Um cidadão norte-americano infetado com o vírus Ébola na República Democrática do Congo chegou à Alemanha para receber tratamento, confirmou esta segunda-feira o Ministério da Saúde alemão, citado pelo Der Spiegel.
O doente aterrou durante a noite em Frankfurt e foi transferido para o Hospital Universitário da cidade, poucas semanas depois de um primeiro cidadão dos Estados Unidos ter sido tratado com sucesso em Berlim pela mesma doença.
Ébola. Paciente norte-americano tratado na Alemanha e família tiveram alta hospitalar
De acordo com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, o paciente é um trabalhador humanitário que se encontrava em Bunia, capital da província de Ituri, no nordeste da RDCongo, onde está concentrado o atual surto.
A OMS informou que prestou acompanhamento clínico ao doente antes da transferência para a Alemanha, onde continuará a receber cuidados médicos.
Declarada há dois meses, em Ituri (nordeste), na fronteira com o Sudão do Sul e o Uganda, a epidemia do Ébola na RDCongo, que já causou oficialmente 702 mortos e 1.926 casos confirmados, segundo os últimos dados do Governo, estende-se agora a outras quatro províncias: Kivu do Norte, Kivu do Sul, Tshopo e Alto Uélé. Foram, também, registados 20 casos no país vizinho Uganda.
“Trata-se agora da terceira maior epidemia de Ébola de sempre e aquela que registou a progressão mais rápida num único mês de todas as epidemias de Ébola que já gerimos”, alertou Ihekweazu, responsável pelo programa da OMS de gestão de situações de emergência sanitária.
Aumenta para 702 mortos e para 1.926 casos confirmados de ébola na RDCongo
O surto corresponde à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50% e para a qual não existe vacina ou tratamento específico. A Organização Mundial da Saúde considera “alto” o risco de expansão na África subsariana e “baixo” a nível global. Fica apenas atrás do que assolou a África Ocidental entre 2014 e 2016, que causou cerca de 11 mil mortes e 28 mil casos, e de outro que afetou o leste do Congo entre 2018 e 2020 e que causou 2.299 mortes e 3.481 casos.
O vírus transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.