O primeiro-ministro francês anunciou esta quarta-feira que vários membros dos gabinetes ministeriais do seu executivo, assim como outros altos funcionários públicos, foram convidados a deixar os respetivos cargos após testarem positivo para o consumo de drogas.
Sébastien Lecornu revelou numa entrevista à Paris Match que vários testes antidrogas — realizados de surpresa em vários ministérios, ao longo das últimas semanas, por iniciativa do primeiro-ministro — regressaram positivos. Sem avançar números ou especificar nomes, o líder do governo francês assegurou que esses funcionários foram afastados dos respetivos postos de trabalho.
“Muitos dizem que fiz isto para dar o exemplo. É verdade. Mas, acima de tudo, fi-lo por causa da vulnerabilidade. Os membros dos gabinetes ministeriais e a maioria dos altos funcionários têm acesso a informação extremamente sensível. O consumo de drogas torna-os vulneráveis. E não se pode condenar os assassinatos de jovens de 16 anos em bairros pobres e tolerar, ao mesmo tempo, o consumo de drogas em bairros nobres“, justificou Lecornu. “Estas verificações vão continuar. Os testes são aleatórios e não tenho dúvidas de que os meus sucessores poderão ir ainda mais longe.”
O primeiro-ministro francês enviou a 16 de junho uma nota aos ministros do seu governo em que os exortava a organizar “rastreios não anunciados e obrigatórios, sob a forma de testes de saliva” nos respetivos gabinetes. Lecornu definiu que seriam sujeitos ao controlo todos os altos funcionários com acesso a “informações sensíveis” ou que tenham “autorizações especiais” do Estado, particularmente para os setores da defesa e da segurança.
O líder do governo francês defendia então ser “necessária a máxima vigilância”, porque “além do risco para a própria segurança e do impacto no serviço, [o consumo de drogas] constitui uma vulnerabilidade pessoal que pode ser explorada por grupos de pressão, redes criminosas ou táticas de interferência”, acrescentava.
Nessa altura, os ministros definiram uma lista de cargos “suscetíveis de ser sujeitos a testes regulares”, entre os quais também foram incluídos os próprios ministros e o primeiro-ministro, afirmou Lecornu à BFMTV. Vários testes antidrogas foram inclusivamente realizados no Palácio de Matignon, residência oficial do primeiro-ministro francês, no início de junho.
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