O secretário de Estado da Imigração afirmou esta terça-feira que o número de estrangeiros, anunciado pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), mostra o sucesso das políticas de entrada regular de imigrantes e que os dados existentes estão consolidados.

Em declarações à Lusa, Rui Armindo Freitas considerou que os números dos estrangeiros, que registaram um aumento de 38 mil entre 2024 e 2025, estão de acordo com as estimativas já divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e mostram “o resultado das políticas que foram inauguradas em 2024, que é uma estabilização dos números, uma passagem para as entradas por via regular, que era o que se desejava”.

“No fundo, falamos aqui dos resultados de uma política que tem vindo a ser seguida e que tinha um objetivo claro de ter os caminhos regulares, os caminhos para uma imigração com regras claras”.

“Já se nota claramente (…) uma inversão total” em relação a “uma política absolutamente descontrolada que vivemos até 2024”, acrescentou o governante.

De acordo com o “Relatório de Migrações e Asilo 2025”, que foi esta terça-feira divulgado pela AIMA, Portugal tinha no final de 2025 um total de 1.585.854 cidadãos estrangeiros a residir no país, mais 38 mil que no ano anterior.

No total, os estrangeiros correspondem a 13,9% dos 11.424.031 residentes em Portugal, contabilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) no final de dezembro de 2025, o mesmo momento referido no relatório divulgado nesta terça-feira.

O relatório “está em linha com os números que já foram apresentados pelo INE e, pela primeira vez, há essa concordância total” entre os números estimados e os registados, disse o secretário de Estado Adjunto da Presidência e Imigração.

“Estes números que a AIMA agora lança no seu relatório não são mais do que essa confirmação de um alinhamento total dos números das nossas instituições.

“Quem hoje continua a negar que esta é a realidade só o pode fazer ao sabor das suas vontades políticas, porque fica claro para todos exatamente qual é a realidade da imigração em Portugal, aquela que nós temos vindo a dizer”, acrescentou.

O país apresenta números muito diversos, com Odemira a ter pouco mais de metade da população estrangeira e o volume de cidadãos não nacionais pressiona muito alguns concelhos, nomeadamente na Grande Lisboa, Setúbal, Algarve e alguns municípios do Porto.

O Governo já tinha prometido apresentar até final do verão um plano de integração para responder a essa necessidade e Rui Armindo Freitas prometeu novidades “para breve”.

“No contexto da imigração, temos vindo a trabalhar cada vez mais no terreno, com uma rede cada vez mais ampla, com mediadores linguísticos e culturais nas escolas” e preparando os serviços educativos “para receber crianças de outras geografias de uma forma muito mais capaz do que era feito no passado”.

“Sobre isso, como foi dito, muito brevemente teremos mais novidades”, mas “há muitas medidas que já foram sendo tomadas e outras que foram sendo anunciadas”, acrescentou Rui Armindo Freitas.

Em relação ao facto de a população estrangeira se fazer sentir de modo diferenciado no território, o governante reconheceu que algumas “zonas foram mais fortemente pressionadas precisamente pelas atividades económicas” e pela oferta de emprego existente.

Agora, com os dados publicados, “fica tudo perfeitamente claro para todos”, para que se possa olhar para este fenómeno, disse.

No entanto, salientou que a presença de mais estrangeiros nalguns municípios se deve a razões económicas: “As atividades económicas serão sempre aquilo que vai determinar mais ou menos imigrantes em Portugal” e nunca houve uma proporção tão grande de cidadãos estrangeiros a trabalhar em Portugal.