Jeff Bezos é o quarto homem mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em 256,9 mil milhões de dólares. É o fundador da Amazon, o dono do jornal Washington Post e também da empresa Blue Origin, uma empresa de tecnologia aeroespacial. Por tudo isto e mais alguma coisa, Jeff Bezos é o protagonista de qualquer frase em que seja incluído — principalmente quando essa frase também inclui um dos maiores clubes do mundo. 

Para explicar, porém, é preciso puxar a fita atrás. Na terça-feira, o Fenway Sports Group (FSG), o grupo norte-americano que é dono do Liverpool, confirmou que estava a conversar com um consórcio liderado por Amit Bhatia, o genro de Lakshmi Mittal, um magnata do aço na Índia. O objetivo das negociações prende-se com uma “participação minoritária estratégica” por parte do consórcio no clube inglês e as conversações já estão tão adiantadas que Bhatia, que também tem nacionalidade britânica, até se demitiu dos cargos de diretor e co-proprietário que tinha há 18 anos no Queens Park Rangers para não criar incompatibilidades.

Bezos abordado por consórcio para comprar parte do Liverpool

Na quarta-feira, porém, apareceu o nome de Jeff Bezos. De acordo com a Sky News, o consórcio de Amit Bhatia convidou oficialmente o empresário norte-americano para participar na proposta feita ao FSG — ou seja, para entrar na estrutura acionista do Liverpool, ainda que com uma posição minoritária. Nenhuma das partes confirmou o envolvimento de Bezos, mas a comunicação social britânica garante que o fundador da Amazon está mesmo a preparar-se para dar os primeiros passos no desporto, no futebol e na Premier League.

Jeff Bezos, que tem 62 anos, nunca investiu em desporto — ainda que já tenha estado muito perto em mais do que uma ocasião. Em 2023, o empresário foi ligado a uma tentativa de aquisição dos Washington Commanders, equipa de futebol americano da NFL, sendo que antes também já tinha explorado a possibilidade de comprar os Seattle Seahawks, equipa que venceu o Super Bowl em fevereiro. Bezos acabou por não apresentar uma proposta formal para adquirir qualquer uma das franquias, o que significa que o investimento no Liverpool seria mesmo uma absoluta estreia.

A confirmar-se, a verdade é que fica cada vez mais claro que o Liverpool está mesmo a aproximar-se de um fim de ciclo. Para além de Andoni Iraola estar ainda a dar os primeiros passos como treinador da equipa principal, substituindo Arne Slot depois do despedimento do neerlandês no fim da temporada passada, os reds vão atravessar uma fase de mudança na estrutura do futebol. Michael Edwards, o brutalmente influente diretor executivo para o futebol que foi um dos arquitetos do sucesso recente do Liverpool, anunciou há duas semanas que vai deixar o cargo, enquanto que Richard Hughes, o atual diretor desportivo, também tem sido associado a uma saída para o Al Hilal nos próximos meses.

Mais do que isso, fica a ideia de que o FSG está a preparar a própria saída. O grupo norte-americano comprou o Liverpool em 2010 por 300 milhões de libras e o jornal The Telegraph explica que atualmente, 16 anos depois, o clube inglês vale 15 vezes mais — numa operação que teria semelhanças com a que o grupo fez com os Pittsburgh Penguins, do hóquei no gelo, comprando em 2021 por 900 milhões de dólares para vender em 2025 por perto de dois mil milhões.

John W. Henry, o dono do FSG, deixou bem claro há cerca de três anos que a ideia não é ficar no Liverpool para sempre. “Vamos ficar em Inglaterra para sempre? Não. Vamos vender o Liverpool agora? Também não. Estamos a falar com investidores sobre o Liverpool? Sim. Vai acontecer alguma coisa? Acredito que sim, mas não será uma venda”, atirou o norte-americano, num discurso que na altura estava relacionado com a venda de uma pequena participação à também norte-americana Dynasty Equity.

De acordo com a Sky News, o consórcio de Amit Bhatia quer investir 1,58 mil milhões no Liverpool e ficar com cerca de 30% das ações do clube — uma posição minoritária, é certo, mas que é relevante e superior à que Jim Ratcliffe tem no Manchester United, por exemplo. A confirmar-se o envolvimento de Jeff Bezos, o empresário norte-americano ficaria com uma fatia substancial de um dos maiores do clube do mundo. O que pode naturalmente antecipar a possibilidade de, um dia e quando o FSG quiser, poder mesmo ser o dono do Liverpool.

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