Um militar português, dos paraquedistas, ficou ferido com estilhaços de granada após um cerco a radicais islâmicos em Bangui, na República Centro Africana, apurou o Observador junto de fonte militar. Os ferimentos terão sido, nesta fase, considerados de pequena gravidade, uma informação que o Observador está a tentar confirmar junto do Estado-Maior-General das Forças Armadas.

A operação ainda estará em curso, tendo começado às duas da manhã. Terá havido uma tentativa de cerco a um destes grupos mas, durante a fase da consolidação, algumas dezenas terão conseguido fugir ao controlo das forças locais e espalharam-se pela cidade. O militar português ferido integra a Força de Reação Rápida da ONU.

Diamantes, sangue e militares portugueses sob fogo

Desde que os militares portugueses chegaram a este país africano, no início de 2017, houve vários momentos de tensão e casos em que os grupos armados que controlam algumas zonas de Bangui sofreram pesadas baixas no confronto direto com a força nacional equipada com os capacetes azuis da missão de paz. “Estão bem armados e bem preparados, são uma força especial”, resume fonte militar ao Observador.

Neste momento, 160 militares portugueses integram a Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA). São páraquedistas, mas já foram comandos — coube sempre ao Exército a representação nacional naquele país africano. Compõem a Quick Reaction Force (ou Força de Reação Rápida), aquilo que fontes militares descrevem ao Observador como a “unidade de confiança” do general senegalês que comanda a missão, Balla Keïta.

Em termos práticos, quando a tensão sobe, os militares portugueses recebem a ordem para sair para o terreno e estabilizar a situação. Atuam em “cenários difíceis”, que frequentemente dão lugar a situações de fogo real com grupos fortemente armados que lutam pelo controlo do território e que, nalguns casos, intimidam a população, cobrando impostos ilegais em troco de segurança. Noutros casos, é a própria população que parece assumir o apoio a estes grupos armadas.