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A janela, a única vista que agora têm da vida lá fora

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A janela, a única vista que agora têm da vida lá fora

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

“As famílias têm medo da morte, eles não”. Reportagem em dois lares onde o vírus entrou, assustou e matou

Helena vê agora o filho pela janela, Adelaide não acredita conseguir chegar aos 100 anos daqui a dois meses, Alice mantém a fé. Fomos a um lar ainda livre de infetados e a outro onde o vírus já matou.

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Adelaide faz 100 anos em junho, mas não acredita chegar até lá. Helena passa os dias a olhar para uma janela com vista para a casa do filho, é a forma que tem de saber dele. Elvira ouve música no quarto para espantar a solidão. Alice percorre os corredores com a ajuda da bengala, sem pressa e com muita fé. Concepción está acamada e dorme com uma fotografia de Julio Iglesias na mesa de cabeceira.

No Centro de Apoio à Terceira Idade (CATI), em São Mamede de Infesta, Matosinhos, a Covid-19 ainda não entrou, mas já passou bem perto da porta. “Até agora, ainda não temos infetados, tenho esperança que continue assim, mas sei que é muito difícil. Uma utente de 86 anos perdeu ontem o filho que morreu deste vírus. Está muito agitada porque não pode sair daqui”, conta José Pinto, diretor técnico do lar.

A manhã vai a meio e numa das salas de convívio a televisão está ligada e com som. Manuel Luís Goucha conversa com o padre José Luís Borga, uma dezena de idosos olham atentos para ambos, outros parecem nem os ouvir. Junto à parede está estacionado um carrinho com o que restou do pequeno almoço, há livros e revistas em cima das mesas, mas ninguém parece ter muita vontade de os folhear.

Abre-se a porta de um quarto e não é um quarto qualquer. É lá que está um dos dois isolados deste lar. Sai numa cadeira de rodas empurrada por uma enfermeira, que despe a bata e a touca e coloca-as num recipiente próprio, assim como a própria roupa do idoso, devidamente embalada e identificada. É esta a rotina de para quem entra e sai daquele lugar, que mal fica vazio é desinfetado por uma funcionária de limpeza com um balde com água e lixívia. Dentro daquelas paredes quase tudo é exclusivo, do termómetro à esfregona que desliza pelo chão. Cada um com o seu.

Um dos dois isolados deste lar. Sai numa cadeira de rodas empurrada por uma enfermeira, que depois despe a bata e a touca.

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Mais à frente passamos pelo quarto de Elvira, onde à porta se ouve uma música alegre vinda de um pequeno rádio, a contrastar com o dia cinzento que, sentada num cadeirão, ela consegue ver agora apenas pela janela. Na porta ao lado está a espanhola Concepción, deitada numa cama articulada e com uma fotografia de Julio Iglesias na mesa de cabeceira. A sua companheira de quarto prefere emoldurar as fotografias da família ou de santos religiosos. Em comum têm as garrafas de água com palhinhas ou as fraldas descartáveis empilhadas junto às camas.

Nos corredores dos três pisos do CATI saltam a vista vários carrinhos de limpeza e são muitos os baldes, as esfregonas, as toalhas, os sacos de plástico ou os rolos de papel higiénico. Mas veem-se também escovas e secadores do cabelo e frascos de perfume. “Mesmo sem saírem, alguns gostam de se arranjar”, diz uma auxiliar.

“Dona Alice estive à sua procura. Vá lá medir a temperatura, só faltava você”, repreende José Pinto, o diretor técnico, explicando que todos os idosos avaliam a temperatura de manhã e à tarde. A senhora concorda e sorri, e com a ajuda de uma bengala percorre lentamente o corredor, benze-se ao passar pela capela e parece já não se espantar com tantas batas, máscaras e preocupações.

