Assassínio de Rosalina Ribeiro. Os telefonemas, as contradições e os detalhes que levaram a investigação a acusar Duarte Lima

29 Abril 2017766

Livro do jornalista que mais escreveu sobre o caso e do principal investigador brasileiro reconstitui todo o crime do assassinato da viúva do multimilionário português. E de como acusaram Duarte Lima.

Texto inicialmente publicado a 29 de abril de 2017 e republicado agora após Duarte Lima entrar na prisão para cumprir pena por burla ao BPN no caso Homeland

O crime é um assassínio. O móbil parte de uma imensa fortuna. A vítima a companheira viúva de um multimilionário português. O cenário, Saquarema, uma terra perdida a cerca de 150 quilómetros do Rio de Janeiro. O suspeito um advogado e figura destacada da política portuguesa. Estes são os ingredientes de “Rio Derradeiro”, o livro que conta toda a investigação à morte de Rosalina Ribeiro no Brasil, da qual o único acusado é Duarte Lima.

Escrito pelo jornalista Carlos Diogo Santos, que seguiu o caso desde o primeiro dia, e por Aurílio Nascimento, um dos responsáveis brasileiros da investigação, o livro, publicado pela Oficina do Livro, recria os principais passos dos investigadores até chegarem ao nome do ex-líder parlamentar do PSD. Há documentos inéditos, imagens de radares, escutas e gravações de telefonemas, detalhes que permitem perceber como foram as últimas horas de vida no Brasil da mulher com quem o multimilionário Lúcio Feteira vivia há muitos anos. Uma novela macabra, da descoberta do corpo num descampado prestes a ser enterrado como indigente por não ter identificação, às dúvidas dos amigos, passando às primeiras suspeitas sobre Olímpia, filha de Lúcio e inimiga de Rosalina, até a todas as incongruências em redor daquele que era o advogado/conselheiro da rica herdeira, e que incluem dados de um informador com o nome de Apache e cinco milhões de euros escondidos numa conta da Suíça.

O caso começou em 2009 e ainda hoje não tem julgamento marcado: foi transferido do Brasil para Portugal, mas não há data para o julgamento. Existe apenas a acusação contra Duarte Lima. O livro centra-se nos detalhes que levaram a essa acusação: as desconfianças, a reconstituição da viagem fatal, o encontro de Duarte Lima com a sua cliente, as contradições e omissões. O Observador publica em antecipação excertos de três (dos 15) capítulos essenciais.

“Rio Derradeiro. Toda a investigação a Duarte Lima no caso da morte de Rosalina Ribeiro”, de Carlos Diogo Santos e Aurílio Nascimento (Oficina do Livro; 13,95€; já em pré-venda)

A véspera do crime

Rosalina acordou cedo no dia 7 de dezembro de 2009. Era automático, mesmo quando passava a noite mais irrequieta ou quando o dia anterior era agitado. No Rio, assim que o quarto, de móveis carregados e carpetes antigas, deixava entrar uma ponta de claridade, despertava.

(…)

As imagens de Rosalina e de Lúcio Feteira juntos

Estava sozinha no seu apartamento do Brasil, ainda que se sentisse acompanhada. De memórias. No quarto tinha uma fotografia do seu companheiro de vários anos pendurada na cabeceira. Na mesinha do lado esquerdo da cama, lado onde dormia, estava a imagem de Nossa Senhora de Fátima, abrigada pelo abat‐jour do candeeiro. E, pendurado na estrutura da cama de madeira escura – cheia de detalhes esculpidos –, um terço.

(…)

Estava exausta com todas as confusões que a partilha dos bens de Lúcio Feteira lhe causavam e este era um dia-chave para resolver algumas divergências que tinha há meses com Duarte Lima. Afinal, ele já não poderia protelar mais a devolução do dinheiro que tinha sido transferido para uma conta em seu nome quando havia perigo de as de Rosalina serem arrestadas. Isto porque daí a cinco dias, de regresso a Lisboa, Rosalina teria de abrir o jogo e dizer em tribunal onde tinha guardado os mais de cinco milhões de euros que retirara de contas partilhadas com Feteira

Naquela manhã preparou os comprimidos que tinha de tomar ao pequeno-almoço e colocou numa pequena caixa metálica os que iria ingerir durante o dia.

Estava exausta com todas as confusões que a partilha dos bens de Lúcio Feteira lhe causavam e este era um dia-chave para resolver algumas divergências que tinha há meses com Duarte Lima. Afinal, ele já não poderia protelar mais a devolução do dinheiro que tinha sido transferido para uma conta em seu nome quando havia perigo de as de Rosalina serem arrestadas. Isto porque daí a cinco dias, de regresso a Lisboa, Rosalina teria de abrir o jogo e dizer em tribunal onde tinha guardado os mais de cinco milhões de euros que retirara de contas partilhadas com Feteira. E o seu advogado já sabia, porque ela lho dissera, que ninguém iria calá-la em frente ao juiz.

