O adiamento do debate do Estado da Nação foi rejeitado pelo Presidente da Assembleia da República e também não tem o apoio das bancadas que podiam desbloquear o pedido da Iniciativa Liberal na reunião dos líderes parlamentares desta quarta-feira. Tanto o PS como o Chega mostram pouca vontade em mudar a data do debate, que está agendado para quinta-feira, para esperar pelo final da polémica classificação dos exames nacionais.

No Chega, André Ventura diz que “é ridículo” e “absurdo pedir o adiamento” do debate e defende que isso passa a “ideia de que não se quer trabalhar. É uma ideia que a Iniciativa Liberal está a cultivar”, acusou numa conferência de imprensa no Parlamento. Ventura insistiu que um adiamento, à espera dos resultados dos exames na sexta-feira, “passa uma terrível imagem” dos políticos: “Parece que estão sempre a arranjar desculpas para não trabalhar.” O líder do Chega revelou ainda que esta quarta-feira vai ser recebido pelo Presidente da República, após pedido do Chega, e o tema dos exames nacionais é um dos que pretende abordar na reunião.

Já entre socialistas, o adiamento é visto como “pouco ortodoxo”, segundo apurou o Observador, e o entendimento é de que o debate com o ministro da Educação sobre os exames pode ser feito a qualquer momento — prevendo-se que a polémica esteja para durar. Ainda assim, o grupo parlamentar do PS reserva a posição final para a reunião desta quarta-feira, onde a Iniciativa Liberal levará de novo o tema, à procura de consenso, para contornar a nega que teve do presidente da Assembleia da República.

O líder parlamentar da IL, Mário Amorim Lopes, tinha justificado o pedido inicial feito ao presidente da Assembleia da República com a realização do debate de urgência (marcado pelo PCP) com o ministro da Educação esta sexta-feira. “O debate do Estado da Nação, marcado para a véspera, quinta-feira, realizar-se-á antes de o processo estar concluído e, portanto, sem sabermos sequer se foi possível concluí-lo e sem termos apurado todos os incidentes”, referiu, defendendo o adiamento do Estado da Nação para a próxima semana.

O requerimento da IL teve resposta rápida do presidente da Assembleia da República que, esta quarta-feira, o recusou. O social-democrata Aguia-Branco disse não ser possível a alteração do calendário parlamentar que está já fixado até 15 de junho, tendo sido prolongado por maioria dos deputados até 24 de julho, mas estabelecendo que a última reunião plenária pode decorrer até 17 de julho. Uma alteração teria de ser votada por todos os deputados, exigindo um acordo entre as maiores forças políticas — e foi isso mesmo que, na sequência desta nega, a IL se propôs a procurar.

Ao Observador, Mário Amorim Lopes disse, esta manhã, que a intenção da IL é “perceber se há acolhimento” para a proposta de adiamento. Mas também disse que “não faz sentido estar a criar uma bravata para tentar forçar uma votação que depois não passa”, sendo certo que “se não houver entendimento maioritário, não é possível forçá-lo”, acrescentou. E horas antes da reunião dos líderes parlamentares, o entendimento parece mesmo estar longe de ser maioritário, pelo que o debate do Estado da Nação deverá mesmo manter-se na quinta-feira.