Capela e a enfermaria do Centro de Apoio à Terceira Idade (CATI)

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A dois passos dali é a enfermaria, sempre bastante concorrida e onde todos os medicamentos estão guardados em pequenas gavetas com o nome de cada utente em autocolantes. A enfermeira de serviço garante que há equipamentos de proteção individual suficiente, queixa-se apenas da falta de máscaras P2 e da dificuldade de comunicação de alguns doentes. “Os que têm demência ou comem através de uma sonda têm dificuldade em comunicar sintomas, como uma dor de garganta ou de cabeça, o que nos obriga a uma vigilância mais apertada.”

Chegamos a outra zona de convívio e desta vez Manuel Luís Goucha já entrevista o primeiro-ministro. Em rodapé lê-se uma citação de António Costa: “Do outro lado do túnel há luz”. Nesta sala, agora com o sol a espreitar, a luz só se vê através das janelas e é junto a uma delas que está Helena, de 86 anos. Sentada numa cadeira de rodas, passa os dias a olhar para casa do filho, mesmo ali em frente. É uma das formas que encontrou para estar mais próxima dele. Afinal, as visitas foram suspensas há mais de um mês.

Muitos assistem à entrevista de António Costa na TVI ao mesmo tempo em que o almoço começa a ser servido

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Atrás de si, também numa cadeira de rodas, está Adelaide. Vai fazer 100 anos no dia 4 junho, mas não acredita conseguir chegar até lá. “Ninguém da minha família durou tanto tempo. O meu pai morreu aos 99, a minha mãe aos 48. Estou cansada de viver na terra, no céu tenho muita gente à minha espera”, diz enquanto toca no crucifixo que tem pendurado ao pescoço. Dona uma memória invejável, fecha os olhos quando fala da mãe que morreu nova com cancro e de um dos filhos que morreu na guerra. “Tive um marido bom, olhava para uma coisa e ele ia logo comprar, mas já vivi muito. Fui operada ao intestino, ao fígado e a uma perna, por isso não tenho medo de morrer disto.”

“Quando eles se encostam, não os repulso e não os afasto. Ainda ontem uma senhora positiva agarrou-se a mim aflita. O que vou fazer? Vou empurrá-la? Não posso, não consigo.”
Sofia Alves, enfermeira no Lar Mãe de Jesus

Cheira a comida, chegou a hora do almoço. Há quem se levante do sofá com muletas imediatamente para espreitar o aspeto da ‘farinha de pau’ (mandioca) com peixe ou da mousse de chocolate para sobremesa. A sopa é caldo verde e Emília, amiga de Adelaide, exige duas rodelas de chouriço. A auxiliar, enquanto lhe coloca um babete, alerta-a para o facto de poder engasgar-se, mas a gula parece falar mais alto.

“Muitos familiares comunicam com eles só através do vidro”

O CATI divide-se entre o lar, o apoio domiciliário, o centro de dia e um programa de distribuição de refeições. Os 70 funcionários estão divididos em três equipas e trabalham 12 horas durante sete dias, para depois descansarem 14 (os da quarentena aconselhada) e entrar a outra equipa.

Existem utentes que têm de ser alimentados nas próprias camas por terem mobilidade reduzida

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No lar vivem atualmente 64 idosos assintomáticos, ainda nenhum foi testado ao novo coronavírus, mas dois encontram-se em quartos isolados. Um porque faz hemodiálise três vezes por semana fora do lar e outro porque teve alta hospitalar de uma pneumonia por aspiração esta quinta-feira. “Temos ainda uma utente internada no Hospitalar Pedro Hispano, com um problema renal, desde o dia 16 de março. Lá foi testada e está positiva”, explica o diretor técnico.

José Pinto insiste na necessidade de testar utentes e funcionários “o mais rapidamente possível”. “Só assim podemos ficar descansados e saber com o que podemos contar.” O CATI tem mais seis camas disponíveis para isolar doentes caso seja preciso, distribuídas entre o ginásio e uma sala dedicada aos trabalhos manuais, e em breve as cortinas, os tapetes, os vasos com flores e as toalhas para secar as mãos vão desaparecer “por questões de segurança”.