Tentava entender os acontecimentos dos últimos meses, relembrando várias conversas e opções que tomara desde que era aconselhada por Duarte Lima. Por que será que havia tantas coisas que não batiam certo agora? Já não conseguia esconder de ninguém a descrença nos advogados.

O dia anterior tinha sido de desabafos com as suas melhores amigas do Rio de Janeiro. “Estou nervosa com este encontro, não entendo alguns dos seus comportamentos”, comentara Rosalina na véspera, referindo-se a Duarte Lima, assim que saíra de casa com Maria Alcina e Rosemary.

A vinte e quatro horas da reunião que iria decidir o seu futuro, Rosalina passou toda a tarde com elas. Após o almoço, enquanto ouvia Maria Alcina cantar, pôs a conversa em dia com a outra grande amiga, a brasileira.

“Ele quer falar comigo amanhã, mas disse que vinha aqui ter comigo outra pessoa, não entendi bem essa parte, e nem sei a que horas será o tal encontro”, adiantou Lina, tirando a Rose qualquer esperança de um novo passeio no dia seguinte. A única hipótese para estarem juntas, disse Rosalina, era se a amiga a quisesse acompanhar durante o encontro. Rose não aceitou.

Nos dias anteriores Rosalina e Duarte Lima tinham-se falado por telefone. Logo no início de dezembro, no dia 1 – acabado de chegar a Lisboa depois de duas viagens seguidas ao Brasil –, o advogado ligou-lhe do seu número suíço. O mesmo que lhe fora fornecido pela Akoya, a sociedade de gestão de fortunas de Michel Canals – o arguido da Operação Monte Branco que foi gestor de conta do antigo líder da bancada parlamentar do PSD na UBS. Rosalina estava no escritório da sua casa do Rio de Janeiro.

Minutos antes, fora ela que lhe tinha ligado, mas Duarte Lima não havia atendido. Lina ligara-lhe do telefone fixo para o número pessoal ao meio-dia e meia, tocou uns segundos e a chamada não foi atendida. Não insistiu, sabia que assim que ele pudesse lhe devolveria o telefonema.

Foi quase uma hora depois que Duarte Lima lhe ligou do número suíço; a chamada durou mais de seis minutos, o suficiente para Rosalina ficar a saber que o advogado queria que ela ficasse mais dias no Brasil. A viagem da antiga companheira de Lúcio Feteira de dia 8 viria a ser alterada para 12 de dezembro. Rosalina acedeu, mas tudo aquilo a deixava intrigada

Foi quase uma hora depois que Duarte Lima lhe ligou do número suíço; a chamada durou mais de seis minutos, o suficiente para Rosalina ficar a saber que o advogado queria que ela ficasse mais dias no Brasil. A viagem da antiga companheira de Lúcio Feteira de dia 8 viria a ser alterada para 12 de dezembro. Rosalina acedeu, mas tudo aquilo a deixava intrigada. Afinal, quando ela lhe ligou era só para pedir alguns conselhos e saber como estava a correr um dos processos em Lisboa.

“Lúcio Feteira – A História Desconhecida: das Origens à Glória, Vol.I”, do jornalista Miguel Carvalho, publicado pela editora QuidNovi (www.quidnovi.pt), é o retrato de Lúcio Feteira, o companheiro de Rosalina, descrito como “um dos mais controversos e poderosos portugueses do século passado!”

(…) Dias depois daquela chamada, Duarte Lima voltaria a ligar para Rosalina, ainda antes de sair de Portugal, no dia 5. Nesta última vez falaram 11 minutos.

Naquela tarde com as amigas, na véspera do encontro, as perguntas sem resposta eram muitas – até porque Rosalina só saberia dos detalhes da reunião à noite, quando Duarte Lima lhe voltasse a ligar.

Eram 21h32 quando o telefone tocou:

– Estou, boa noite, quem fala?

Do outro lado, Duarte Lima dá as indicações a Rosalina. – Dona Rosalina, não vamos falar muito por aqui que, já sabe como é, a chamada pode estar sob escuta.

No meio de um certo secretismo – que Rosalina viria a contar às amigas –, o encontro ficou marcado para o dia seguinte no restaurante Alcaparra’s, três quarteirões abaixo da casa de Lina:

– Quando for para descer dou-lhe um toque, para ir andando para lá.

