O incêndio que deflagrou na quinta-feira na serra Norte de Guadalajara, em Espanha, já consumiu cerca de 18 mil hectares e apresenta um perímetro de 100 quilómetros, com as autoridades a classificarem a situação como de “risco extremo”. No terreno, mais de 300 operacionais e 26 meios aéreos trabalham no combate ao fogo.

De acordo com os últimos dados citados pelo La Tribuna de Guadalajara, o incêndio já obrigou à evacuação de 20 aldeias, ao confinamento de cinco e deixou cerca de 800 pessoas desalojadas. Os municípios mais recentemente isolados pelas chamas são Ujados, La Miñosa, Albendiego e Cañamares.

Citado pela agência EFE, o diretor técnico de Extinção de Incêndios, Gabriel García Marco, afirmou que estão a aumentar as condições de propagação do incêndio rural, continuando o fogo “fora de controlo”.

Perante a evolução, o dispositivo mobilizado para o combate está concentrado prioritariamente na defesa das povoações e no controlo das diferentes frentes ativas.

Já esta segunda-feira, o cenário meteorológico permanece muito idêntico ao de sábado no que toca ao vento, registando-se velocidades sustentadas entre os 20 e os 30 quilómetros por hora e rajadas que atingem os 40 a 50 quilómetros por hora — aliadas a uma humidade relativa bastante baixa e ao aumento das temperaturas. Para Daniel García, diretor técnico de combate a incêndios citado pelo jornal, a perspetiva é preocupante: “O pior é que esta situação vai manter-se ao longo dos próximos dias”.

Nesta segunda-feira, a situação permanece semelhante à de sábado em termos de vento, com velocidades sustentadas entre 20 e 30 quilómetros por hora, com rajadas de 40 a 50 quilómetros por hora, umidade relativa muito baixa e temperaturas em aumento. E, para o técnico, “o pior é que esta situação vai continuar nos próximos dias”.

Na tarde de domingo, as autoridades de proteção civil de Espanha determinaram o confinamento das populações de mais quatro localidades — Ujados, La Miñosa, Albendiego e Cañamares — devido ao rápido avanço das chamas.

O país tem vindo a registar, nos últimos anos, ondas de calor cada vez mais longas e frequentes, com temperaturas a ultrapassar largamente os 40 ºC, o que cria condições propícias a incêndios devastadores.

Já em França, um incêndio florestal no departamento de Var, no sudeste do país, consumiu cerca de 180 hectares e obrigou à retirada de pelo menos 120 pessoas, num contexto de alerta nacional para o risco de fogos.

Em comunicado, a Prefeitura de Var indicou que o fogo, iniciado na localidade de Taradeau, avançou rapidamente devido ao vento e à secura da vegetação, tendo alastrado também ao município de Les Arcs-sur-Argens, onde foram evacuados três bairros.

O combate ao fogo envolvia a meio da tarde 255 bombeiros, apoiados por 122 veículos e 11 meios aéreos, incluindo cinco aviões Canadair, quatro helicópteros de combate a incêndios e dois aviões DASH.

França tem sido afetada nas últimas semanas por vários incêndios florestais, depois de três ondas de calor, incluindo uma no final de junho considerada inédita pela intensidade. Foram também registadas grandes ocorrências em Perpignan e nos departamentos de Drôme e Indre.

*Notícia atualizada às 8h45 desta segunda-feira com mais informações