É através de chamada, com um vidro a separá-las, que esta mãe e esta filha falam e se vêem.

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“A maioria deles estão lúcidos, autónomos e tranquilos. Percebem o que está a acontecer e questionam muitas vezes quando é que isto acaba. É aquela pergunta a que ninguém consegue responder”, desabafa o diretor, acrescentando que a mudança radical de rotinas “pode ser muito violento”. “Não nos podemos esquecer que estamos a falar da casa deles. Apesar de todas as medidas técnicas, temos de conhecer a pessoa e as suas necessidades.”

Uma das maiores necessidades é o contacto com familiares, que por esta altura se faz pelo ecrã de um telemóvel ou computador ou até mesmo através de um vidro. “Fazemos videochamadas, criámos um Facebook próprio para poderem comunicar com hora marcada. Muitos familiares fazem questão de vir aqui e comunicam apenas só através do vidro da janela.”

O lar onde em três dias um vírus mudou quase tudo

Estava a acabar o mês de março e no Lar Mãe de Jesus, em Leça do Balio, também em Matosinhos, a Covid-19 ainda não tinha chegado, mas em três dias tudo mudou. “O nosso primeiro caso foi identificado na quinta-feira à noite, dia 26 de março, quando um utente, que estava internado no Hospital Pedro Hispano por uma causa urinária, foi despistado e deu positivo”, conta a enfermeira Sofia Alves.

O alerta chegou ao lar, onde residiam 92 pessoas com uma média etária de 86 anos, e no final do dia seguinte, sexta-feira, contavam-se mais três idosos infetados, também  internados com dificuldades respiratórias. No sábado de manhã, os restantes foram testados, os funcionários receberam uma guia para serem rastreados mais tarde, e depois “foi tudo muito rápido”, recorda a profissional de saúde.

Um terço dos idosos está infetado no Lar Mãe de Jesus, em Leça do Balio, também em Matosinhos

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Na segunda-feira, os resultados não deixavam dúvidas: um terço dos idosos estava infetado. Três já morreram, cinco permanecem internados. “Era uma questão de tempo até o vírus chegar aqui”, afirma Joaquim Andrade, pároco e responsável pelo espaço que integra o Centro Social e Paroquial do Padrão da Légua.

“Infelizmente não conseguimos estar completamente imunes, só criando uma bolha. O vírus entra, mas não sai. Alguém o trouxe, pode ter sido quem teve alta hospitalar ou um funcionário. Familiares penso que não, porque as visitas foram suspensas antes”, acrescenta.

Tanto o padre como a enfermeira não esperavam “tantos resultados positivos”, mas para a profissional de saúde a falta de higiene pode justificar o cenário. “Os idosos têm poucos cuidados, o lavar as mãos não é uma coisa normal para eles, não é por mal, mas esquecem-se. Eles sujam-se e na cabeça deles não estão sujos, nós é que lhes temos de dizer.”

Alguns dos infetados eram utentes autónomos, cumprimentavam toda a gente e circulavam livremente pelo lar — entre os quartos dos colegas, secretaria, refeitório ou enfermarias — o que contribuiu para que o poder de contágio fosse ainda maior.

Quando o plano de contingência foi ativado as visitas foram suspensas, o centro de dia foi encerrado, havia salas preparadas para isolar doentes, caso fosse necessário, e o equipamento de proteção individual ainda abundava nas caixas. Os beijinhos e os abraços deixaram de existir, os bancos do jardim ficaram vazios, os corredores mais silenciosos e as televisões das salas comuns nunca mais foram ligadas.

“Uma mudança de rotina é sempre complicada para os mais velhos, seja ela qual for, para o bem ou para o mal. Nunca reagem da melhor forma”, afirma Susana Pereira, psicóloga do lar, acrescentando que “só os mais lúcidos, que viam as notícias, tinham noção da gravidade do vírus”. De todas as medidas de contenção, a falta de afeto foi a mais difícil de aceitar. “São idosos, gostam de carinho e nestas alturas precisam muito dele. Às vezes não basta dizer, é o gesto a que eles estavam habituados e que de repente deixou de existir.”

