Seis dias depois de ter sobrevivido a duas doses letais de pentobarbital, Christa Pike fez uma “recuperação medicamente sem precedentes”. A reclusa norte-americana “contra todas as expectativas está consciente, a falar e continua a receber cuidados médicos críticos”, relataram os advogados de Pike esta terça-feira, num comunicado citado pela Associated Press. “A Christa é uma sobrevivente”, escreveram.

“Apesar dos danos severos que sofreu nos braços, ela ainda está algemada e presa à cama”, detalhou a equipa de defesa, que descrevera já que a Pike ficara com os braços queimados e com feridas. Este facto contrasta, relatam, com o cuidado das equipas médicas que levaram Pike do estabelecimento prisional até ao hospital e que cuidaram dela no hospital. “[Eles] trataram a Christa como humana e providenciaram-lhe cuidados excecionais”, escreveram.

Christa Pike sobrevive a duas doses letais. Governador do Tennessee ordena suspensão da pena de morte até ao fim do ano

O comunicado desta terça-feira é a primeira atualização positiva sobre o estado de saúde de Pike que, até aqui, se encontrava inconsciente nos cuidados intensivos. Apesar das melhorias, os advogados ressalvam que o “prognóstico se mantém incerto mas, no mínimo, [esperam] uma longa recuperação”. Joel Zivot, professor de anestesiologia e cirurgia que trabalhou com a equipa de defesa, detalhou que o desenvolvimento é “um bom sinal para uma boa recuperação”.

“Ela ainda está nos cuidados intensivos. Ela recuperou até certo ponto e já não precisa do ventilador e consegue falar, mas não estou a anunciar de maneira nenhuma que ela está livre de riscos. Ainda há muitas coisas más que podem acontecer, mesmo que toda a gente esteja a fazer o seu trabalho muito bem”, elaborou o especialista.

Christa Pike foi condenada à pena de morte por injeção letal, pena que devia ter sido executada na passada quarta-feira numa prisão em Nashville, depois de mais de 30 anos passados no corredor da morte no Tennessee, estado onde foi a única mulher a ser condenada à pena de morte em mais de 200 anos. A mulher norte-americana foi condenada em 1996 pelo homicídio, no ano anterior, de Colleen Summer, uma jovem de 19 anos. Pike e o namorado, Tadaryl Shipp, de 17 anos, torturaram e mataram Summer quando frequentavam juntos um programa de formação profissional. Por ser menor de idade, Shipp foi condenado a uma pena de prisão perpétua.

A equipa de advogados de Pike regressa a tribunal esta quarta-feira enquanto a justiça tenta apurar o que correu mal na administração da injeção letal. No comunicado, a defesa voltou a pedir ao governador do Tennessee para rever a pena de Pike para uma pena de prisão perpétua. O pedido tem vindo a ser repetido ao longo dos anos, tendo por base o argumento de que os tribunais não consideraram os abusos sexuais de que Pike foi vítima durante a infância e que poderiam servir como atenuantes.

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