Rosalina não entendeu as advertências, mas ela própria sempre teve receio da possibilidade de estar sob escuta. O que a deixou mais desconfiada foi o advogado ter dito que poderia ir outra pessoa – que não ele – ao seu encontro. Recostou-se num dos dois sofás individuais beges, de costas para a sala de jantar que já há muito não usava.

Poderia, talvez, ter sugerido que o encontro fosse em sua casa, pensava agora, até se sentiria mais segura do que ter de sair à noite. Mas já era tarde, tinha marcado o encontro naquele restaurante de luxo da Zona Sul e nem fazia sentido estar a alterar os planos. Além do mais, estava de regresso a Portugal e por isso já não tinha quase nada em casa para servir ao convidado.

Quando por fim se convencera de que o melhor seria mesmo o encontro no restaurante, até porque não gostava de ter desconhecidos em casa e havia a possibilidade de não ser Duarte Lima a ir ter consigo, o telefone volta a tocar. “Teria Duarte Lima se esquecido de dizer alguma coisa?”

Levanta-se e pega novamente no telefone:

– Estou? Ah, é você, ele já me ligou e vem cá ter amanhã…

– Falou mais alguma coisa, por que é que ele vem aqui? – perguntou Maria Alcina, nada tranquila depois da conversa rápida que tivera com Lina e Rose durante a tarde.

(…)

Lúcio Tomé Feteira, o multimilionário que fez fortuna em Leiria, onde tem direito a busto

Mal desligou o telefone e se viu novamente sozinha na sala de paredes brancas mas escura da noite e da mobília de madeira carregada, eram já 22h15, Rosalina ligou para a outra amiga – a brasileira que há muito tomava conta dos seus bens quando ela estava em Portugal. Rose nunca a havia desiludido e naquela noite voltou a atender o telefone.

– Boa noite, tudo bem? Ele já ligou e ficou combinado que é amanhã à tarde. Não sei a hora.

– E aí, falou mais alguma coisa? – perguntou Rose com o seu sotaque carioca.

– Ah… foi uma conversa rápida. Disse-me que o telefone poderia estar sob escuta e por isso não falámos mais… – voltou a contar.

– Sob escu…? Ah, que estava sendo grampeado?! Mas por quê? – insistiu a amiga do outro lado.

Rosalina não tinha respostas para quase nada e, apesar do medo que a esperava quando pousasse de novo o telefone, rematou a conversa ao fim de oito minutos. Sentia que a partir daquele momento seria só especulação e o que precisava mesmo era de descansar para aguentar o dia que aí vinha.

(…)

Tomou os comprimidos da noite e foi para a cama tentando esquecer-se de que estava longe da 'sua casa' e embrulhada numa história que sempre quis assumir sem ajuda dos outros. Talvez estivesse a exagerar, como muitas vezes lhe disseram ao longo da vida, mas ela era assim mesmo e todo aquele secretismo e a demora na devolução do dinheiro que era seu lhe pareciam estranhos

Tomou os comprimidos da noite e foi para a cama tentando esquecer-se de que estava longe da ‘sua casa’ e embrulhada numa história que sempre quis assumir sem ajuda dos outros. Talvez estivesse a exagerar, como muitas vezes lhe disseram ao longo da vida, mas ela era assim mesmo e todo aquele secretismo e a demora na devolução do dinheiro que era seu lhe pareciam estranhos.

Desde que começara a viajar sozinha para o Rio de Janeiro, após a morte de Lúcio, escolhera o lado da cama oposto ao da janela para dormir. Era ‘uma panca’, sentia-se assim mais segura naquela cidade onde todos os dias a televisão acorda a falar de violência e adormece com imagens inéditas de crimes de sangue. Era também por isso que sair depois das 18h00/19h00, como iria fazer no dia seguinte, era uma exceção.

(…)

Na manhã do dia seguinte, comeu qualquer coisa, para não tomar os comprimidos em jejum – as prateleiras já estavam quase vazias, mas Rosalina, apesar do luxo em que vivera nos últimos anos, ainda se lembrava de como contentar-se com o básico. Foi para a sala e começou a adiantar trabalho.

Ia ficar o dia todo em casa à espera do telefonema do advogado. Seria só mais para o final da tarde, mas, como tinha de descer quando ele ligasse a avisar, não ia arriscar.

“Ainda chega mais cedo e eu não estou, para atender o telefone…”, pensou.

No Brasil, Rosalina quase não usava telemóveis, muitas vezes nem sequer ativava o serviço de roaming dos telemóveis portugueses. Todos sabiam que só podiam encontrá-la através do número fixo e se havia coisa de que não gostava era de deixar alguém pendurado, muito menos depois de uma viagem tão longa como a que o advogado ia fazer. Isto se fosse mesmo ele a ir ter com ela.