“Ninguém da minha família durou tanto tempo. O meu pai morreu aos 99, a minha mãe aos 48. Estou cansada de viver na terra, no céu tenho muita gente à minha espera.”
Adelaide, utente do Centro de Apoio à Terceira Idade

Para a enfermeira Sofia Alves, a gestão emocional “é complicada e atroz”, tanto para utentes como para funcionários. “Quando eles se encostam, não os repulso e não os afasto. Ainda ontem uma senhora positiva agarrou-se a mim aflita. O que vou fazer? Vou empurrá-la? Não posso, não consigo”, desabafa a enfermeira. “O neto de uma das utentes que enviei para o hospital e acabou por falecer veio falar comigo. Vi-o com as lágrimas a cair e tinha de estar a uma distância de dois metros. Isto é tão desumano.”

A maioria dos familiares parece ter respeitado as restrições impostas pela Direção-Geral da Saúde, mas quando os casos positivos foram confirmados gerou-se rapidamente uma “onda de pânico” e de muita preocupação. “Eles descarregam em cima de nós e reclamam connosco. Acho que nos entendem, mas também têm de libertar a raiva de não os poderem ver”, relata Sofia Alves, que já foi com utentes à janela para poderem acenar a quem mais gostam e com o seu telemóvel tem feito diariamente videochamadas e tirado fotografias.

“Uma coisa é dizer que a mãe está bem, outra coisa é mostrar a cara dela. Muitos filhos já quase que não reconhecem os pais, não os veem há quase um mês e eles estão mais magros e pálidos.” O principal sintoma neste lar não são as dificuldades respiratórias, a tosse ou a febre, mas a recusa alimentar. “A desidratação é, aliás, o principal motivo para os transportar para o hospital.”

Casais em quartos separados, refeições em loiça descartável e uma capela sem Santíssimo

Com a chegada do vírus chegou também a necessidade de isolar os idosos positivos. Uma tarefa difícil quando falamos de um lar lotado. “Estamos sempre na capacidade máxima, costumamos ter uma lista de espera de 100 pessoas”, salienta o padre Joaquim Andrade, que garante já ter retirado o Santíssimo da capela para que em breve possa ser uma enfermaria com quatro camas.

Casais em quartos separados, refeições em loiça descartável e uma capela sem Santíssimo para ganhar espaço para mais doentes

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A reorganização do edifício obrigou a que amigos e casais que dividiam o quarto tivessem que se separar e passassem a dormir “num lugar estranho”, onde ainda não há roupa pendurada no armário e as fotografias dos netos não estão na mesa de cabeceira. A maioria dos utentes está confinada aquele espaço, exceto os casos de demência que teimam em desafiar as regras.

“É uma batalha mantê-los sãos dentro de quatro paredes. Os que têm telemóvel ainda conseguem comunicar, os que têm televisão conseguem estar entretidos, mas há casos mais delicados em que a nossa companhia é mesmo fundamental”, sublinha a psicóloga.

Para já, a companhia bate à porta equipada da cabeça aos pés, onde só é possível ver os olhos dos enfermeiros e auxiliares e reconhecê-los através da voz. “Não é fácil para os acamados e mais debilitados, ficam muito confusos, agitados e até agressivos”, conta a enfermeira Sofia Alves.

“A maioria deles estão lúcidos, autónomos e tranquilos. Percebem o que está a acontecer e questionam muitas vezes quando é isto acaba. É aquela pergunta que ninguém consegue responder.”
José Pinto, diretor técnico do Centro de Apoio à Terceira Idade

Na hora das refeições, os doentes infetados recebem a comida no quarto, servida em loiça descartável. “No início foi complicado perceberem que aquilo era efetivamente a comida deles, que não era para ir para o lixo. Estranharam a loiça, mas é a nossa forma de cuidar deles”, conta a psicóloga do lar.

