O Estado registou um défice de 213 milhões de euros na primeira metade do ano, o que evidencia um decréscimo de 2.230,4 milhões de euros face ao período homólogo.
“O saldo global das Administrações Públicas, em termos homólogos, decresceu 2.230,4 milhões de euros, o que resultou do comportamento do saldo da Administração Central, com uma diminuição de 3.668,4 milhões de euros (-2.300,8 milhões de euros sem o efeito dos pagamentos para regularização de dívidas do SNS)”, lê-se na síntese de execução orçamental, divulgada esta sexta-feira pela Entidade Orçamental (antiga DGO — Direção-Geral do Orçamento).
Em junho, o Estado registou assim um défice de 213 milhões de euros.
De acordo com o documento, os restantes subsetores tiveram uma evolução positiva no período em análise, tendo em conta a melhoria nos saldos da Segurança Social (+1.015,5 milhões de euros), da Administração Local (+358,8 milhões de euros) e da Administração Regional (+63,6 milhões de euros).
Entre janeiro e junho, os saldos global e primário da Administração Central e da Segurança Social foram de, respetivamente, 1.147,8 milhões de euros e de 2.893,2 milhões de euros, o que corresponde a descidas, também respetivas de -2.652,8 milhões de euros e -2.216,3 milhões de euros.
Receita fiscal aumenta 1,9%
O Estado arrecadou 29.089 milhões de euros em impostos entre janeiro e junho, um aumento de 1,9% face a igual período de 2025.
“Em junho de 2026, a receita fiscal acumulada do subsetor Estado totalizou 29.089,3 milhões de euros, representando um acréscimo de 528,5 milhões de euros (1,9%) face ao período homólogo”, lê-se no documento da Entidade Orçamental.
Nos impostos diretos houve uma quebra de receita de 4% devido a uma diminuição da receita líquida do IRC — Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas em 16,7%, explicada por uma subida dos pagamentos de reembolsos em 135,2 milhões de euros.
No sentido inverso, a receita líquida do IRS — Imposto sobre o Rendimento de pessoas Singulares progrediu 3,1%, em comparação com o primeiro semestre de 2025, “apesar do aumento dos pagamentos de reembolsos/restituições em 214,4 milhões de euros (10,2%)”.
Pagamentos em atraso caem para 278,9 milhões
Os pagamentos em atraso das entidades públicas fixaram-se em 278,9 milhões de euros, menos 584 milhões de euros face ao mesmo período do ano passado.
“No final de junho, os pagamentos em atraso das entidades públicas ascenderam a 278,9 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 584 milhões de euros face ao período homólogo e 36,5 milhões de euros quando comparado com o mês anterior”, segundo o documento.
Para a evolução homóloga pesou a diminuição na área da saúde (-529,4 milhões de euros), na Administração Regional (-48,1 milhões de euros) e na Administração Local (-17 milhões de euros).
Já a variação mensal foi justificada, sobretudo, com as descidas na Administração Regional (-32,5 milhões de euros) e na área da saúde (-5,9 milhões de euros).