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Está oficialmente aberta a época dos grandes festivais de música com mais uma edição do Primavera Sound no Parque da Cidade do Porto. O evento arranca esta quinta-feira, 12 de junho, e prolonga-se até domingo, dia 15 — é uma das novidades deste ano, um dia extra de quatro DJ sets no parque que permitem uma despedida mais tranquila do festival.
Durante os três principais dias, as portas abrem às 15h30, sendo que no domingo pode-se ocupar os relvados a partir das 14 horas. Ainda há bilhetes à venda. Os ingressos diários custam 75€ para os primeiros três dias e, no domingo, o preço desce para os 40€. Já os passes gerais ficam por 190€, enquanto os pacotes VIP chegam aos 285€. Como já parece tradição, é possível que chova durante o festival, sobretudo entre quinta e sexta-feira.
Em relação ao cartaz, o Primavera Sound continua a afirmar-se como um festival eclético, atento a diferentes géneros e sensibilidades, focado nas tendências globais da música e nos novos fenómenos populares. A programação aposta na pop do séxulo XXI de Charli xcx ou Central Cee, no novo rock de estádio dos Fontaines D.C., no hardcore contemporâneo dos Turnstile, na abordagem fresca à música popular brasileira de Liniker ou em nomes mais consagrados de diferentes campos, como os Deftones, Caribou ou Jamie xx. Eis um possível roteiro para os quatro dias de Primavera Sound.
Quinta-feira, 12 de junho
Fontaines D.C.
Palco Porto, 20h50
Têm sido encarados como uma das grandes esperanças da música rock dos últimos anos e é com esse estatuto cada vez mais reforçado que chegam ao Porto. Desde que se estrearam em 2019 com o álbum Dogrel, os irlandeses Fontaines D.C. lançaram mais três discos, um EP e um concerto ao vivo. Prolíficos e com coisas para dizer, num curto espaço de tempo transitaram também de banda underground de energia visceral com raízes punk para um grupo que compõe hinos de estádio, uma faceta que se tornou mais evidente com Romance, o mais recente álbum, editado em 2024. São certamente um dos grandes destaques deste Primavera Sound.
Charli xcx
Palco Porto, 23h55
Um ano após o “Brat Summer”, tendência verde néon em torno do álbum BRAT de Charli xcx, a cantora britânica estreia-se em Portugal enquanto cabeça de cartaz do primeiro dia de Primavera Sound. Embora a artista já tenha uma discografia considerável e esteja a caminho dos 20 anos de carreira, nunca havia tido o destaque que conseguiu com BRAT, que a catapultou de uma identidade underground para a linha da frente da pop global, que fez com que o título do seu disco — que significa algo como “fedelho”, uma postura inconformada e desafiadora perante a vida — fosse considerada a palavra do ano pelo dicionário Collins. É uma pop livre e dançável que vai beber à eletrónica dos anos 90 e ao espírito das raves. Sendo assim, espera-se uma verdadeira festa no Parque da Cidade, naquele que é indubitavelmente um dos concertos mais relevantes desta edição do festival.
Caribou
Palco Vodafone, 1h20
Com uma vasta discografia desde o início do milénio — ainda maior tendo em conta que também assina projetos com os pseudónimos artísticos Daphni e Manitoba — Caribou é um produtor canadiano radicado em Londres que cruza as texturas da música eletrónica e as influências do clubbing com elementos pop, indie ou folk, por vezes enveredando por caminhos mais psicadélicos. O seu novo álbum, Honey, editado no ano passado, é o pretexto para esta atuação no Porto — o objetivo com o disco, como descreveu numa entrevista, foi criar “enormes faixas para a pista de dança”. Parece-nos um bom aperitivo para (re)descobrir a performance desta referência maior dos produtores de quarto.
