Sergio Furnari, um escultor italiano que vive em Nova Iorque, gastou cerca de 100 mil dólares (aproximadamente 88 mil euros) em materiais para criar uma estátua em tamanho real de Charlie Kirk, o ativista conservador norte-americano assassinado em setembro do ano passado. Perante a ausência de compradores, o artista acabou por lançar uma campanha de angariação de fundos online com o objetivo inicial de arrecadar 150 mil dólares (131 mil euros), embora ambicione uma quantia muito superior que lhe permita levar a escultura em digressão pelos Estados Unidos. Até quinta-feira da semana passada, tinha conseguido reunir apenas 1.400 dólares (cerca de 1.200 euros), avançou o The Guardian.

Nas redes sociais, Sergio Furnari tem partilhado vários vídeos ao lado da estátua de Charlie Kirk, uma peça com 1,93 metros, em vários locais de Nova Iorque. “Não é só sobre ódio, é sobre amor”, afirmou o escultor ao descrever a obra numa das publicações.

Em declarações ao The Guardian, Furnari justificou a criação da estátua como uma forma de celebrar os princípios da Primeira Emenda da Constituição norte-americana, relativa à liberdade de expressão. Ao longo da entrevista, porém, apresentou outras motivações para o projeto, afirmando também que pretendia apoiar a viúva de Charlie Kirk, Erika, e “glorificar a democracia”.

“Porque é que estou a fazer a estátua? Pela mesma razão que Michelangelo fez a Pietà ou o David, ou Leonardo da Vinci pintou a Mona Lisa. Porquê? Só para celebrar um momento, uma pessoa”, acrescentou.

“Eu não era fã do Charlie”

Apesar da homenagem, o artista reconheceu que discordava de Charlie Kirk em várias matérias. Referindo-se ao ativista conservador e influente figura do movimento MAGA, Furnari admitiu que nunca foi um admirador incondicional. “Eu não era fã do Charlie”, disse. “Uma coisa que não suportava nele enquanto era vivo era quando falava sobre a Palestina. ‘Oh, não, a Palestina não existe’. Eu pensava: ‘Bem, este tipo deve estar louco’.”

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Apesar de ninguém ter encomendado a estátua, o artista residente em Nova Iorque esperava lucrar com a obra. “Achei que isto iria ter repercussões no mundo inteiro, em qualquer pessoa, mas, ui, as pessoas são estranhas”, afirmou. “Quer dizer, ninguém está a oferecer apoio, especialmente financeiro. Gastei todo o meu dinheiro com isto“.

Furnari descreveu a situação como um “verdadeiro pesadelo” financeiro. O escultor revelou ainda que partiu o pé enquanto trabalhava na estátua de Kirk, após tropeçar num rolo de fita adesiva no seu estúdio. Ao mesmo tempo, diz estar a ser inundado por mensagens e comentários nas redes sociais de pessoas que afirmam querer urinar na escultura. “Estará amaldiçoada? Talvez. Não sei”, admitiu.

O mais recente plano de Furnari passa por expor a estátua em Times Square, um dos locais mais emblemáticos de Nova Iorque, a 10 de setembro, data que assinala o aniversário da morte de Kirk. Segundo o The Guardian, o escultor espera que a iniciativa desperte interesse pela obra e lhe permita recuperar, pelo menos, parte do investimento.

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