O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, vai defender esta quinta-feira, num discurso perante os eurodeputados, uma aproximação do seu país à União Europeia, num momento marcado por uma guerra comercial e diplomática com o vizinho Estados Unidos.
Carney assistiu na quarta-feira ao discurso da presidente da Comissão Europeia sobre o Estado da União, quando é feito o balanço anual de governação e apontado o roteiro político e económico para os meses seguintes.
Mark Carney vai defender a aproximação do Canadá à UE. Ursula von der Leyen durante o seu discurso sugeriu o país como “membro associado” da União Europeia e foi aplaudida de pé.
O seu país foi proposto formalmente como o primeiro “membro associado” da União Europeia, declaração que motivou uma ovação de pé por parte dos eurodeputados.
O aprofundamento da relação entre Otava e Bruxelas acontece no meio de uma guerra comercial com o Presidente dos EUA, Donald Trump, e visa conseguir um acordo que permita aos canadianos viver e trabalhar na Europa sem vistos.
Em troca, o Canadá quer investir na Europa e tentar contornar a dependência comercial em relação aos Estados Unidos, para onde se destinam cerca de 70% das suas exportações.
Mark Carney afastou qualquer objetivo de adesão à UE, dizendo que o Canadá, em vez disso, quer “uma aliança única” com o bloco.
As relações de Otava com Washington estão abaladas por tarifas, ameaças e ataques de Trump que já afirmou querer tornar o Canadá no 51.º Estado dos Estados Unidos.
O Canadá retaliou contra as tarifas dos EUA e rejeitou os termos que, segundo o primeiro-ministro, enfraqueceriam a sua soberania.
Já a Europa arquivou a retaliação e aceitou um acordo que deixa a maioria das exportações da UE para os Estados Unidos sujeitas a tarifas até 15%.
Durante o Fórum Económico Mundial de Davos, em janeiro, Carney instou as potências médias a unirem-se em vez de se curvarem perante as grandes potências.
Quando os países negoceiam sozinhos com uma potência hegemónica, disse, “negociamos a partir da fraqueza. Aceitamos o que é oferecido”, referiu na altura, sublinhando que isso “não é soberania”.
O Canadá e a UE já cooperam em matéria de comércio, defesa, energia, tecnologia e minerais críticos.
O comércio bilateral atingiu cerca de 127 mil milhões de euros em 2025, fazendo da UE o segundo maior parceiro comercial do Canadá.
O Parlamento Europeu já tinha anunciado, na segunda-feira, que vai abrir um escritório em Otava, o 10.º fora da UE, com um mandato regional que se estende ao Ártico.
“Numa altura em que o mundo se torna mais imprevisível, os parceiros com ideias semelhantes precisam de trabalhar ainda mais em conjunto”, afirmou a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, que tem agendada uma conferência de imprensa conjunta com Carney após o discurso do primeiro-ministro canadiano em Estrasburgo.