Em março, nove manifestantes foram considerados culpados de vários crimes relacionados com um protesto realizado no Dia da Independência dos Estados Unidos, perto de um centro de detenção de imigrantes do ICE, em Alvarado, no Texas. Acusados de integrarem a Antifa, que o Presidente Donald Trump classificou como uma “organização terrorista”, oito dos nove arguidos foram condenados esta terça-feira a penas de prisão de 30 a 50 cada, por prestação de apoio material a atividades terroristas. Benjamin Song, que disparou contra um agente federal, recebeu uma pena de 100 anos.
Os manifestantes, segundo o The Guardian, pretendiam lançar fogo de artifício durante um protesto de solidariedade com os imigrantes detidos no centro do ICE. Alguns vandalizaram viaturas no parque de estacionamento e um posto de controlo, enquanto outros furaram os pneus de um veículo governamental e destruíram uma câmara de vigilância. No entanto, a situação agravou-se quando um agente que se deslocou ao local tirou uma arma. Nesse momento, um dos nove arguidos disparou uma espingarda AR-15 que tinha na mala, atingindo o polícia no ombro.
Considerado culpado de tentativa de homicídio de um agente federal, de crimes relacionados com armas de fogo e explosivos, bem como de participação em tumultos e de prestação de apoio material a atividades terroristas, Benjamin Song — o autor do disparo — foi condenado a 100 anos de prisão. Em comunicado, o homem alegou ter disparado contra o agente policial por acreditar que este se preparava para disparar sobre um manifestante.
Seis manifestantes foram condenados a 50 anos de prisão, após terem sido considerados culpados de tumulto, prestação de apoio material a terroristas e posse ilegal de explosivos, segundo o The New York Tomes. Já Maricela Rueda foi condenada a 70 anos de prisão pelos mesmos crimes, aos quais se somou a acusação de ocultação de documentos ou registos.
Mesmo não estando presente no protesto, o nono arguido, Daniel Sanchez-Estrada, foi condenado a 30 anos de prisão por ocultação de documento ou registo, depois dos procuradores terem alegado que escondeu revistas de esquerda e outros materiais a pedido da sua mulher, Rueda, depois da sua detenção.
Os procuradores, de acordo com o The Guardian, alegaram ainda que o ataque ao polícia foi premeditado e integrado numa conspiração levada a cabo por uma “célula antifascista do norte do Texas”. Embora a acusação não exigisse provar ligações a uma ideologia terrorista específica, o Departamento de Justiça apresentou as condenações como prova de que a Antifa constitui uma organização terrorista.
“O extremismo violento não tem lugar no nosso país”
Entretanto, a administração Trump elogiou as sentenças dos manifestantes. “As sentenças proferidas hoje deixam claro que os terroristas da Antifa que atacam polícias e instalações federais enfrentarão uma justiça rápida e implacável”, disse Todd Blanche, procurador-geral interino, em comunicado, citado pelo The Guardian. “O extremismo violento não tem lugar no nosso país, e o Departamento de Justiça continuará a investigar, a desarticular e a processar agressivamente aqueles que ameaçam a polícia ou minam o Estado de Direito”.
As penas aplicadas aos manifestantes ultrapassam as mais severas condenações relacionadas com o ataque ao Capitólio de 6 de janeiro de 2021. Benjamin Song foi condenado a 100 anos de prisão, enquanto Enrique Tarrio, líder dos Proud Boys, recebeu uma pena de 22 anos por conspiração sediciosa. Já Stewart Rhodes, fundador dos Oath Keepers, foi condenado a 18 anos de prisão.
“Na maioria das vezes, os juízes sentenciam os arguidos por diferentes acusações em simultâneo. Aqui, parece que o juiz acumulou as penas para cada acusação consecutivamente. Esperava penas longas, algo em torno de 15 a 25 anos, mas nada como 50 a 100 anos”, afirmou Barbara McQuade, uma ex-procuradora federal, citada pelo The Guardian.
Desde que este caso foi levado a tribunal, o Governo norte-americano tem instaurado uma série de processos semelhantes. No início deste mês, 15 manifestantes em Minneapolis foram acusados de conspiração criminosa por alegadamente obstruírem a atuação de agentes do ICE no exercício das suas funções.