Índice
Índice
Menos 14 estudantes ingressaram um curso de Medicina nesta primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior, relativamente a 2024. O número de colocados, 1.647, está assim ligeiramente abaixo do valor registado há um ano, quando se verificou o maior número de sempre de colocações em Medicina (1.661).
Os dados revelados pelo Ministério da Educação revelam assim o reforço da entrada de potenciais novos médicos a exercer em Portugal, numa altura em que a formação de novos médicos é apontada como uma das principais soluções estruturais e de longo prazo para os problemas do Serviço Nacional de Saúde. A primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior termina um mês depois de um balanço feito pelo Observador junto de administradores hospitalares e médicos no terreno, que davam conta de um verão ainda pior do que o do ano passado, com várias zonas do país afetadas pela já conhecida falta de médicos, especialmente agravada em altura de férias.
Os colocados em Medicina representam cerca de 3,8% do universo total de estudantes que conseguiram vagas nas universidades e institutos politécnicos nesta primeira fase. Ao todo, 43.899 alunos foram colocados num curso, representando 90,1% dos 48.718 que se candidataram a cursos do ensino superior. Aqui, há a assinalar uma redução significativa dos números globais: o número de estudantes a candidatar-se ao ensino superior este ano baixou 16,4% em relação ao ano passado, em mais de 58 mil alunos se haviam candidatado. Os dados divulgados pelo Ministério da Educação dão ainda conta de que praticamente dois terços (63,1%) dos candidatos foram colocados na sua primeira opção.
Medicina e Enfermagem com as melhores notas no Porto
Olhemos, então, para a área da saúde, um dos setores mais criticamente necessitados do país. À cabeça, o curso de Medicina é o que atrai mais atenções. No total, 1.647 alunos entraram em cursos de Medicina, incluindo mestrados integrados (os mais comuns) e cursos de Ciclo Básico de Medicina (os primeiros três anos do curso, uma modalidade que exige, posteriormente, a realização do mestrado). Estes alunos preencheram a totalidade das vagas existentes nas dez instituições públicas que oferecem formação em Medicina, pelo que não há vagas sobrantes a transitar para a segunda fase.
A maior média de entrada registou-se na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde o último classificado entrou no curso com uma média de 18,53 valores. Já a média de entrada mais baixa registou-se no curso de Ciclo Básico de Medicina da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade dos Açores (17,62 valores). São valores relativamente em linha com os do ano passado. Em 2024, a média de entrada mais elevada tinha sido de 18,55 valores, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto, enquanto a média mais baixa tinha sido novamente a do Ciclo Básico de Medicina nos Açores, com 17,65 valores.
De resto, no top10 de cursos com maior média de entrada (liderado por Engenharia Aeroespacial na Universidade do Porto) surgem dois cursos de Medicina: o da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (em quinto lugar) e o do ICBAS (em oitavo lugar). Trata-se de uma nova subida de um curso de Medicina no topo de cursos com médias mais elevadas, depois de ter chegado a estar em segundo lugar (em 2023) e ter caído para oitavo (em 2024).
Ainda na área da Saúde, impõe-se olhar também para os cursos de Enfermagem. No total, foram colocados 1.897 alunos nos vários cursos das universidades e politécnicos portugueses. Havia um total de 2.024 vagas disponíveis, o que significa que sobram 124 vagas, que transitam para a segunda fase. Estas vagas situam-se no Instituto Politécnico de Santarém (53) e no Instituto Politécnico de Bragança (34 na Escola Superior de Saúde). Neste segundo caso, trata-se de vagas que dão entrada apenas no segundo semestre do ano letivo, indicam os dados do Ministério da Educação.
Trata-se de uma ligeira descida em relação ao ano passado: são menos 51 do que os 1.948 alunos que entraram em Enfermagem em 2024.
Quanto às notas de entrada, tal como na Medicina, também na Enfermagem as médias mais altas se encontram no Porto. Na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, o último classificado do curso de Enfermagem entrou com 16 valores. Segue-se a Universidade do Minho, com uma média de entrada de 15,85 valores. No fundo da tabela estão, novamente, os Açores: o último classificado do curso de Enfermagem da Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores entrou com uma classificação de 11,33 valores.
Também a Enfermagem é uma área com crónica escassez de profissionais. A lista de colocações para o ensino superior surge poucos dias depois de o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses ter vindo a público dar conta de que só na região de Lisboa faltam mais de sete mil enfermeiros para lidar com as necessidades dos serviços de saúde da área da capital.
Psicologia esgota vagas na primeira fase de acesso
Já em Psicologia, foram colocados um total de 918 estudantes, que esgotaram a totalidade de vagas existentes. E, novamente, também a Universidade do Porto registou a melhor média de entrada: o último classificado para o curso de Psicologia naquela universidade entrou com 17,4 valores, seguindo-se de novo a Universidade do Minho, com 16,98 valores. Com 15,1 valores de média de entrada, a Universidade da Madeira fecha a lista.
Entre outros cursos que contribuem para a formação de profissionais de saúde, registaram-se 382 colocados em cursos de Fisioterapia e 87 colocados em cursos de Terapia Ocupacional, por exemplo. Somando todos os cursos da área da Saúde, 6.801 alunos foram colocados, o que significa que sobraram 603 das 7393 vagas disponibilizadas.
Número de colocados em Educação Básica continua a subir
Outro setor com necessidades críticas no país é o da Educação, com alertas para a falta de professores a repetirem-se ao longo dos últimos anos. Anualmente, de resto, o país tem assistido ao sucessivo arranque de anos letivos com centenas de alunos por todo o país sem professor a pelo menos uma disciplina. Na quinta-feira passada, a Fenprof veio avisar que, se o ano letivo arrancasse agora, haveria mais de 400 mil alunos sem todos os professores atribuídos. Além disso, um estudo recentemente divulgado pelo Governo conclui que, ao longo da próxima década, cerca de 4 mil professores vão aposentar-se todos os anos — o que levará a uma forte perda de profissionais na Educação.
Nesse contexto, as colocações para o ensino superior até trazem boas notícias para o setor educativo: de acordo com os dados revelados pelo Ministério da Educação, um total de 1.199 estudantes foram colocados em cursos de Educação Básica nesta primeira fase, o que representa um aumento de 20,3% em relação ao ano anterior. Além disso, a totalidade das vagas disponíveis foram ocupadas e, diz ainda o ministério, “nos últimos três anos o número de colocados em licenciaturas em Educação Básica aumentou 64,9%, o que demonstra o crescente interesse dos estudantes por estas formações”. Estes números permitem aferir apenas uma perspetiva de evolução do número de professores para o pré-escolar e para os primeiros ciclos do ensino básico.
Tal como nos cursos da área da Saúde, também aqui se registam médias de entrada mais elevadas no Porto. Na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, o último classificado entrou no curso de Educação Básica com uma média de 15,63 valores. No fundo da tabela surge o Instituto Politécnico de Beja, onde o último classificado entrou neste curso com 12,28 valores.