Cidadãos de Ceuta tentaram expulsar os migrantes instalados na praia de El Trampolín na passada quarta-feira, 26 de agosto, no segundo dia consecutivo de protestos na cidade autónoma espanhola devido à entrada massiva de migrantes das últimas semanas. Milhares de pessoas marcharam pelas ruas de Ceuta, escreve o El País, mas ao anoitecer houve momentos de conflito com a polícia, que usou gás lacrimogéneo para impedir que os manifestantes chegassem à praia, onde milhares de migrantes estão acampados há quase um mês.

Terão sido milhares de moradores a regressarem às ruas da cidade na passada quarta-feira, depois de na terça-feira já se terem manifestado contra a atuação do Governo espanhol frente à entrada massiva de migrantes pela fronteira com o Marrocos.

O protesto começou em frente à Delegação do Governo em Ceuta ainda durante o dia, e seguiu em direção ao Parador Nacional, onde está hospedado desde terça-feira o ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, principal autoridade do comando único, criado para gerir a crise migratória.

O protesto acontece em oposição à decisão do recém-criado comando de usar uma das poucas instalações públicas, um centro desportivo, para abrigar migrantes.

“A violência não leva a lugar nenhum. Essa situação faz vir ao de cima o melhor e o pior das pessoas”, insistiu o ministro. “A violência não nos leva a lugar nenhum e atrasa a normalização da cidade”.

Os manifestantes pediam a “expulsão dos invasores” e a renúncia do delegado do Governo, Miguel Ángel Pérez, portando bandeiras de Espanha e t-shirts com frases como: “Ceuta não está à venda, Ceuta será defendida”. De acordo com o El País, terá sido a maior manifestação desde o início da crise, há quase um mês.

“Eles tomaram conta das praias, arruinaram os comércios e espalharam o medo pelos bairros. Agora dizem que também não poderemos praticar desporto, e ainda não sabemos se o ano letivo vai começar. Não é justo que eles tomem conta de uma cidade como esta; moramos em apenas quatro quarteirões”, disse ao jornal Jaime Barrios, funcionário público lotado em Ceuta.

Entretanto, já ao anoitecer, entre 200 e 300 manifestantes ter-se-ão deslocado para a praia de El Trampolín, avança o El Español, onde centenas de migrantes têm passado as noites e onde as equipas da Cruz Vermelha estão a fazer a distribuição diária de alimentos.

O protesto escalou, com os cidadãos de Ceuta a gritarem “invasores, fora!” ou “esta é a nossa praia”. Algumas pessoas terão mesmo tentado desmontar tendas que abrigavam os migrantes, jogando os seus pertences ao mar, descreve o jornal. Outras terão tentado atingir os migrantes com pedras – e estes terão ripostado, segundo a imprensa espanhola.

A polícia de choque interveio, usando gás lacrimogéneo para afastar os manifestantes da areia, enquanto os migrantes tentavam proteger-se acumulando-se no quebra-mar. Uma hora depois, os moradores ainda estavam nas ruas e haviam bloqueado algumas vias, repetindo cânticos contra Pedro Sánchez e exigindo a expulsão dos “invasores”.

De acordo com o El País, também os jornalistas que cobriam o protesto acabaram por ser alvos da fúria dos manifestantes. Mesmo assim, esta terá sido a primeira tentativa de agressão contra os migrantes desde a chegada em massa. Depois da entrada de 80 mil migrantes no final de julho, mais de 5 mil permanecem na cidade.