13 de junho
A garota não
Palco Revolut, 17h40
Se um concerto de A garota não seria sempre uma experiência recomendável, ainda mais quando lançou tão recentemente o seu novo álbum, Ferry Gold, que a própria detalhou, nas suas palavras, numa entrevista ao Observador. A herança da canção de intervenção e a indie pop contemporânea dão corpo a uma série de temas construídos a partir de contributos externos. Cátia Mazari Oliveira foi beber a poemas de Florbela Espanca ou Mariana Angélica de Andrade, ao rap de Xullaji e Allen Halloween, a textos de João Quadros e Márcia, à dramaturgia de Federico García Lorca. O resultado é um longo disco que integra crítica social (com a própria Ferry Gold à cabeça), inquietações introspetivas, histórias universais que se ligam com o nosso tempo. E como é nos palcos que a música de A garota não se adensa e ganha outra força (que força é essa?), nada melhor do que começar este dia de Primavera Sound a ouvi-la.
TV On The Radio
Palco Vodafone, 19h40
Referência do indie e art rock norte-americano dos anos 2000, os TV On The Radio fazem uma aparição relevante neste Primavera Sound. Afinal, desde 2014 que não lançam um disco e reuniram-se para esta digressão internacional para celebrar o 20.º aniversário do seu álbum de estreia, Desperate Youth, Blood Thirsty Babes (2004), que foi reeditado e está a ser comemorado nos palcos. A nostalgia do indie rock de há 20 anos embrulhada na experiência e maturidade de uma banda com alma e traquejo.
Liniker
Palco Revolut, 22h05
Poucos dias após se ter apresentado no Coala Festival, em Cascais, e de ter anunciado datas em nome próprio em Lisboa e Porto no último trimestre do ano, Liniker ruma ao Parque da Cidade para mais uma festança em torno de Caju, o seu segundo álbum a solo, editado em 2024. Artista transgénero com uma performance vibrante, cruza esses traços identitários e de contemporaneidade com a tradição da música popular brasileira e dos géneros afro-americanos como a soul e o R&B. Acompanhada de uma virtuosa banda em palco, Liniker é um autêntico tornado que promete não deixar ninguém indiferente.
Central Cee
Palco Porto, 23h15
É outra estreia importante deste Primavera Sound. Central Cee é o atual menino de ouro do rap britânico, tendo ultrapassado as habituais difíceis fronteiras para se afirmar como uma estrela global — foi o primeiro rapper inglês a alcançar um lugar no top 10 da Billboard nos Estados Unidos da América. Tornou-se conhecido nos últimos anos por cruzar o drill com uma abordagem pop, mais apelativa ao público em geral. Após duas mixtapes e uma mão cheia de EPs, lançou este ano o seu álbum de estreia, Can’t Rush Greatness, que se tem revelado um estrondoso sucesso.
Deftones
Palco Vodafone, 0h40
Vai ter de tomar opções para terminar a noite desta sexta-feira, mas como há duas alternativas bem distintas, o melhor é deixarmos à consideração do leitor-festivaleiro. Por um lado, apresentam-se no Parque da Cidade os Deftones, banda emblemática dos anos 90 e 2000 que marcaram uma era no campo da música pesada e do metal alternativo. A caminho do décimo álbum, já anunciado e que não deverá tardar a chegar, talvez o grupo possa levantar o véu sobre o novo trabalho ao revelarem alguma coisa nova aos fãs. Por outro lado, talvez os seus devotos seguidores estejam mais interessados em escutar clássicos como Change (In The House of Flies), Sextape ou My Own Summer (Shove It), garantidos no alinhamento.
Denzel Curry
Palco Revolut, 0h40
A outra opção é assistir à performance de Denzel Curry, que se estreia no Porto. O rapper norte-americano de 30 anos já teve uma passagem por Portugal em 2016, quando se apresentou no reduto underground lisboeta do Musicbox, mas a sua carreira teve uma ascensão que o leva agora a apresentar-se num palco grande de um dos principais festivais portugueses. Enérgico e vibrante, Denzel Curry tem o ADN agitado do sul dos EUA mas também vai beber a referências punk e até metal que o tornam num artista complexo e distinto, com um rap possante e noisy que promete agradar a bem mais do que ao público convencional do hip hop. Na bagagem traz o álbum King of the Mischievous South Vol. 2, editado o ano passado, mas também muitos dos grandes temas do seu percurso, que nunca foram apresentados em Portugal por serem pós-2016.
