Francelina Chambel, uma das primeiras cinco mulheres eleitas presidentes de câmara em Portugal, vai ser homenageada em novembro, no Sardoal, no ano em que se assinalam os 50 anos das primeiras eleições autárquicas democráticas.

A homenagem à antiga presidente da Câmara do Sardoal, de 92 anos, realiza-se no dia 8 de novembro, num almoço que deverá reunir entre 150 e 200 pessoas, incluindo antigos autarcas, personalidades políticas, familiares e habitantes do concelho.

Promovida pelos empresários locais Francisco Assis Batista, conhecido por Zito, e Elisabeth Areias, a iniciativa pretende reconhecer o percurso pessoal e autárquico de Francelina Chambel, que presidiu àquele município do distrito de Santarém entre 1977 e 1993, após cinco vitórias eleitorais consecutivas.

“Foi para juntar as duas coisas”, disse esta segunda-feira à Lusa Francisco Batista, explicando que a homenagem resulta do reconhecimento pelo trabalho da antiga autarca e da passagem dos 50 anos das primeiras autárquicas, realizadas em 12 de dezembro de 1976.

Segundo o empresário, de 65 anos, a idade da homenageada também pesou na decisão de avançar este ano com a iniciativa, para que o reconhecimento seja feito em vida e com a presença da antiga presidente.

Francelina Chambel, que deverá estar acompanhada por familiares e intervir durante o almoço, recebeu com satisfação a notícia da homenagem, acrescentou o organizador, que espera reunir antigos presidentes de câmara e de junta, membros de assembleias municipais e antigos governadores civis, entre outros.

“Vai estar gente ligada a todas as áreas políticas”, afirmou, sublinhando que a antiga autarca mantinha boas relações com representantes de diferentes sensibilidades partidárias.

Natural de Miranda do Corvo, Maria Francelina dos Santos Chambel chegou à presidência da Câmara do Sardoal aos 42 anos, eleita como independente nas listas do Partido Socialista, ao qual viria a aderir anos mais tarde, por influência de Mário Soares.

Foi uma das cinco mulheres que, em dezembro de 1976, chegaram à liderança de municípios portugueses nas primeiras autárquicas após o 25 de Abril, numa época em que a participação feminina nos principais cargos políticos era reduzida.

Ao recordar os mandatos da antiga presidente, Batista destacou intervenções nas infraestruturas básicas, nomeadamente no saneamento, eletrificação de aldeias, construção de equipamentos escolares, desportivos e habitação social.

“O Sardoal não tinha saneamento básico. Foi uma das coisas principais para o nosso concelho”, afirmou, recordando também a construção da escola secundária, da piscina, de instalações desportivas e de habitações sociais.

O empresário salientou que grande parte das intervenções ocorreu numa época de escassez de recursos financeiros e humanos, antes dos fundos comunitários, quando muitos trabalhos eram realizados por administração direta da autarquia.

Sobre a condição de mulher num meio político maioritariamente masculino, descreveu Francelina Chambel como uma autarca determinada, que não se deixava intimidar e assumia pessoalmente a resolução dos problemas do município.

“Ela dava tudo pelo concelho“, afirmou, acrescentando que, perante a falta de técnicos e funcionários, a presidente assumia frequentemente tarefas hoje distribuídas por diferentes serviços municipais.

Segundo Batista, que mantém uma relação de amizade com a antiga autarca e a sua família há várias décadas, a homenagem pretende ultrapassar diferenças partidárias e reconhecer o seu contributo para a transformação do Sardoal.

Francelina Chambel foi distinguida com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique pelo então Presidente da República Jorge Sampaio.

O almoço realiza-se no restaurante 3 Naus, estando as inscrições abertas até 5 de novembro.