(…)

Nessa manhã, Rosalina começou logo a receber várias chamadas. Às 8h55 já estava a atender um telefonema relativo aos imóveis deixados por Lúcio Feteira. A chamada, feita de Maricá, a alguns quilómetros do Rio, era para falar sobre a Fazenda da Pedra Grande, um terreno sem fim à vista deixado pelo milionário português e que tem um valor aproximado de 30 milhões de euros.

(…)

A manhã já ia a meio quando recebeu uma chamada da Associação Brasileira de Assistência a Pessoas com Cancro. Desde que fora diagnosticada uma leucemia a Duarte Lima, no final dos anos 90, ficara ainda mais sensível para este tipo de causas.

Rosalina escrevia tudo em papéis e agendas e só agora estava a aprender a digitar mensagens no telemóvel. Gostava de registar, para ter a certeza de que não se iria esquecer dos afazeres, mas às vezes levava esta paranoia ao limite. Nos últimos dias brincava até com as suas limitações com as novas tecnologias. Sentia-se confusa sempre que tinha de abrir o separador dos SMS ou da agenda no telemóvel. Nada como um papel e uma caneta.

E foi isso que decidiu fazer quando acabou de tratar das malas: deixar um recado para si mesma. Pegou num pedaço de papel e, com a sua letra tremida da idade, escreveu aquilo que desde há alguns dias mais queria: “Parto para Lisboa no dia 12 de dezembro, se Deus quiser.”

(…)

Ainda que Duarte Lima não fosse seu advogado, no verdadeiro sentido da expressão, Lina habituara-se a tratá-lo assim. O ex-deputado nunca teve qualquer procuração sua, uma vez que apenas a aconselhava quando chegava a hora de tomar uma decisão no âmbito da herança que disputava. Rosalina dizia até aos mais próximos, apesar de alguns comportamentos de que não gostou, que Duarte Lima era um amigo

Ainda que Duarte Lima não fosse seu advogado, no verdadeiro sentido da expressão, Lina habituara-se a tratá-lo assim. O ex-deputado nunca teve qualquer procuração sua, uma vez que apenas a aconselhava quando chegava a hora de tomar uma decisão no âmbito da herança que disputava. Rosalina dizia até aos mais próximos, apesar de alguns comportamentos de que não gostou, que Duarte Lima era um amigo, com quem se aconselhava, e tinha já desde a morte de Lúcio um grande carinho por ele.

Naquela manhã, sabia que ainda faltavam algumas horas até que ele a avisasse da sua chegada, mas a ansiedade não lhe dava tréguas.

(…)

Duarte Lima liga a dar algumas indicações sobre a reunião, possivelmente para explicar qual a documentação necessária e sublinhando que chegaria mais perto da hora do jantar. Ficam pouco mais de um minuto à conversa e Lina volta a não conseguir perguntar tudo o que queria. Tinha de ser cuidadosa, já sabia.

Nas horas seguintes, porém, Rosalina viria a receber ainda outras três chamadas-relâmpago do advogado, às 18h15, às 19h48 e às 19h51. Nesta última Duarte Lima avisa que já está a chegar ao restaurante Alcaparra’s e pede a Rosalina para descer.

A antiga companheira de Lúcio Feteira, que já tinha vestido um dos fatos que deixara de fora da bagagem, pegou na sua mala e na capa transparente com os documentos e atravessou a sala.

Antes de sair colocou em cima da mesa de jantar de madeira maciça os dois comprimidos da noite (o branco e o amarelo do costume) que teria de tomar assim que regressasse a casa.

Apressada, pega nas chaves, sai de casa e chama o elevador. Quando as portas se abrem, a luz fluorescente ofusca-lhe a vista, habituada ao ambiente escuro do apartamento; poucas vezes tinha tido aquela sensação, quase nunca saíra àquela hora. Já a descer, apercebe-se de que nem tempo tivera para ajeitar bem a roupa. Com a pasta transparente, onde guardava os documentos que tinha separado, na mão direita, e a mala ao ombro, aproveitou para endireitar o macacão.

Sai do prédio e vira à direita, no sentido do Alcaparra’s. Um carro acelera a toda a velocidade na sua direção, galgando o passeio. Rosalina, assustada, dá um salto para o lado…

As imagens de Rosalina Ribeiro no elevador do prédio onde morava no Rio de Janeiro antes de sair para se encontrar com Duarte Lima

O dia da morte

A mulher de macacão leve e óculos graduados caminhava com passos rápidos mas trémulos. Andar de noite naquela cidade era mesmo o pior que lhe podiam pedir e, como bem sabia, o Flamengo não era propriamente a Copacabana dos turistas…

Rosalina passa em frente ao número 100 agarrando afincadamente a pasta de documentos que trazia de casa. Não chega a entrar no restaurante Alcaparra’s, o seu caminho é interrompido um quarteirão antes pelo aparecimento do advogado. Duarte Lima aproximou-se e Rosalina terá entrado no carro.

