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Em segundos, o som das hélices tornou-se nítido. O tenente-coronel Alexandre Varino, o sargento Rodrigo Silva e o cabo Sérgio Freitas sabiam que estava na hora do ataque. “Há um momento de adrenalina, quando vemos o helicóptero fazer fogo com armas de 20 milímetros”, recorda o sargento. “Aí, percebemos que está a acontecer alguma coisa.” Estavam 500 quilómetros a norte da capital da República Centro Africana (RCA) para ajudar a executar uma missão: uma centena de militares portugueses, a maioria comandos, tinha de recuperar o controlo de Bocaranga, uma vila ocupada por um grupo fortemente armado — um dos que o comandante da missão da ONU quer erradicar do país e cuja missão entregou aos militares portugueses, a sua força de confiança na RCA.

Os portugueses estão desde o início do ano passado no país. Como Força de Reação Rápida da missão das Nações Unidas deviam ser um último recurso, a resposta eficaz para as situações que fugissem ao controlo das outras unidades militares integradas na missão de paz, num momento em que a ONU tem mais de 12 elementos no terreno (sobretudo militares). Mas a instabilidade na República Centro Africana é demasiada e permanente e a força portuguesa acaba por estar diariamente envolvida em patrulhamentos nas ruas da capital, Bangui, além de ser convocada para missões de “limpeza” de pontos estratégicos, como aconteceu em Bocaranga, na região norte, no final do ano passado.

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