Mário Centeno critica as descidas no IRS que o Governo está a pretender realizar. “Estas reduções de impostos não são justificadas. Faz sentido reduzir os impostos a quem ganha mais do que dez mil euros por mês? É que a grande parte da despesa fiscal que está a ser aprovada no Parlamento favorece essas pessoas”, declara em entrevista à TSF e JN o ex-ministro das Finanças, voltando a criticar o atual titular dessa pasta e o atual primeiro-ministro.
“São essas as pessoas com poucos recursos que o senhor primeiro-ministro disse que tinha de ajudar porque há uma crise? Não fui eu que a anunciei, foi o senhor primeiro-ministro. Não era tempo de aventuras, não é? Mas ele não foi consequente com isso, não explicou”, acrescenta.
Dizendo que não criticou as propostas do PS sobre baixar o IVA dos combustíveis e dos bens essenciais, Mário Centeno, em mais uma entrevista concedida nos últimos tempos (no âmbito do lançamento do livro “Contas Certas”), declara que considera, no entanto, haver alternativas, nomeadamente, o abono de família. “É uma medida muito progressiva, no sentido de que ajuda mais as famílias com menos recursos do que as famílias com mais recursos”. E acrescenta: “reduzir o IRS é um ato totalmente falhado”.
Na entrevista volta a colocar a tónica na despesa pública: “Quando olhamos para as contas públicas, há uma dimensão que deve merecer logo de imediato a nossa atenção, que é a despesa”. E volta a dizer que “a despesa pública está a crescer a ritmos que não são sustentáveis”. “É difícil encontrar no passado períodos tão positivos para a economia portuguesa desse ponto de vista, mas isso não diminui as nossas responsabilidades face à despesa, antes pelo contrário, aumenta”.
Segundo contas dadas por Centeno, em 2026, há um desvio de 6,2 mil milhões de euros na despesa, “um erro de 5% de subestimação face a um ano da despesa do Estado. E isto é muito preocupante”.
O ex-ministro das Finanças diz ainda que “aqui não se trata de diabo, isto são erros puros e simples. São erros de condução de política. Não há diabo aqui. É apenas incompetência, de certa maneira, na forma como os orçamentos são colocados e depois na sua execução.”
Miranda Sarmento tem contestado estas críticas, dizendo que a despesa está controlada.
De novo questionado sobre se voltará à política declara que não é provável nem fácil, mas o nunca não faz parte do seu vocabulário. Para já o ex-governador do Banco de Portugal entrou na administração da seguradora do Abanca.