Duas horas depois de ter cruzado o Flamengo, Duarte Lima estava já na direção da Região dos Lagos, pela estrada – sem iluminação pública – que liga Niterói a Saquarema. Dentro do carro que alugara, Rosalina seguia no lugar do pendura.

Duarte Lima quando foi libertado e ficou em prisão domiciliária, devido ao Caso Homeland/BPN

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Ao fim de dois dias de buscas em hospitais, delegacias e no Instituto de Medicina Legal, estava na hora de formalizar a participação do desaparecimento. Normando Marques [o advogado brasileiro de Rosalina] chega pouco antes da hora do jantar do dia 10 à 9ª Delegacia de Polícia Civil, no Bairro do Catete, a unidade com competência territorial para receber a queixa. O desaparecimento de Rosalina da Silva Cardoso Ribeiro fica registado, às 20h24, num processo com o número 009-07263/2009. Além da queixa, os amigos e as amigas de Rosalina fizeram cartazes com a sua fotografia e distribuíram-nos pelo Bairro do Flamengo, local de residência.

Duarte Lima, que já havia falado com o seu colega brasileiro, teve conhecimento da abertura deste processo e reagiu de imediato. Enviou no dia 12 um fax para a delegacia, relatando como teria sido o seu encontro com a cliente desaparecida.

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No dia 8 de dezembro, Lúcia (nome fictício) sai da sua modesta casa para apanhar a camioneta. Vive no meio da terra batida, longe do Rio dos postais turísticos e da agitação. Até chegar à paragem tem pela frente vários metros de lama, que se entranha nos pés. Por norma é obrigada a respirar a poeira levantada por cada carro que passa, mas a chuva da noite anterior tinha trazido o drama das tempestades tropicais. Sempre encostada à berma de carros incendiados, alguns dos que terão servido para os assaltos violentos de uma cidade que nem sempre é maravilhosa, Lúcia vê ao longe um monte de roupa no chão. Tem a forma de um corpo. Alguém deitado sem se mexer depois de uma noite de chuva intensa numa localidade deserta onde existem muito poucas casas?!

Desde que se lembra de existir que sabe que a estrada que serve a sua pobre vivenda é mal frequentada à noite. Por ser escondida havia muito quem lá fosse deitar o que restava dos crimes (...) Mas um corpo não era normal, sobretudo aquele corpo, que nada tinha a ver com o típico crime violento do Rio, o do bandido que mata bandido, o do ajuste de contas por droga, o do roubo violento. Era uma mulher já velha, com roupas estranhas, talvez uma estrangeira – nenhuma brasileira se veste ou calça assim –, que tinha o relógio, os brincos e os óculos

Aproximou-se e confirmou que era um cadáver. Desde que se lembra de existir que sabe que a estrada que serve a sua pobre vivenda é mal frequentada à noite. Por ser escondida havia muito quem lá fosse deitar o que restava dos crimes. Grande parte das vezes eram carros – ficavam a arder a noite toda, para apagar quaisquer vestígios. Mas um corpo não era normal, sobretudo aquele corpo, que nada tinha a ver com o típico crime violento do Rio, o do bandido que mata bandido, o do ajuste de contas por droga, o do roubo violento.

Era uma mulher já velha, com roupas estranhas, talvez uma estrangeira – nenhuma brasileira se veste ou calça assim –, que tinha o relógio, os brincos e os óculos.

As imagens do corpo na estrada tiradas pela polícia

(…)

Quando, passado algum tempo, chegam ao local do crime, os especialistas começam a anotar as condições em que o corpo foi encontrado. No relatório o local é descrito “como sendo uma via com piso de rolamento de terra, plana, permitindo tráfego de veículo em mão dupla, desprovida de iluminação pública e calçadas, apresentando residências em pontos esparsos”. A ligação daquela estrada ao crime violento também não é ignorada pelos técnicos. O documento salienta mesmo “a existência no local de dezenas de estruturas metálicas de automóveis, com sinais de incêndio, indicando, desta forma, ser aquele ponto comummente usado para a prática de crimes”.

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Olímpia Feteira, filha do milionário Lúcia Feteira, quando prestou declarações no processo sobre a 'madrasta'

Mas houve detalhes que começaram desde logo a mostrar que o trabalho de encontrar os criminosos teria dificuldades acrescidas: “Não foram encontrados projéteis ou estojos de munição de arma de fogo.” E não havia sequer sinais de assalto: “Foram recolhidos do cadáver um par de óculos de grau, um relógio da marca Certina e um par de brincos apreendidos em auto próprio.”

