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O movimento de professores MetaProf apresentou uma queixa formal à Provedoria de Justiça contra o Ministério da Educação na sequência das falhas ao longo do processo de classificação digital dos exames nacionais.

Em comunicado, o movimento explica que “o que está em causa não são apenas falhas técnicas, mas a ausência de mecanismos que garantam a igualdade de tratamento e a responsabilização” no processo.

Pela primeira vez este ano, quase 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, mas o processo registou várias falhas técnicas, obrigando ao adiamento por alguns dias da divulgação das notas.

Na sequência dos problemas identificados — alguns ainda por resolver, com alunos que continuam sem acesso aos respetivos exames — o MetaProf recorreu à Provedora de Justiça para exigir respostas.

Numa queixa que visa o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), o Júri Nacional de Exames (JNE) e o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), os professores contestam a falta de informação prestada pela tutela.

Em concreto, referem um conjunto de perguntas remetidas ao EduQA a propósito do funcionamento da plataforma utilizada para classificar as provas e às quais nunca obtiveram resposta.

O movimento aponta ainda a “assimetria no direito de consulta de prova” entre os alunos do ensino secundário, aos quais foi dado o acesso à digitalização dos respetivos exames classificados, e os alunos do 3.º ciclo, sem essa opção.

Dirigindo-se à Provedoria de Justiça, o MetaProf questiona se essa assimetria viola o princípio da igualdade consagrado na Constituição da República Portuguesa e sugere que Luísa Neto pondere “suscitar a fiscalização da constitucionalidade da norma em causa”.

Os professores referem também a ausência de mecanismos de auditoria no processo de digitalização e classificação eletrónica dos exames, recordando casos de reatribuição de provas sem exclusividade e encerramento de sinalizações de erro sem registo de auditoria.

O movimento defende a criação de um mecanismo que seja acessível a professores classificadores, alunos e encarregados de educação, bem como a “adoção de comunicação institucional consistente sobre a natureza e a extensão das falhas identificadas”.

O ministro da Educação, que será esta segunda-feira novamente ouvido no parlamento pela Comissão Permanente, tem reconhecido os problemas, mas garante que nenhum aluno será prejudicado.

“Nunca nenhum aluno será prejudicado” na classificação dos exames nacionais, garante Fernando Alexandre no Parlamento

A tutela decidiu adiar a divulgação dos resultados da 1.ª fase para 17 de julho, mas as notas só foram afixadas nas escolas à noite e muitos alunos tiveram de esperar mais alguns dias para saber os resultados.

Também a 2.ª fase dos exames nacionais começou mais tarde, tendo decorrido entre 21 e 24 de julho.

Apesar destes atrasos, o Ministério manteve os calendários de candidatura da 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, que termina a 6 de agosto, e criou uma época especial de exames, que irá decorrer entre 3 e 8 de setembro.