A China alertou esta sexta-feira que o atual episódio de El Niño, de intensidade extrema, poderá aumentar o risco de grandes inundações em várias das principais bacias hidrográficas do país em 2027, agravando cheias provocadas pela acumulação de gelo.
Sun Chunpeng, subdiretor do Centro de Informação do Ministério dos Recursos Hídricos, afirmou que as bacias do rio Yangtzé, do lago Taihu e do rio Songhua apresentam riscos de inundações de grande dimensão no próximo ano, segundo a televisão estatal CCTV.
O especialista explicou que outras bacias hidrográficas poderão também registar cheias de intensidade variável, com episódios locais de precipitação extrema e inundações repentinas mais frequentes.
As previsões apontam ainda para um aumento do risco de transbordamento de lagos glaciares no planalto tibetano e nas regiões circundantes, enquanto algumas zonas do norte e noroeste da China poderão registar menos precipitação, temperaturas mais elevadas e secas.
Para este inverno, as autoridades estão particularmente atentas ao rio Amarelo, onde as oscilações de temperatura poderão favorecer a acumulação de blocos de gelo e a formação de barreiras que dificultem o escoamento da água.
Segundo Sun, alguns troços do rio, no norte do país, poderão registar episódios repetidos de formação e deslocação de gelo, com um congelamento mais tardio do que o habitual.
“As oscilações de temperatura facilitam a acumulação de gelo em troços estreitos, formando obstruções e barragens de gelo, o que poderá aumentar o risco de inundações”, explicou.
O especialista recordou que episódios anteriores do El Niño estiveram associados a grandes inundações na bacia do Yangtzé, nomeadamente em 1998 e 2016.
O atual fenómeno, formado em setembro e considerado em outubro o mais intenso desde que há registos, poderá afetar a China nos próximos meses.
O Ministério dos Recursos Hídricos indicou que começou a preparar medidas preventivas e vai reforçar a vigilância meteorológica e hidrológica para antecipar possíveis inundações e secas.
O alerta surge após um verão marcado na China por tufões, chuvas torrenciais e deslizamentos de terras que provocaram várias vítimas e obrigaram à realização de evacuações preventivas.