O antigo presidente do Governo espanhol, Felipe González, defendeu, esta terça-feira, que Pedro Sánchez deve assumir a “responsabilidade política” e convocar eleições legislativas na sequência da sentença que condenou José Luis Ábalos a mais de 24 anos de prisão.
Durante uma palestra com o presidente de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, González afirmou, citado pelo El Periódico, que Ábalos e Santos Cerdán foram “a mão direita, a esquerda ou as duas mãos” de Sánchez, sublinhando que ambos “foram nomeados por terem a sua confiança“. Para o antigo líder socialista, “há uma responsabilidade política evidente” no caso Koldo.
González defendeu, ainda, que a “liderança não mercenária [de Sánchez] consiste em assumir a responsabilidade política”, o que, acrescentou, se concretiza “de duas formas fundamentais: demitindo-se ou convocando eleições“.
Por seu turno, García-Page destacou que tanto Ábalos como Santos Cerdán são “o núcleo fundador desta fase” do partido e “os alicerces do edifício” construído no PSOE na última década, dirigido por Pedro Sánchez. Anunciou, ainda, que no Comité Federal marcado para sábado irá “pedir explicações”, afirmando que, enquanto militante socialista, quer “respostas e clareza”.
O ex-ministro dos Transportes Jose Luis Ábalos foi condenado por corrupção em contratos públicos para compra de máscaras na pandemia de Covid-19.
Ex-ministro e “braço direito” de Pedro Sánchez condenado a mais de 24 anos de prisão por corrupção
Além de Ábalos, que integrou os governos de Pedro Sánchez, foram julgados e condenados o antigo assessor do ex-ministro Koldo García (19 anos e oito meses de prisão) e o empresário Victor de Aldama, que colaborou com a justiça e confessou os crimes (quatro anos e meio de prisão suspensa). O Tribunal Supremo de Espanha deu como provados, entre outros, delitos na adjudicação de contratos para a compra de máscaras durante a pandemia de Covid-19 por empresas públicas ligadas ao Ministério dos Transportes, assim como uma “remuneração mensal de 10.000 euros” a Ábalos e o pagamento de alugueres de casas em troca de diversos favores, influências e adjudicações de contratos.
O primeiro-ministro e líder do PSOE reconheceu haver “indícios muito graves” de corrupção envolvendo antigos dirigentes socialistas, mas tem reiterado que o partido é “uma organização limpa”, não há suspeitas de financiamento ilegal e que “a corruptela é de uns poucos”.
Primeiro-ministro espanhol quer continuar a governar “apesar das pedras no caminho”
Sánchez vai ao parlamento nacional na quarta-feira, a seu pedido, para falar sobre “a situação política”. Esta terça-feira, disse que pretende continuar a governar “apesar de todas as dificuldades e pedras no caminho”.
“A quem se pergunta por que é este executivo quer continuar apesar de todas as dificuldades e das pedras no caminho, a resposta é esta, a resposta está aqui”, disse, depois de ter anunciado que o Conselho de Ministros aprovará esta terça-feira um decreto que destina 2.218 milhões de euros a políticas destinadas a pessoas com deficiência ou dependência.