Os protestos estudantis intensificaram-se esta quinta-feira em França, com mais escolas afetadas e a expansão para as universidades, aumentando também a violência, o que levou a um total de 1.949 detenções, segundo o Ministério do Interior francês.

Ao todo, 1.027 instituições de ensino foram afetadas pelos incidentes, incluindo 222 bloqueios de acesso aos estabelecimentos, e 284 polícias e gendarmes (polícia militarizada) ficaram feridos, assim como 65 funcionários da educação e 170 alunos, de acordo com o Ministério da Educação francês.

O governo francês considera que os protestos já não têm qualquer relação “com a expressão legítima das reivindicações dos alunos do ensino secundário”, segundo realçou aos meios de comunicação social franceses fontes do Ministério do Interior, apontando os incidentes como “característicos de uma situação de violência urbana”.

O acentuado agravamento da mobilização, que começou há uma semana para denunciar a falta de professores e exigir melhores condições nas escolas, resultou em cenas de violência urbana em locais como Lyon, Lille e Pantin (nos arredores de Paris), com incidentes como a queima de contentores do lixo e confrontos com as forças de segurança.

Em Nantes, houve mesmo um incêndio numa das escolas afetadas.

Face ao alargamento dos protestos, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, convocou esta quinta-feira à tarde um gabinete de crise e pediu aos seus ministros que não viajem nos próximos dias, para que os autarcas (delegados do Governo) estejam disponíveis para gerir a situação em cada localidade.

Na sexta-feira, cerca de 400 escolas vão permanecer encerradas por precaução e as aulas serão lecionadas à distância, anunciou o ministro da Educação, Édouard Geffray, em entrevista à emissora France 2.

Geffray, que vai receber amanhã representantes de sindicatos de estudantes, pais, professores e outros membros da comunidade escolar, avaliou ainda que o “movimento mudou” nos últimos dias e que foi “feito refém por pequenos grupos ultraviolentos” que procuram destruir os serviços públicos.

A preocupação com os protestos transformou-se, nesta quinta-feira, numa troca de acusações políticas, quando o governo apontou o bloco de esquerda La France Insoumise (LFI, França Insubmissa, partido de Jean-Luc Mélenchon) e grupos ligados à ultraesquerda como os principais responsáveis pela mobilização.

Esta posição foi refutada tanto pelo partido de Mélenchon, que é candidato às eleições presidenciais de 2027, como pelo principal sindicato de estudantes, a Union Syndicale Lycéenne (USL).

Também esta quinta-feira, num evento no festival conhecido como Fête de l’Humanité (Festa da Humanidade), o líder de esquerda celebrou uma mobilização como não se via há quatro décadas e salientou que foram necessários vários dias de protestos para que o governo aceitasse receber os representantes dos estudantes.

No entanto, apelou também à “disciplina”, pois as imagens de contentores de lixo incendiados “apenas servem os interesses do adversário”.

A mobilização estudantil, que reivindica melhores condições educativas e o fim da eliminação das vagas universitárias ou dos cortes nas bolsas de estudo, começou na semana passada na região de Paris e tem vindo a espalhar-se por todo o país.

O governo anunciou a criação de uma plataforma de diálogo para debater estes problemas, mas os sindicatos de estudantes apelaram à continuidade dos bloqueios das instituições de ensino.

[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]