensível de um guarda-redes. A primeira parte até foi relativamente tranquila para Orlando Gill, que teve bem mais trabalho na etapa complementar, no período de maior fulgor ofensivo da Turquia. Quando a sua equipa precisou, o guarda-redes do San Lorenzo evidenciou-se, terminando o jogo com cinco defesas e um golo evitado (0,59).

A sentença

  • Com este resultado, a principal notícia é a surpreendente eliminação da Turquia ao cabo de duas jornadas. Os turcos seguem com zero pontos e já não vão sair do último lugar do grupo D. Por seu turno, o Paraguai igualou a Austrália com três pontos e só depende de si para terminar no segundo lugar, precisando de vencer os australianos na última jornada.

A mentira

  • É a mentira deste jogo e a grande desilusão do Campeonato do Mundo. A Turquia não está a conseguir aproveitar uma das suas maiores gerações e o trabalho de Vincenzo Montella está muito aquém do esperado. Os turcos levam 212 minutos sem marcar neste Mundial e, para já, só o Haiti também ainda não conseguiu marcar no final da segunda jornada da fase de grupos. No total, a equipa europeia leva 62 remates, tendo acertado na baliza apenas 13 vezes. Com a derrota diante do Paraguai, as estrelas crescentes voltaram a perder dois jogos oficiais consecutivos cinco anos depois do Euro-2020, prova em que perdeu todos os duelos da fase de grupos.