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Bloco de notas de reportagem no CDS. Dia 9. No dia em que Portas apareceu, Melo atacou Marisa com delay /premium

Nono dia de estrada, cinco até às urnas. Dia de Portas aparecer num mega-comício em Cascais. CDS está animado, mas sondagens mostram que está taco a taco com PCP e BE. Ordem do dia: atacar Marisa.

Há dias que Nuno Melo impôs uma nova meta eleitoral: não basta eleger os dois eurodeputados pretendidos, mas também é preciso ficar à frente do PCP e do BE na votação. Porque isso, diz, é dar um sinal à Europa de que os partidos da moderação ganham aos “partidos extremistas”. Acontece que, depois das duas últimas sondagens, o candidato que diz que não liga a sondagens, tem insistido particularmente nesta tecla e esta terça-feira apostou tudo no ataque a…Marisa Matias, a candidata do Bloco de Esquerda.

Primeiro, em Viseu, Melo lembrou que a única coisa que as duas sondagens (que dão 8% para CDS e PCP e 9% para BE) mostram é que, contando com a margem de erro, os três partidos estão “empatados”. Logo, nada está perdido. Depois, aproveitou a tarde para chamar a atenção para uma “mentira” que Marisa Matias tinha dito no debate da noite passada, na RTP: que o CDS tinha votado contra a diretiva europeia dos plásticos, ao mesmo tempo que “andava a fazer números a apanhar palhinhas de plástico nas praias”. Nuno Melo não desmentiu logo a candidata bloquista porque foi de tal forma “convincente” que até o próprio teve de recorrer à internet horas mais tarde para confirmar a votação. Dessa consulta resultou a certeza de que nas duas votações, em outubro de 2018, e em março de 2019, o CDS votou a favor da diretiva dos plásticos”. O veredito: “Marisa Matias mente”

Ainda as sondagens. Quer então dizer que se o CDS ficar atrás do PCP e do BE vai assumir a derrota? Não. “Se ficarmos atrás, é a vida”, limitou-se a responder Nuno Melo. Mas nunca é demais insistir na ideia.

Alto. O CDS encheu o Mercado da Vila de Cascais, com militantes base e figuras de relevo no partido (deputados, Pires de Lima, Adolfo Mesquita Nunes, Paulo Portas, só Adriano Moreira faltou à chamada), para passar uma mensagem de força e mobilização. E conseguiu: com um total de 1200 pessoas (números da organização), Assunção Cristas e Nuno Melo chegaram ao recinto sob apoteose com uma estrela maior atrás deles. Paulo Portas não quis roubar o palco e, por isso, surgiu uns passos atrás. Mas a presença do histórico líder do CDS teve o efeito desejado e, no final, era ver Paulo Portas a fazer de anfitrião a distribuir cumprimentos e fotografias pelas muitas mesas da sala. Ao fundo, o ecrã gigante exibia, em loop, um vídeo com os melhores momentos do partido, não apagando ninguém da história.

Baixo. O dia ficou ainda marcado por um percalço nas redes sociais, que levou a Comissão Nacional de Eleições a pedir ao CDS que retirasse um post da sua página de Twitter. Em causa estava uma publicação em que, segundo descreve a CNE, “a imagem de propaganda do PS é identificada com o símbolo e com a sigla desta candidatura, na qual os centristas colocam as seguintes expressões: ‘NÓS FALAMOS MAS NÃO FAZEMOS’, ‘#SOMOS PROMESSAS’ e um conjunto de três frases com uma cruz vermelha a anteceder (Xreduzir carga fiscal; Xexecução de fundos europeus; Xneutralidade fiscal nos combustíveis)”. Problema: a utilização do símbolo e sigla da candidatura do PS para fazer uma valorização negativa dessa mesma candidatura. Recado dado, o CDS apagou a publicação para não fazer disso “um caso”. Era apenas, disse o diretor de campanha, “uma questão trivial própria das campanhas eleitorais”.

“A senhora Assunção não veio?”, perguntou Maria Helena Ferreira quando esta manhã se cruzou por acaso com Nuno Melo na feira de Viseu. “Não, está por Lisboa”. A resposta foi repetida da mesma forma a todos os que perguntaram pela líder (e foram pelo menos três). Maria Helena, de 71 anos, “gosta muito” de Assunção Cristas, que é “humilde como nós” embora ande sempre “arranjadinha”. Mas não costuma votar no CDS. E este ano está com um dilema.

“No outro dia falava com o meu marido e ele dizia que não ia votar em ninguém. ‘Oh marido, mas temos de votar’, disse eu”. O dilema tem uma explicação: em casa de Maria Helena Ferreira sempre se votou PPD/PSD — “desde os tempos de Sá Carneiro”. Mas não agora. “O Passos Coelho cativava-me e ele ganhou, não foi o Costa. O Costa agora juntou-se àquela maltinha e o Rio não me dá esperanças, não tem garra”, comenta com o Observador. Resultado: “Eu talvez vote na Assunção Cristas”, confidenciou Maria Helena ao marido e, depois, ao Observador.

Mas sabe que estas eleições de domingo são europeias, não sabe? “Sei, pois. Só que ainda não estou bem esclarecida. Andam a fazer campanha para eleger os deputados para lá, não é?”. É sim. Que ideias defendem uns e outros “para lá” é que Maria Helena não sabe bem. Não está bem esclarecida.

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Nuno Melo esteve esta terça-feira em Viseu. Visitou as caves onde se faz “o mesmo espumante com que brindou à saída da troika de Portugal” e ouviu desejos de “boa sorte para domingo” do presidente  da cooperativa, João Silva. Acontece que esse mesmo presidente já ali tinha recebido Paulo Rangel, há uma semana, e também a ele tinha desejado a mesma boa sorte para domingo. Até o PS de Pedro Marques e a CDU de João Ferreira lá passaram na pré-campanha e também para eles os votos foram os mesmos. “Respeitamos todos e desejo a mesma sorte a todos, mas mais a uns do que a outros”, disse ao Observador, sem revelar para quem os votos são mais sentidos.

Depois de uma segunda-feira passada entre Setúbal e Viseu, e de uma terça-feira entre Viseu (326 quilómetros), Moimenta da Beira e Cascais (para o grande comício da campanha), mais 321 quilómetros, a caravana do CDS já percorreu um total de 3338 quilómetros.

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