Os utentes negativos e com mais mobilidade são autorizados a sair do quarto, ainda que com muitas limitações. Descem um de cada vez no elevador e quando chegam ao refeitório sentam-se sozinhos numa mesa com capacidade para seis pessoas. “A mesa não está posta, não há uma toalha. A comida é servida à medida que eles entram e quando os últimos chegam os primeiros já estão a subir. As refeições eram o momento de excelência para o convívio, ficam tristes com isto, claro”, explica Susana Pereira.

Além da solidão à mesa, o leite frio servido em pacotes individuais também parece não agradar à maioria, que expressa sem rodeios não ter medo de morrer. “Tenho os meus filhos, já vivi muito e não estou a sofrer. Não há problema em morrer disto, vou feliz.” Esta é uma das frases que a psicóloga ouve diariamente e que não consegue contrariar ou responder. “Às vezes damos um sorriso e é o suficiente. Os idosos só querem que isto acabe, as famílias é que têm medo da morte, eles não.

A pandemia vai certamente deixar marcas na vida dos mais velhos. “Pode deixá-los mais deprimidos e com mais medo. Muitos já não encaram a velhice da melhor forma, depois têm um histórico de vida complicado e tudo isso não ajudará no futuro.”

Falta de material e funcionários infetados: os dois maiores problemas

O Lar Mãe de Jesus completará 30 anos em maio, naquele que é talvez o período mais exigente da sua vida. O pároco e responsável deteta dois graves problemas nesta fase: a falta de material e de pessoal. Dos cerca de 60 funcionários, todos já foram testados e pelos menos 18 estão infetados e, por isso, em casa. “A Segurança Social disse que iria assegurar pessoas para colmatar algumas brechas, contando também com um acordo com a Cruz Vermelha Portuguesa. Pedimos mais de 12 pessoas, neste momento temos a trabalhar três ou quatro.”

Os turnos foram adaptados, mas o cansaço dos profissionais é difícil de fintar. “Estamos a fazer turnos de 12 horas em cinco dias, depois com cinco dias de descanso. Isto faz com que as equipas não se cruzem e diminuam a probabilidade de contágio”, explica Joaquim Andrade. Para o padre, o ideal seria separar, tal como acontece com os funcionários, os utentes positivos e os negativos em alas diferentes, “mas não dá”. “Em última instância um lar ficava com uns e outro com outros”, sugere, defendendo a realização de testes pelo menos uma vez por semana, pois acredita que “já deve haver mais infetados”.

“É uma batalha mantê-los sãos dentro de quatro paredes. Os que têm telemóvel ainda conseguem comunicar, os que têm televisão conseguem estar entretidos, mas há casos mais delicados em que a nossa companhia é mesmo fundamental.”
Susana Pereira, psicóloga no Lar Mãe de Jesus

Sofia Alves, enfermeira, respirou de alívio quando o seu teste deu negativo, mas nem por isso o receio desapareceu. “Voltar para casa é difícil, às vezes nem tenho vontade de voltar, preferia ficar aqui para proteger a minha família”, diz, partilhando que teve que adaptar a sua casa e a sua rotina a uma nova condição. “Passei a ter uma casa de banho em casa só para mim e a lavar o cabelo todos os dias, coisas que não fazia.”

A falta de equipamento de proteção individual é outro dos problemas da instituição, que tem contado com a solidariedade da comunidade. “Vamos fazendo encomendas aos fornecedores habituais, mas os preços já estão muito elevados e depois simplesmente não há. Vejo o panorama geral e tento compreender e confiar. Sou como o jogador que vê o que está à sua volta, mas o treinador vê o campo todo”, afirma o padre Joaquim Andrade.

A Câmara Municipal de Matosinhos e uma equipa médica, da Proteção Civil e da Segurança Social tem visitado todos os lares do concelho, avaliado medidas de contenção e distribuindo álcool em gel e máscaras cirúrgicas. A partir de segunda-feira, a autarquia vai inaugurar uma unidade móvel para testar os idosos, um total de 730 utentes.

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