Era já final da tarde quando tudo o que podia ser feito no local fora terminado. Os problemas, porém, não paravam de chegar. O corpo foi transportado para o Instituto de Medicina Legal de Araruama, que cobria aquela região, onde uma falha técnica deixara várias câmaras frigoríficas sem funcionar. Era impossível manter o cadáver naquele local, sem quaisquer condições de conservação. A decisão teve de ser tomada rapidamente: o Instituto de Medicina Legal mais próximo era o de Cabo Frio.

(…)

Tudo fugia ao padrão. Tudo menos aquele tiro na cabeça, claramente uma inspiração da América Latina, o chamado ‘confere’ no Rio de Janeiro. Isto, porque é usual neste tipo de criminalidade ser dado um tiro na cabeça da vítima, para que haja a certeza de que esta não sobrevive para contar a história. Mas ali era diferente, havia sinais que mostravam que isso era um pormenor. O móbil do crime não era comum, o estado em que o corpo foi deixado e o local não eram comuns. Os bandidos nem sequer se tinham desfeito da cabeça ou dos dedos, para prejudicar os elementos a que os investigadores dão mais importância para a identificação das vítimas.

Tudo fugia ao padrão. Tudo menos aquele tiro na cabeça, claramente uma inspiração da América Latina, o chamado 'confere' no Rio de Janeiro. Isto, porque é usual neste tipo de criminalidade ser dado um tiro na cabeça da vítima, para que haja a certeza de que esta não sobrevive para contar a história. Mas ali era diferente, havia sinais que mostravam que isso era um pormenor. O móbil do crime não era comum, o estado em que o corpo foi deixado e o local não eram comuns

Os prazos legais estavam a chegar ao fim. A Lei brasileira é clara: ao fim de 30 dias, caso não seja reconhecido e reclamado, o corpo tem de ser sepultado como indigente – numa cova rasa de um cemitério estadual só para estes casos, em que os mortos são identificados apenas com um número.

Uma das imagens distribuídas pelas amigas de Rosalina quando ela se encontrava desaparecida

No Rio de Janeiro, a equipa do Serviço de Descobertas e Paradeiros da Delegacia de Homicídios da Capital, de que faziam parte os inspetores Alexandre de Souza Baesso e Robson Fontenelle Gomes, já há vários dias que tentava localizar o paradeiro de Rosalina Ribeiro. Mas sem qualquer sucesso.

(…)

Duas semanas depois, num sábado em que as amigas já estavam sem esperança de voltar a ver Lina com vida, os dois inspetores, que continuavam a cruzar dados de todos os corpos que iam aparecendo, tiveram a informação de que numa cidade da Região dos Lagos um cadáver de uma mulher com características compatíveis com as de Rosalina fora encontrado e estava prestes a ser enterrado como indigente. Alexandre e Robson tinham em mãos não só o caso da portuguesa como dezenas de outros processos idênticos. Sabiam que dificilmente seria mesmo o corpo de Rosalina, uma vez que tantos cadáveres são encontrados nos subúrbios do Rio.

Eram muitos os quilómetros de distância, mais de 150. É certo que Duarte Lima disse que teria deixado Rosalina em Maricá, mas esta pequena localidade ficava a cerca de um terço do caminho entre o Rio e Cabo Frio. Ainda assim, não custava tirar as dúvidas, até porque a descrição física não fugia muito àquela que constava do registo de ocorrência…

Duarte Lima, também a prestar declarações no Campus da Justiça

“Mas como poderia a mulher ter sido encontrada a três horas da sua casa, mais uns minutos talvez, dadas as condições da via?”, questionavam os polícias, pouco convencidos.

(…)

Quando chegou à sala onde iria fazer o reconhecimento, de paredes despidas e ambiente frio – apenas com os restos de uma pessoa ao centro –, não teve dúvidas: era Rosalina que estava ali numa superfície de metal, com a testa amachucada, rasgada da autópsia, com o maxilar inferior saído e coberta com um pano.

O Apache que incriminou Duarte Lima

Logo depois de a investigação ser tornada pública em Portugal, um homem que nunca se quis identificar entrou em contacto com a Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro.

(…)

Não se conseguia entender o que o informador queria dizer – ele misturava português com francês e ainda usava algumas expressões inglesas. Após alguns ‘oi’, repetiu de forma pausada que tinha informações sobre Duarte Lima e que gostaria de as passar à polícia. Nascimento não entendia metade do que o homem estava a dizer, com aquele sotaque estranho, e voltou a pedir-lhe que falasse mais devagar.