14 de junho
Parcels
Palco Vodafone, 19h10
Ao vivo, os Parcels são sinónimo de festa. Os cinco australianos têm sido frequentes em Portugal ao longo dos últimos anos e não é por acaso. Juntam o virtuosismo nos seus instrumentos à capacidade de proporcionar uma atuação funky cheia de grooves. A sua música retro com uma aura pop, inspirada pela eletrónica francesa e pela disco norte-americana, é certamente dançável e promete agitar o Primavera Sound neste final de tarde. Além do mais, é a sua estreia no Porto — a norte, só passaram por Paredes de Coura. A caminho têm o terceiro álbum de originais, Loved, previsto para o mês de setembro e do qual talvez possam revelar alguma coisa em palco.
Wet Leg
Palco Porto, 21h
Depois de passarem duas vezes por Lisboa, as britânicas Wet Leg estreiam-se no Porto nesta edição de 2025 do Primavera Sound. Eletrizante, a música das amigas de infância Rhian Teasdale e Hester Chambers (que, ao vivo, inclui outros instrumentistas em palco) tem raízes punk e as guitarras como grande protagonistas, mas levam a sonoridade para ambiências mais indie e por vezes até pop. O seu segundo álbum, Moisturizer, chega daqui a um mês, a 11 de julho, pelo que esta poderá ser uma boa oportunidade para antecipar o que aí vem.
HAIM
Palco Vodafone, 22h05
Por falar em bandas de amigas com um novo álbum a caminho, as HAIM também encaixam perfeitamente neste perfil. Mais do que irmãs de armas, são irmãs de sangue: Este, Alana e Danielle Haim compõem este trio familiar de pop rock que está prestes a lançar o seu quarto álbum. I Quit chega a 20 de junho, por isso é certo que haverá canções frescas para apresentar no Primavera Sound, aonde as irmãs californianas regressam 11 anos depois — um sítio onde já foram felizes, naquela que foi a sua estreia em Portugal.
Jamie xx
Palco Porto, 23h45
A solo ou em grupo, o britânico Jamie xx já é um velho conhecido do público português, tendo atuado frequentemente por cá ao longo dos últimos 15 anos. Agora, apresenta-se pela terceira vez no Parque da Cidade (onde já esteve com a banda The xx mas também em nome próprio) enquanto um dos cabeças de cartaz deste sábado. Certo é que as suas performances são sempre diferentes, sendo Jamie xx um músico e um produtor mas também um DJ de renome — especialista em samples e remixes — que oferece sempre coisas distintas a cada plateia. Porém, a performance deverá também passar muito por In Waves, o disco a solo que editou no ano passado.
Turnstile
Palco Vodafone, 1h
Está prometida uma explosão de adrenalina para o Parque da Cidade. Embora já tenham uma carreira de 15 anos, os norte-americanos Turnstile atingiram patamares quase mainstream com o seu terceiro álbum, Glow On, em 2021. Desde então que são figuras de proa na cena hardcore punk contemporânea, levando a sua música a grandes palcos em todo o mundo. Com um pé ancorado na longa tradição do hardcore, mesmo que com uma abordagem mais melódica, e outro mais aberto à experimentação — como se nota pelas colaborações que fazem e que os diferenciam no seu circuito — os Turnstile têm também um novíssimo álbum para apresentar. O quarto disco, Never Enough, foi editado há poucos dias, a 6 de junho. Vai ganhar vida (e que vida) no Porto, onde a banda de Baltimore nunca atuou.
15 de junho
Mura Masa
Palco Revolut, 19h
No último dia de programação no Parque da Cidade, uma espécie de dia extra para relaxar e fazer uma despedida mais calma até para o ano, destaca-se a atuação — em modo DJ set — do britânico Mura Masa. Entre a eletrónica digital (de forte inspiração japonesa), o hip hop contemporâneo e canções de ADN pop — além de ter raízes no punk inglês — tem-se afirmado como um produtor relevante na cena internacional. Eclético e incontornavelmente talentoso, já colaborou com Charli xcx, A$AP Rocky ou slowthai, entre tantos outros, e ao vivo pode usufruir de todos os seus trunfos para uma tarde bem passada no Porto, por onde já passou duas vezes desde 2019.