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A porta-voz da Missão Escola Pública, Cristina Mota, reagiu às declarações de Luís Montenegro sobre a “resistência” por parte de alguns professores no processo de correção digital das provas nacionais. “Não existe resistência. Existe exigência”, disse, admitindo que há falta de condições para a afixação dos resultados na sexta-feira, como previsto.

Ao Observador, a representante da Missão Escola Pública negou que a resistência dos professores esteja a prejudicar o processo das provas nacionais. “De forma alguma será a resistência ou as reservas que alguns professores possam ter relativamente ao processo de digitalização que possam estar a condicionar”, apontando que o que existe é “exigência por um processo de classificação fidedigno (…) que garante o rigor e o profissionalismo com que os professores desde sempre têm trabalhado”.

Cristina Mota destacou o esforço dos professores, que diz estarem à meia-noite “em frente ao computador a tentar aceder à plataforma”, e exigiu um pedido de desculpas do primeiro-ministro, deixando-lhe um conselho. “Montenegro deve um pedido de desculpas aos professores. A todos. (…) Deverá inclusive olhar para o passado, ver o seu antecessor, António Costa, relativamente ao discurso que tinha no que diz respeito aos professores (…) e ver o efeito que declarações do género tinham na diminuição da autoridade do papel do professor na sociedade”.

“Montenegro está exatamente a seguir os mesmos passos”, lançou ainda.

A porta-voz afirmou que a Missão Escola Pública não é contra a digitalização. “Gostávamos inclusivamente de ter mais recursos digitais, que diminuíssem as burocracias nas escolas. (…) O que entendemos é que este processo condiciona o rigor com que as classificações vão surgir“.

Considerando que questões do PRR ou políticas possam estar a interferir no rigor da avaliação externa, criticou a “resistência” do ministro da Educação em alargar o prazo de classificação dos exames. “Resistência é de Fernando Alexandre em admitir que temos de alargar os prazos (…) Se tiver que ser alargado para setembro, que assim seja”.

A Missão Escola Pública garantiu que existe informação “dada pelos agrupamentos de exames” de que o prazo de correção foi alargado até quinta-feira, “pelo menos para alguns professores”. No entanto, admite que a informação tem sido fornecida apenas por telefone, sem registos escritos.

Com alguns itens de classificação ainda em falta, Cristina Mota afirmou que o processo “não vai ficar concluído hoje” e duvida que haja condições para a afixação dos resultados na sexta-feira, como até ao momento garantido pelo Ministério da Educação.