(…)

Dado tratar-se de informações muito precisas acordaram a determinado momento que o melhor seria que alguns detalhes seguissem por email.

Nos emails que enviou o desconhecido pedia sempre muito sigilo e garantia de anonimato. Alegou que, embora não pudesse dizer quem era, podia comprovar conhecer muito bem o suspeito da morte de Rosalina Ribeiro. Outra das informações que saltaram à vista de Nascimento foi o homem ter afirmado que conhecia ‘falcatruas’ de Duarte Lima em Portugal.

Mas nem tudo batia certo para o investigador brasileiro. A determinado momento, o informador fez algumas perguntas, por escrito, sobre a evolução da investigação, o que deixou Nascimento desconfiado acerca das reais intenções do informador secreto.

(…)

Logo nos primeiros diálogos, deu pormenores sobre uma empresa de moda aberta em sociedade por Duarte Lima, a Vicente International, e mandou o link do vídeo da inauguração. Segundo a sua versão, esta empresa servia interesses menos claros. Outra das referências foi a ligação do político português ao BPN – Banco Português de Negócios.

(…)

A partir desses primeiros contactos, o informador recebeu o nome de código de Apache, isto porque era o nome seguinte de uma lista que a polícia brasileira usa para codificar 'informadores' e 'operações'. Nascimento e Rogério ainda brincaram com a sorte de ter calhado aquele nome, é que o anterior era Babalu

A partir desses primeiros contactos, o informador recebeu o nome de código de Apache, isto porque era o nome seguinte de uma lista que a polícia brasileira usa para codificar ‘informadores’ e ‘operações’. Nascimento e Rogério ainda brincaram com a sorte de ter calhado aquele nome, é que o anterior era Babalu.

As conversas com Apache, por email e telefone, duraram meses. O português estava sempre em viagem: Alemanha, França, Ásia e alguns países da América do Sul. Uma das chamadas, por exemplo, foi da Venezuela.

Ao aproximar-se o final de 2010, o homem disse que gostaria de mostrar pessoalmente alguns documentos sobre as fraudes do suspeito. A primeira hipótese foi o encontro ser num qualquer país vizinho do Brasil, mas não houve consenso. Após isso, Apache argumentou que talvez viesse ao Brasil, deixando porém claro que não tinha uma data marcada. Nascimento queria ver as provas dessas ‘falcatruas’ e contou-lhe que iria em breve a Paris, de férias, e que não se importava de fazer uma pausa no descanso para se encontrarem na capital francesa. Apache concordou de imediato.

Em dezembro de 2010, Nascimento aterrou em Paris para umas curtas férias. Tinha passado um ano desde que o caso da portuguesa assassinada tomara conta dos seus dias e não conseguia desligar-se. A prova disso era o encontro que tinha marcado na capital francesa com o informante.

(…)

Por baixo da gabardine e do chapéu, Nascimento sentia um nervoso miudinho, a experiência de anos nunca lhe tinha trazido qualquer encontro semelhante, muito menos fora do Brasil. Entrou às 19h00 em ponto no Flore e sentou-se. À vista, sobre a mesa, deixava o livro Guerra e Paz, de Lev Tolstoi.

(…)

Passava das 19h15 quando um homem já com alguma idade entrou no Flore de sobretudo, chapéu e óculos escuros. Era nítido que procurava alguma coisa ou alguém. Nascimento franziu os olhos, para ver melhor ao longe, e identificou o cabeçalho do jornal que o desconhecido trazia na mão: Diário de Notícias. Aquelas letras de fonte Gothic, em Paris, não deixavam margens para dúvidas e Nascimento avançou:

– O senhor é português?

O homem, ainda de pé, acenou com a cabeça e o polícia continuou:

– E conhece o Brasil?

Foi nesse momento que o informador quebrou a tensão do primeiro encontro, com o seu sotaque cerrado:

– Não, mas gostava de conhecer Saquarema.

Sorriram. Os dois homens estavam ali para falar de Duarte Lima, mas Nascimento já havia percebido pelas conversas telefónicas que Apache seria muito mais útil para caraterizar o suspeito – social e psicologicamente – do que propriamente para trazer eventuais provas do assassinato. Também tinha entendido que o homem poderia ter alguma coisa contra o político português e por isso tinha de ter algum cuidado a filtrar a informação.

– Peço-lhe que não grave nem fotografe nada deste encontro – advertiu o português.

Duarte Lima foi deputado do PSD e líder da bancada social-democrata (91-94)

Assim que Nascimento desligou a câmara que levava no botão de punho da camisa continuaram a conversa que já tinham tido por telefone. Não era por acaso que o comissário da Polícia Civil do Rio dava crédito àquele informador, foi ele que durante meses informou os brasileiros sobre os passos de Duarte Lima em Lisboa e contou diversos pormenores da vida do político português. Tais detalhes, ainda que tivessem um peso relativo – até porque havia contactos informais regulares com a Polícia Judiciária portuguesa –, eram interessantes para perceber quem era Duarte Lima.

