A empresa portuguesa Tekever vai fornecer drones AR5 à Força Aérea Portuguesa (FAP) para serem usados em missões de vigilância, com estes sistemas a serem entregues em setembro.

Em comunicado, a tecnológica — que se tornou num player internacional avaliado em mais de mil milhões de euros na indústria dos sistemas autónomos — anunciou a assinatura de um contrato com a FAP, que “passará a dispor da capacidade autónoma do sistema AR5 para missões de vigilância”.

Tekever chegou a unicórnio a colocar drones nos céus

Este acordo, que prevê que seja a FAP a operar estes sistemas, inclui também “a formação dos operadores, bem como o fornecimento da estação de controlo terrestre (Ground Control Station) e do sistema de missão ATLAS.”

A Tekever tem-se notabilizado por produzir dois sistemas de drones: os AR3, melhor preparados para missões terrestres, sendo mais leves e manobráveis, e os AR5, talhados para missões marítimas, por serem mais robustos e voarem a maiores altitudes. São estes segundos que vão permitir à FAP “reforçar a sua autonomia operacional em missões de longo alcance”, constando entre estas “vigilância marítima, segurança e defesa, monitorização da Zona Económica Exclusiva (ZEE) e apoio a missões de interesse público”, o que inclui “o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), a segurança costeira e a proteção ambiental”.

A tecnológica, que fabrica estes sistemas a partir das Caldas da Rainha e de Ponte de Sôr, descreve o AR5 como um “sistema aéreo não tripulado de asa fixa, de média altitude e longa autonomia, concebido para missões de recolha de informação em grandes áreas”. Tendo uma autonomia de voo de até 20 horas e conseguindo transportar 50 kg de carga útil, este sistema “integra comunicações via satélite (SATCOM), permitindo operações para além da linha de vista rádio”.

O AR5 tem sido notícia ao valer à Tekever contratos com o exército britânico (no valor de 467 milhões de euros, ao longo de 10 anos) e com a Agência Europeia de Segurança Marítima (em 30 milhões de euros, por dois anos). Nem a extensão do contrato nem os valores pagos foram divulgados pela Tekever, que remeteu explicações para a Força Aérea Portuguesa.

A empresa, no entanto, detalhou que vai formar uma primeira vaga de militares da Força Aérea até setembro para que possam operar os sistemas assim que forem entregues. Depois, a partir de outubro, vai decorrer uma “segunda fase de formação”, o que permitirá a consolidação da “plena prontidão operacional e o desenvolvimento de novas competências das equipas de operação”.

Tekever AR3, o drone português que impressionou a Rússia e ajudou a sua fabricante a valer milhões

Além dos AR5, também os AR3 têm merecido destaque, em particular pelo seu papel de apoio às operações terrestres e marítimas da Ucrânia no decurso da sua guerra contra a Rússia. A 3 de agosto, foi noticiado que, pela primeira vez desde que há registo, um destes aparelhos foi intercetado pelo exército russo, que admitiu admiração quanto à sua qualidade.

Em entrevista à agência TASS, o comandante do batalhão russo responsável por capturar o AR3 afirmou que “foi desafiante” intercetá-lo com recurso aos seus próprios drones e que o engenho, tendo ficado pouco danificado, foi “transferido para um instituto de investigação, onde especialistas irão estudar o seu design, especificações técnicas e soluções de engenharia”.