Aquele encontro tinha uma outra virtude: o informador prometera levar documentação que sustentava as conversas que durante meses foram tendo por telefone. Dados que, dizia, podiam ser complementares à investigação em curso.

Apache teve durante anos acesso fácil ao círculo mais próximo de Duarte Lima e sabia de muito da sua vida, conhecendo até a sua casa. O detalhe das informações era tal que naquele mês de dezembro apresentou a Nascimento muitos dos factos que um ano depois acabaram por conduzir à acusação de Duarte Lima no caso BPN/Homeland.

E não eram só ‘bocas’ – com um discurso articulado sempre a misturar português com francês, o homem colocou em cima da mesa dezenas de documentos e várias vezes falou do antigo deputado do PSD como uma “pessoa fria que só pensa em dinheiro”.

Nascimento estava estupefacto com a quantidade de papéis que o desconhecido tinha trazido para o encontro, como comprovativos de transferências, declarações relativas a negócios menos claros, documentação sobre a compra de terrenos em Oeiras e várias folhas com o cabeçalho do BPN. Mas não foram só as ilegalidades que mais tarde viriam a ser provadas em tribunal em torno do BPN que foram trazidas por Apache 

Nascimento estava estupefacto com a quantidade de papéis que o desconhecido tinha trazido para o encontro, como comprovativos de transferências, declarações relativas a negócios menos claros, documentação sobre a compra de terrenos em Oeiras e várias folhas com o cabeçalho do BPN.

Mas não foram só as ilegalidades que mais tarde viriam a ser provadas em tribunal em torno do BPN que foram trazidas por Apache para mostrar ao comissário brasileiro quem era o homem que estava a ser investigado. Foi feito um mapa de todas as influências políticas, de toda a teia de lobbies dentro e fora de fronteiras.

(…)

O encontro, que tinha começado às 19h15, já ia longo e a maioria dos documentos ainda nem sequer tinham sido vistos pelo polícia. E como uma das regras era a de que nenhum documento poderia ser fotografado ou fotocopiado, não restou outra solução que não fosse marcar outros dois encontros, sempre em locais icónicos de Paris. O último, por exemplo, foi no Café di Roma, nos Campos Elísios.

Mas se não tinha informações sobre o crime em si, como poderia ser útil à investigação? Para os investigadores brasileiros, uma das pistas mais importantes passadas por telefone por Apache, durante vários meses, foi ter dado pormenores sobre a relação de Duarte Lima com a brasileira Marlete, a imigrante de Belo Horizonte que conhecera em Portugal.

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Outra informação não menos relevante era a que dizia respeito às movimentações do ex-deputado em Lisboa, após o crime – desde o período que o social-democrata passou fechado na sua mansão do Algarve aos dias em casa de amigos e ainda o regresso ao seu apartamento de Lisboa, na Avenida Visconde de Valmor.

Segundo o informador, desde que o caso começara a ser investigado Duarte Lima andava extremamente nervoso. Ao ter estas informações e ao cruzar com as que iam chegando de alguns elementos da PJ, a polícia brasileira foi conduzindo o caso com menos receio de uma fuga do suspeito para um país sem acordo de extradição com Portugal e Brasil.

Os brasileiros chegaram a recear, dadas as ligações, que Duarte Lima fugisse para um país árabe, evitando assim o cerco montado pelo inquérito do Rio de Janeiro e pelos sinais que iam surgindo de que o caso BPN ia dar lugar a uma investigação profunda, que certamente o arrastaria

Os brasileiros chegaram a recear, dadas as ligações, que Duarte Lima fugisse para um país árabe, evitando assim o cerco montado pelo inquérito do Rio de Janeiro e pelos sinais que iam surgindo de que o caso BPN ia dar lugar a uma investigação profunda, que certamente o arrastaria.

Apache nunca dera a Nascimento a sua identificação verdadeira, mas pela conversa tratava-se de alguém ligado à banca e que vivera muitos anos fora de Portugal, dadas as influências que tinha da língua francesa. Apesar da distância, houve momentos mais emotivos durante os encontros de Paris. Um dos principais aconteceu já no final do terceiro encontro. À saída do Café di Roma, local escolhido muito por causa da loja de artigos de investigação que havia ali ao lado, o estranho olhou para Nascimento e pediu-lhe que não abandonasse o caso e que levasse a investigação até ao fim, contrariamente ao que sempre acontecera em Portugal até então.

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